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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O risco da deflação avoluma-se

A fadiga da austeridade, dos discursos da crise, dos abundantes e variados números macroeconómicos publicados; sim, essa intensa fadiga é motivo compreensível para afugentar os cidadãos de mais uma preocupação: o risco de deflação, muito elevado em Portugal mas igualmente considerável na Europa do Euro.
Evito a repetição; porém, é irresistível o convite à leitura deste meu ‘post’ de 31-01-2014, referindo os receios de Draghi e Lagarde nessa altura. E sublinhe-se que há 6 meses, as preocupações dos responsáveis máximos do BCE e FMI fundavam-se numa taxa de inflação na Zona Euro de 0,7% em Jan-2014, comparativamente a 0,8% em Dez-2013.
A despeito da forte redução das taxas de juro de depósitos no BCE, as notícias do Eurostat de 31-07-2014 - nem há uma quinzena, portanto – agravaram-se para a Zona Euro. Com efeito, a inflação estimada para Jul-2014 é de 0,4%, abaixo dos 0,5% de Junho passado.
Draghi multiplica-se em entrevistas e a influencia notícias sobre o tema. A Bloomberg em 5-Jun-2014 publicava o seguinte texto:
Se a agitação de Draghi é aquela que, de facto, das palavras se depreende, que dizer acerca da inflação portuguesa? Já é negativa há 6 meses consecutivos!, segundo divulgado pelo ‘Público’, com base em números do INE, em Julho de 2014, a variação homóloga do IPC situou-se em -0,9%, 0,5 pontos percentuais (p.p.) inferiores ao observado no mês anterior.
O governo de PPC que, a cada dia, se ufana dos bons resultados (turismo, desemprego em queda (?), juros da dívida historicamente baixos (?), consumidores confiantes), fosse através de um ministro, de um secretário de Estado ou de qualquer ajudante, já deveria ter-se manifestado perante a opinião pública a respeito desta crónica patologia a caminho da deflação, a um ritmo extremamente acelerado.
É provável que calem deliberadamente o que devem dizer – A Dona Albuquerque tagarela, tagarela, mas a este respeito remete-se ao silêncio. Vivem amedrontados com o que Alemanha possa fazer, se denunciarem que este desfecho é o preço da austeridade, da falta de rendimento das famílias e da falta de empregos, como dizia em Janeiro a putativa Sra. Lagarde.
Necessitávamos de taxas reais negativas ou pelo menos ligeiramente positivas, o que implicaria uma inflação da ordem dos tais 2% que Draghi persegue mas não alcança.
Caso continuemos na mesma caminhada de há 3 anos, com a ‘troika’ presente material ou espiritualmente, a probabilidade da deflação aumentará significativamente. A situação económica do País tornar-se-á muito complexa, mas tal risco parece não assustar os nossos (des)governantes. Estamos na hora do Espírito Santo. Ámen!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Eurostat contradita o “milagre económico” do Pires

O Pires é descendente de outro Pires, de limado apelido. Em síntese, é membro de família pirosa, adjectivação de falta de qualidade.
O homenzinho tem postura arrogante. E erecto, novidade não original na cerâmica portuguesa. Em especial, na cerâmica das Caldas da Rainha, de intumescência pomposa mas inócua.
O Pires vendeu na AR os cacos de um ‘milagre económico’ do Portugal actual. Impingiu a ideia de se tratar de peça inteira e prometedora. Foi demagógico, característica marcante do governo que integra.
O milagre económico, no sentido de ilusionismo, é equivalente ao ‘irrevogável’ do amigo Paulo. É mera especulação e topete.
A justificar que o discurso do Pires não é sério, entre múltiplas provas de contradição possíveis, citamos o relatório de hoje do EUROSAT, onde poderá ler-se:
“Comparação mensal
Em Setembro de 2013 comparado com Agosto de 2013, a produção de bens duráveis caiu 2,6% na zona euro e 1,6% na UE28. Bens de capital tiveram uma redução de 1,0% e 0,2% respectivamente. Os bens intermédios desceram 0,8% na zona Euro e 0,5% na UE28. Os bens de consumo não-duráveis declinaram 0,8% na zona euro e de 0,5% na UE28. A energia aumentou de 1,3% e 0,4%, respectivamente. Entre os Estados-Membros para os quais há dados disponíveis, a produção industrial caiu em doze e aumentou em treze. As maiores quebras registaram-se em Portugal (-11,2%), Luxemburgo (-4,1%), Croácia (-3,3%) e a República Checa (-2,8%) e os aumentos mais elevados ocorreram na Irlanda (+2,9%), Roménia (+2,4%), Hungria (1,8%) e Polónia (+1,4%). “
Se a estes dados, adicionarmos o comportamento da inflação e os elevados riscos de deflação em Portugal e zona euro (INE e tratado aqui), concluiremos facilmente que a amanuense Albuquerque e o petulante Pires, sob o comando supremo de Cavaco e dos ajudantes de campo Coelho e Portas, hão-de conduzir o País a um desastre calamitoso que a Alemanha e a ‘troika’ promovem, em desobediência dos textos dos tratados da EU.