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domingo, 28 de junho de 2015

Os riscos da Zona Euro, do Syriza a Marine Le Pen

A inconsistência das “instituições”, em relação à Grécia, é digna de reflexão. Há a incógnita que se levanta à CE, Eurogrupo, BCE e ao FMI sobre os efeitos, e contágios, que podem impender sobre a Zona Euro do colapso financeiro, bancarrota, da Grécia. De resto, é na acepção de inquietantes dúvidas e tortuosas estratégias, que, a meu ver, hoje, Domingo, o BCE, em reunião por teleconferência participada pelos governadores dos bancos centrais – lá aparece o “nosso” Costa do BdP nas telas dos monitores – deliberou manter o apoio à liquidez da banca grega, ao abrigo do programa de emergência, ELA - Emergency Liquidity Assistance, na designação anglo-saxónica.
Podem existir dúvidas nos dignatários das “instituições” envolvidas. Todavia, para os autoritários conservadores e socialistas dos areópagos de Bruxelas, referidos por Pacheco Pereira no brilhante artigo, ´A Europa que nos envergonha’, o objectivo estratégico é demasiado evidente: afastar o Syriza do poder – confesso que comecei por não ser entusiasta deste partido, mas do mesmo me transformei em admirador pela coragem face aos altos poderes da Europa do Norte e seus serventuários – Schäuble e os idiotas úteis do tipo de Dijsselbloem e Maria Luís Albuquerque, por exemplo.
O desafio do referendo de Alexis Tsipras, a acreditar nos resultados de sondagens que a imprensa divulga, pode transformar-se em golpe de “hara-kiri” para o Syriza. E é este o trunfo com que as lideranças europeias, neoliberais e despóticas, complementadas pela indecorosa Lagarde, contam para fazer regressar ao poder a Nova Democracia e o Pasok, dois partidos autores do crime da dívida, em conluio com Merkel e Sarkozy – os gastos em equipamento militar germânico e francês, os dinheiros extorquidos pela Siemens e outras sociedades internacionais, se devidamente somados, inundaram a Grécia de uma dívida externa, pública e privada, astronómica. Os pensionistas e assalariados que paguem a crise, defendem agora o FMI e o Eurogrupo de Schäuble, sob a cumplicidade de Juncker e um batalhão de governantes europeus, no qual participa Passos.
A semana que agora se inicia vai ser recheada de acontecimentos. Prognosticar é difícil, excepto prever golpes baixos que atingirão o povo grego.
Contudo, ao contrário da teoria oca do ‘Fim da História’, de Fukuyama, as sociedades actuais vivem transformações permanentes, às vezes súbitas e outras radicais. Talvez, em tempos de próximo futuro (2017), se a ascensão de Marine Le Pen se concretizar em conformidade com as sondagens, a Zona Euro e eventualmente a União Europeia corram o risco de extinção.
Tenha-se em atenção o que a candidata da extrema-direita francesa disse à Bloomberg, em notícia que foi titulada ‘Marine Le Pen: Chamem-me apenas Madame Frexit’. Do teor dessa entrevista, traduzo as seguintes passagens:
Confesso não ficar paralisado de euforia se Marine Le Pen vier a ser eleita PR Francesa. Todavia, em política, têm de aceitar-se as escolhas dos povos. Se a direita neoliberal, destruidora do Estado Social Europeu, é invencível pela esquerda europeia, desconexa e insípida, talvez venha a ser profundamente derrotada pela direita. 
Comparo à imagem do fruto, em tempos lustroso, que acabará por cair da árvore, bichado e apodrecido no interior. 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

TAP ao fundo!

O tema é recorrente, controverso e fracturante para a sociedade portuguesa. A nossa TAP foi privatizada – não acredito que a supervisão dos neoliberais dominantes na UE obrigue o governo da coligação PSD+CDS, espúria e antipatriótica, a reverter a situação.
Os donos da TAP, creio convictamente, passarão a ser o norte-americano-brasileiro David Neeleman, proprietário da companhia aérea ‘Azul’, terceira em dimensão no Brasil, e Humberto Pedrosa, patrão dos autocarros ‘Barraqueiro’ – este nome, ‘Barraqueiro’, traz-me sempre à memória uma revista no saudoso Monumental (hoje ‘Dolce Vita’ falido e à venda), com o não menos saudoso Raúl Solnado. A cena era constituída pela demonstração de euforia de uma família de recursos limitados que partia de férias para Guerreiros, localidade suburbana próxima de Loures, servida pela 'Barraqueiro'. O pai (Solnado) repetida e alegremente afirmava: “Vamos todos para Guerreiros, vamos todos para Guerreiros…”.
A TAP, neste processo de privatizações do tipo do jogo da ‘batalha naval’, é o porta-aviões afundado. Juntar-se-á nas profundezas do mar arrebatador à PT, Cimpor, REN, EDP, CTT e ANA e outras unidades de uma armada desarmada por Coelho e Portas, assim como pelo PS igualmente responsável por esta destruição do património público.Há uma regra na privatização da TAP que exala irracionalidade e que o ‘Público’ descreve assim:

 A fatia da TAP que o Governo decidiu vender a David Neeleman e a Humberto Pedrosa vale apenas dez milhões de euros no imediato. Porém, o montante a arrecadar pelos cofres públicos com a venda de 100% do grupo nos próximos dois anos pode subir até aos 140 milhões, mas só se a empresa conseguir atingir em 2015 a meta a que se propôs no plano de negócios: um resultado operacional acima dos 250 milhões de euros.[sublinhado meu].

Pode ou não subir, acrescento.
Ignoro qual será o montante do resultado operacional da TAP em finais de Maio passado, por exemplo; porém, a avaliar pelos prejuízos da polémica greve dos pilotos, fala-se de 30 milhões, parece-me muito difícil que em 2015 se atinja a meta pretendida.
Conforme se pode verificar na página 5 das ‘DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2014’, o resultado operacional consolidado da TAP em 31-Dez-2014 foi de 2,572 M de euros. Multiplicar este resultado por 100 no espaço de uma anuidade, a fim de atingir os tais 250 milhões, parece-me, de facto, difícil. Todavia, o ‘Azul’ e o ‘Barraqueiro’ são gente de raça e também entoam: “vamos todos para Guerreiros”. O Pires e o Monteiro asseguram-lhes companhia e lá farão a festança.
Sei que é extenso, mas vale a pena contar e observar o número de figuras que compõem os Órgãos Sociais da TAP, criado no tempo de Sócrates. Muitos maçónicos e outros da Opus Dei. É o perverso privilégio de alguns tecnocratas insensíveis à pobreza e até à miséria crescente do povo anónimo. 
O Estado Português vai ficando crescentemente depauperado, restando a CGD e pouco mais que o trapaceiro Coelho e o demagogo Portas se encarregarão de alienar, se o povo, em maioria, optar por, de novo, os eleger.