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sábado, 19 de abril de 2014

O sal e o açúcar do (des)governo do nosso padecimento

Pormenores, aparentemente fúteis, contribuem para demonstrar a falta de sintonia dos membros do governo de Coelho e Portas.
Um dia vem a ministra das finanças anunciar, de forma imprecisa, que, para efeitos de poupança dos 1.400 milhões em 2015, se contariam com novas receitas, entre as quais:
A clarificar as ideias da ministra, surgiu de imediato o secretário adjunto do ministro da saúde, que é médico hematologista, a declarar:
Para finalizar a história, vem o ex-quadro cervejeiro Pires com o ar de ofendido, a inculpar não se sabe quem, talvez os jornalistas, com uma frase categórica:
No desaparecido ‘Parque Mayer’, e com os talentosos autores, actrizes e actores da ‘revista à portuguesa’ entretanto desparecidos, estes governantes de ocasião proporcionariam argumento para um ‘sketch’ de causar risos a um teatro inteiro.
Burlesca, esta história contém, de facto, as personagens ajustadas à comédia de ‘vaudeville’: uma ministra das finanças que é uma espécie de Dr. Salazar, em versão loura e actual, que tanto decide sobre matérias da pasta da Saúde como de Segurança Social – o Mota Soares nem pia, o que, diga-se, também convém ao CDS-PP. Depois temos um hematologista e um ex-cervejeiro e, quando há álcool no sangue, a alcoolémia vence. Figuras caricatas… só se lastima que nos façam sofrer.   

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Dualidades e contradições do FMI

fmi logo
O FMI, no estilo habitual da dualidade e contradição de opiniões, é uma instituição perversa, com uma longa e triste história de desastres socioeconómicos ao redor do mundo. Tudo isto, sabe-se, obtendo ganhos financeiros elevados, condenando à pobreza milhões de seres humanos nos países que acorrem à “ajuda” da tenebrosa organização.
No entanto, a perspectiva de curto prazo é incerta, e consideráveis ​​desafios a médio prazo económicos permanecem.”
Isto, a propósito da hipótese de regresso do nosso País aos mercados.
Em absurda referência, e depois de se deter na ‘consolidação orçamental' como objectivo supremo, Shafik disparata do seguinte modo:
“O progresso sobre o trabalho e as reformas do mercado de produtos, bem como no Judiciário, é encorajador. No entanto, as autoridades devem prosseguir com determinação as reformas estruturais para terminar numa melhoria duradoura da competitividade, crescimento e emprego.”
O ‘Público’, citando o comunicado da senhora, destaca a necessidade de “consenso social” para as reformas; as tais, discutidas em ambiente censório no Palácio Foz, do corte de 4 mil milhões de euros em despesas do Estado Social.
O que esta senhora diz é dissonante em relação às críticas da austeridade que, de volta e meia, se soltam da boca de Lagarde. Porém, no FMI prevalece a regra do discurso divergente, em função do orador. A ode à ‘competitividade, crescimento e emprego’ é o tal ‘amanhã que não canta’
Chega de Shafik!, e portanto “shafico-me por aqui”.
   

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A coligação vai descarrilar?

 


Um dos 'slogans' da coligação PSD-CDS foi, à partida, a identificação dos dois partidos com os princípios e objectivos da governação; isto, é claro, para além dos compromissos decorrentes do 'Memorando da Troika' que ambos subscreveram, na companhia do PS.
Entretanto, e descontando o azedume entre Portas e Jardim na Madeira, começam a haver dissonâncias no próprio PSD e entre os parceiros de governo.
Carlos Abreu Amorim, que tanto porfiou que chegou a deputado, criticou duramente o Ministro da Economia, o modesto Álvaro, por este admitir que a opção de Portugal em relação ao TGV só será tomada em Setembro. O projecto não está suspenso, acusa Amorim, não respeitando o compromisso eleitoral dos partidos do Governo. Por sua vez, O CDS não está seguro de que o governo, de que é parte, venha a suspender o TGV. E, qual cereja em cima do bolo, o deputado laranja, Campos Ferreira, entre afirmações difusas e confusas, assegura que o programa do governo se refere a reavaliação e não à suspensão da ligação de alta-velocidade a Espanha.
Enfim, começa a haver sinais múltiplos e evidentes da falta de coesão nos partidos do governo. A preocupação nos blogues pro-governamentais já é explícita.
Uma vez que temos um Presidente, uma maioria e um governo, não deixa também de ser curiosa a divergência entre o que Cavaco diz ser teoricamente estranho e Portas aplaude nas propostas franco-alemãs. O PR refuta a ideia da inscrição constitucional do limite do endividamento, desejada pelo par Merkel e Sarkozy.
A crise é grande, mas ter políticos deste nível não ajuda nada. Recorrendo a linguagem de ferroviários, pergunta-se: será que a coligação vai descarrilar?