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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Macedo terá apreciado as mensagens de Porter?

Michael Porter é há muito um dos ‘globetrotters’ da consultoria. Professor de ‘Harvard’, goza de prestígio de sabedoria, em temas de competitividade e estratégia.
Porter esteve em Portugal em diversas ocasiões. No entanto,  assume especial relevância a visita de 1994, a convite do então ministro Mira Amaral. O objectivo foi diagnosticar e prescrever um modelo de desenvolvimento estratégico para a Economia Portuguesa. Em termos práticos, e pensando que ao professor norte-americano não devem ser assacadas responsabilidades, a receita não resultou. Porque simplesmente nem tão pouco foi aplicada. Agora, a convite da Católica, voltou para falar de saúde. o ministro Macedo esteve presente.
Duas ou três ideias se podem extrair, mesmo sem grandes preocupações analíticas, das palavras de Porter:
  • O aumento dos co-pagamentos [taxas moderadoras] e a redução dos salários dos médicos e enfermeiros são o tipo de medidas que não criam valor.
  • Criar valor é pensar em todo o ciclo do doente e o pagamento tem de deixar de ser por acto mas por todo o pacote de cuidados.
  • A medição dos custos e dos resultados de todos os pacientes foi outra das propostas apresentadas.
Como autor do conceito de ‘cadeia de valor’, Porter assumiu não ser positivo para qualquer sistema de saúde desvalorizar a prestação de partes decisivas dos processos do trabalho médico-hospitalar -médicos e enfermeiros - desprezando, indirecta mas concretamente, os ‘doentes’ que formam núcleo crucial para a concepção da organização sistémica. Contudo, as ideias de Porter não são providenciais. Há que fazer a ponderação entre as suas teorias  e a estratégia social efectiva do SNS.
A despeito desta última reserva, e atendendo que os sistemas de saúde da Alemanha e Suécia foram referidos, tenho dúvidas de que Paulo Macedo tenha apreciado as mensagens de Porter.

sábado, 2 de junho de 2012

Boa notícia: A ERS defende a continuidade da MAC

MACNa amálgama de disparates do actual governo, de que a política de saúde do bancário Macedo não se exclui, é gratificante ter, de volta e meia, notícias positivas e sintomáticas de sensatez.  
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), segundo o ‘Publico’, defende que a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), como unidade hospitalar de obstetrícia, deve continuar a existir, considerando a irrelevância da localização.
Se, de facto, o local físico das instalações da MAC é irrelevante, então também poderá permanecer onde foi fundada e desde sempre se manteve. Em Londres, o Royal Mardsen e o Brompton – já o disse – lá estão em edifícios antigos nas imediações da estação de ‘South Kensington’, a funcionar com eficiência e eficácia.
Royal Mardsen (Oncologia) e o Brompton Hospital (Pneumologia) são duas unidades de saúde de referência a nível mundial. Curiosamente foi no primeiro dos citados hospitais que conheci há muitos anos o Dr. Manuel Abecassis, então a especializar-se em transplantes de medula óssea. Há dias, no IPO de Lisboa, chefiou a equipa que fez a intervenção ao Gustavo, filho do futebolista Carlos Martins.
Para azia de Isabel Vaz, do ´BES Saúde’ e de outros abutres, é de saudar a posição da ERS, salvaguardando, no entanto, ser indispensável a leitura integral deste documento para ter uma noção mais extensa e rigorosa das soluções apontadas para a rede hospitalar pública.