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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Paulo Macedo, o nosso Albert Fleming

É consabida a descoberta acidental da Penicilina por Albert Fleming. O início da comercialização do histórico antibiótico teve lugar em 1941. Teve enorme sucesso na terapia da tuberculose e foi fundamental para a salvação de vidas no final e período pós II Guerra Mundial.
Comandado pelo bancário muito, muito inteligente e diligente Paulo Macedo, assistido pelo funcional, anti-burocrático e eficaz Infarmed, o sistema de saúde português está a fazer um ensaio da maior importância para medir, com rigor, os efeitos da inexistência de Penicilina em Portugal, desde Dezembro de 2014 a (é previsão) 20 de Abril de 2015.
À custa da morbidez e da eventual mortalidade de alguns portugueses, alguém ficará  a saber o custo humano de viver sem Penicilina durante considerável período de tempo, na sociedade actual. 
Note-se que, uma vez dispensados da II Guerra Mundial, não temos a noção real e directa da incidência em perdas de vidas humanas da falta do famoso antibiótico nesse período histórico. Jamais teremos acesso a esse resultado, assim como ao número de atingidos - e como - pela falta de antibiótico nas unidades de saúde portuguesas durante praticamente 5 meses.
O que nos vale é vivermos no esplendor do mercantilismo e Paulo Macedo, transformado num verdadeiro Fleming nacional lá descobriu um novo fabricante da substância activa do medicamento, Lentocilin, que permitirá regularizar abastecimento do mercado, a partir da 2.ª quinzena de Abril.
Os médicos classificam de gravíssima a situação relatada e Macedo, o melhor ministro do actual governo, lá vai coleccionando factos e episódios para juntar ao volumoso currículo em produção, visando alcançar o primeiro lugar dos piores Ministros de Saúde que tivemos desde sempre.
Neste momento, é o nosso Albert Fleming... à portuguesa e sem bolor, claro.   

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Paulo Macedo: o genial arrasador do SNS

Bastas vezes, e algumas vozes causam-me perplexidade, tenho ouvido rasgados elogios a Paulo Macedo, como o mais inteligente dos ministros do infesto governo de Coelho e Portas, afectuosa e indecentemente apoiado por Cavaco Silva - o presidente de meia-dúzia de portugueses, conforme as sondagens o demonstram.
Há outras, mas a defesa de Macedo expressa por Clara Ferreira Alves é, para mim, surpreendente. Sei tratar-se de mulher culta, às vezes inclinada à esquerda, mas pergunto: que percebe Clara Ferreira Alves de organização de sistemas e unidades de saúde, para se pronunciar com tal convicção como advogada do desempenho de Macedo como ministro dessa área? Muito pouco, para não dizer nada. Os seus poderes de ‘tudóloga’ valem-lhe zero ou menos, nesta e em outras matérias. Pode juntar-se ao José Manuel Fernandes, seu ex-colega no ‘Expresso’.
Comprometer-se com a avaliação da personagem, no caso Paulo Macedo, é um erro de subjectividade, mil vezes repetido. O que está em causa não é avaliar Macedo, no que respeita ao comportamento pessoal de ministro, mas sim julgar o desempenho em relação ao SNS que, a meu ver, quer reduzir a pó.
Mais do que palavras, as ocorrências no Amadora-Sintra e no São José, em Lisboa, são paradigmáticas do programa em curso para destruir o SNS – no hospital lisboeta, sem qualquer cuidado médico ou assistência mínima ao fim de 6 horas, faleceu um cidadão de 83 anos de idade. Isto a acumular às 11,15, 16 horas de espera nos ‘serviços de emergência’ do Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) é, em época presumidamente festiva e mais propícia à intensidade noticiosa de dramas pelos media, o corolário lógico de como o SNS está a ser desmoronado, com falta de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde.
O percurso do SNS e dos problemas gerados por Macedo e suas equipas dariam para um extenso e nefasto relato – por que razão a vacina infantil “Prevenar”, com um custo muito próximo de 60 euros, não beneficia de qualquer comparticipação do Estado? E diz o governo que pretende combater a queda da natalidade em Portugal – 83.000 nascidos em 2013 contra 100.000 em 2012.
Contudo, melhor do que palavras, e fui profissional de gestão de unidade de saúde, é suficiente e eloquente transcrever a seguinte frase da médica anestesista, Ana Gonçalves, de 54 anos, emigrada em França:
Ler a notícia na íntegra e saber que, em 2014, houve 269 clínicos que pediram à OM os certificados que os habilitassem a emigrar é uma das fotografias que ilustram o álbum de imagens de que Paulo Macedo e o governo estão claramente apostados em desmoronar o SNS.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

