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sábado, 8 de fevereiro de 2014

São José Almeida, outra lição

Detesto a palavra fã, mesmo em relação aos meus ídolos do cinema, música ou teatro. Prefiro admirador. São José Lopes, articulista do ‘Público’, pelas qualidades de isenção, objectividade, verdade e defesa de uma sociedade mais justa, merece-me muita admiração.
Na edição deste Sábado, São José Lopes, com elevação mas sem complacência com as inferioridades venham de onde vierem, publica o texto ‘Não é só uma gripe’, título inspirado em infeliz declaração de Marcelo de Rebelo de Sousa – semelhantes a tantas outras com que o prolixo e contraditório comentador nos presenteia aos Domingos.
Da orientação neoliberal do governo de Passos e Portas à inanidade de Seguro, o artigo é, de facto, digno de leitura. Para reforçar a minha opinião, escolhi um parágrafo, como poderia ter optado por qualquer outro. Ei-lo:
 “O que é facto é que apesar da actividade política que ocupa os socialistas a imagem que passa para a opinião pública é a de que Seguro não existe como líder, que não tem ideias para o país e que não se impõe como uma alternativa clara de Governo à actual coligação PSD-CDS. Exemplo desta imagem foi a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, no domingo em que, a propósito de um SMS que recebeu do líder do PS esclarecendo que não aparecera em público durante uma semana porque estivera com gripe, o antigo líder do PSD aconselhou Seguro, em tom jocoso, a não “engripar” em Maio, quando da saída da troika e das eleições europeias.”
Este é mera passagem do filme, já que a leitura integral da história, essa sim, é fortemente recomendável. 
(Adenda; Por lamentável erro, chamei-lhe São José Lopes, em vez de São José Almeida. As minhas desculpas.)

sábado, 18 de agosto de 2012

São José Almeida, os discretos são os melhores

Vivemos num país, desde há muito, viciado em promover e manter matilhas pseudointelectuais. Invadem espaços televisivos, radiofónicos e de jornais de todo o género. Uns para transmitir enfunados pareceres sobre tudo e mais alguma coisa, outros para manipular a opinião pública em favor das cores políticas da sua preferência.
Nomes? São tantos, lembro-me de muitos, mas certamente ainda deixaria de fora outros tantos ou mais, muitos mais. É preferível deixar o inventário para outra ocasião. Em certos momentos, ouço-os por masoquismo, mas a maioria das vezes faço-o porque o disparate e o topete me servem de diversão. Ouvir Marcelo Rebelo de Sousa falar de biologia e do ADN ou Lobo Xavier discutir os fundamentos filosóficos de Kant constituem episódios hilariantes.
Pena é que, por outro lado, num País de forte persistência da frivolidade e da gente sem escrúpulos a emergir à tona do mediatismo, parte substancial da sociedade se alheie ou nem leia na diagonal este excelente artigo de São José Almeida.
O texto é elucidativo, mas não surpreendente, quanto a manifestações de ridícula ignorância dos tecnocratas na classificação das fundações; bem como na caricatura de enguia, ao cimo ou debaixo de água, desse ministro que, na arte da trapaça, é o mais hábil e talentoso dos  artistas.
É bom conviver com a leitura de quem, de uma penada, faz a anatomia do Portugal que somos, servindo-se de métodos precisos de dissecação e corte. São José Almeida é uma figura conhecida, mas discreta. Nesta etapa histórico-dramática do País, os discretos são os melhores.