D. Gertrudes: acabou-se o café e o croissant!

O homem é doente crónico. Cardíaco. No hospital público, as consultas externas têm o tempo de espera de um ano. A adensar esta demora, as ‘análises clínicas’ e ‘os exames complementares de diagnóstico’ estão sujeitos a maiores delongas, uma vez que dependem de prescrição médica.
Infeliz, o homem sofreu um acidente de ordem muscular. Recorreu aos serviços de emergência de hospital público. A jovem médica de serviço recomendou-lhe consultar um médico de reumatologia. Tempo de espera no hospital público? 10 Meses!
Trata-se de demonstrações da incapacidade real do SNS, no caso de carácter individual, mas que poderão multiplicar-se por milhares de doentes de Norte a Sul do País.
A quem não tem posses para recorrer à prestação privada de cuidados de saúde o que sucede? Uns sofrem, outros sofrem e morrem. São estes os desfechos naturais da política de saúde do ministro Paulo Macedo e dos gabinetes e equipas de amigos da reforma hospitalar.
Bancário, idolatrado pelos cortes de despesa, até por gente que se reclama de esquerda, é um governante que se distingue pelos sucessos orçamentais a todo o custo; ainda que os mesmos signifiquem o persistente desmoronamento do SNS e a falta de assistência médica a quem dela necessita.
Tecnocrata da seita do BCP, “gestor de aviário” de políticas de saúde, pretere naturalmente estas, a favor do controlo de todo o pessoal do Ministério que dirige – salvaguarde-se desde já que a cumplicidade entre laboratórios e médicos é histórica, através de ofertas e participações em congressos. Todavia, quem conheça por dentro o sistema sabe que entretanto ficou esbatida.
Com a explosão dos ‘genéricos’, nem sempre controlados devidamente pelo Infarmed, e a quebra de margens de laboratórios, a referida cumplicidade reduziu-se, efectivamente, bastante. E as medidas de Macedo de nada impedem que os médicos, ao exercer também actividade no sector privado, sejam ‘compensados’ fora do âmbito dos serviços públicos.
O que é digno de ignóbil autoritarismo – e não sei se inconstitucional – é proibir que os funcionários do Ministério da Saúde falem aos órgãos da comunicação social sem autorização prévia, segundo preceitos do novo Código de Ética. Como se trata de um código fascistóide, incorpora repugnantes deliberações, como por exemplo:
O homem, cardíaco crónico e vítima de acidente muscular, conhecedor das implicações para todos os trabalhadores do MS da nova legislação, esteve no Centro de Saúde a solicitar umas receitas da médica de família, e disse com mágoa à administrativa:
“D. Gertrudes, se nos encontrarmos na pastelaria, as ofertas de café e do croissant acabaram-se! Como mandará a Lei, vou fazê-las à Secretaria Geral do Ministério de Saúde! 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O sucesso da saúde orçamental de Paulo Macedo

Provavelmente, o 1.º governante Gaspar e o 2.º, a larga distância, Coelho, convocarão o bancário Macedo, para comemorar as economias na despesa pública de saúde dos Portugueses.
Pouco interessa se o acto é banhado a champanhe ou a laranjada; a euforia estará presente e será sonante, certamente. O feito do Macedo merece estátua ou busto; economizou o dobro do valor exigido pela ‘troika’, segundo a OCDE – em 2011, as despesas de saúde caíram 5,2%, contra uma subida de 0,7% no seio das países que integram a organização.
Entendido o contributo de gastos com o pessoal e a redução do preço dos medicamentos, é necessário tornar bem claro o que o ‘Público’ divulga sobre os gastos  pessoais dos cidadãos (‘pocket money’) em cuidados de saúde:
Significa isto que a saúde, como um serviço ou produto de luxo, se transfigurou de direito de cidadania e universal em bem acessível aos que têm posses para pagar cuidados médicos. 
A OCDE também sublinha que os números publicados não permitem medir o impacte da redução nas condições de qualidade e resultados dos serviços públicos de saúde prestados às populações. De certeza, no caso português, e pelo que assisto em farmácias, centros de saúde e serviços de urgência hospitalar, o saldo será, inevitavelmente, negativo para os milhões de portugueses pobres, novos e velhos, sem dinheiro para medicamentos, consultas de cuidados primários ou em serviços de emergência.
O País que somos, e em degeneração pela deliberada política do governo, pode reflectir-se, além do mais, em números que a PORDATA publicava esta tarde, às 16h10:
  • Óbitos (hoje): 190;
  • Nascimentos (hoje): 178
  • Saldo migratório (hoje): – 86
Daqui por uns instantes, amanhã, depois, depois e depois, os valores serão piores. É este o País que tecnocratas e um impreparado PM, sem ponta de humanidade, reservam às gerações futuras.
 

  

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Macedo terá apreciado as mensagens de Porter?

Michael Porter é há muito um dos ‘globetrotters’ da consultoria. Professor de ‘Harvard’, goza de prestígio de sabedoria, em temas de competitividade e estratégia.
Porter esteve em Portugal em diversas ocasiões. No entanto,  assume especial relevância a visita de 1994, a convite do então ministro Mira Amaral. O objectivo foi diagnosticar e prescrever um modelo de desenvolvimento estratégico para a Economia Portuguesa. Em termos práticos, e pensando que ao professor norte-americano não devem ser assacadas responsabilidades, a receita não resultou. Porque simplesmente nem tão pouco foi aplicada. Agora, a convite da Católica, voltou para falar de saúde. o ministro Macedo esteve presente.
Duas ou três ideias se podem extrair, mesmo sem grandes preocupações analíticas, das palavras de Porter:
  • O aumento dos co-pagamentos [taxas moderadoras] e a redução dos salários dos médicos e enfermeiros são o tipo de medidas que não criam valor.
  • Criar valor é pensar em todo o ciclo do doente e o pagamento tem de deixar de ser por acto mas por todo o pacote de cuidados.
  • A medição dos custos e dos resultados de todos os pacientes foi outra das propostas apresentadas.
Como autor do conceito de ‘cadeia de valor’, Porter assumiu não ser positivo para qualquer sistema de saúde desvalorizar a prestação de partes decisivas dos processos do trabalho médico-hospitalar -médicos e enfermeiros - desprezando, indirecta mas concretamente, os ‘doentes’ que formam núcleo crucial para a concepção da organização sistémica. Contudo, as ideias de Porter não são providenciais. Há que fazer a ponderação entre as suas teorias  e a estratégia social efectiva do SNS.
A despeito desta última reserva, e atendendo que os sistemas de saúde da Alemanha e Suécia foram referidos, tenho dúvidas de que Paulo Macedo tenha apreciado as mensagens de Porter.

sábado, 2 de junho de 2012

Boa notícia: A ERS defende a continuidade da MAC

MACNa amálgama de disparates do actual governo, de que a política de saúde do bancário Macedo não se exclui, é gratificante ter, de volta e meia, notícias positivas e sintomáticas de sensatez.  
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), segundo o ‘Publico’, defende que a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), como unidade hospitalar de obstetrícia, deve continuar a existir, considerando a irrelevância da localização.
Se, de facto, o local físico das instalações da MAC é irrelevante, então também poderá permanecer onde foi fundada e desde sempre se manteve. Em Londres, o Royal Mardsen e o Brompton – já o disse – lá estão em edifícios antigos nas imediações da estação de ‘South Kensington’, a funcionar com eficiência e eficácia.
Royal Mardsen (Oncologia) e o Brompton Hospital (Pneumologia) são duas unidades de saúde de referência a nível mundial. Curiosamente foi no primeiro dos citados hospitais que conheci há muitos anos o Dr. Manuel Abecassis, então a especializar-se em transplantes de medula óssea. Há dias, no IPO de Lisboa, chefiou a equipa que fez a intervenção ao Gustavo, filho do futebolista Carlos Martins.
Para azia de Isabel Vaz, do ´BES Saúde’ e de outros abutres, é de saudar a posição da ERS, salvaguardando, no entanto, ser indispensável a leitura integral deste documento para ter uma noção mais extensa e rigorosa das soluções apontadas para a rede hospitalar pública. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Paulo Macedo: a exclusividade do disparate na saúde

ambulânciaO bancário Paulo Macedo, elevado ao estatuto de ministro da saúde – ou da doença e da morte? – acaba de deliberar o fim da exclusividade de ambulâncias no transporte de doentes.
O sábio ministro, em obediência à troika, há-de ficar na história como um governante da saúde promotor da disseminação da doença, da morbilidade e até da morte. Tudo em respeito por princípios economicistas, naturalmente ignóbeis e desumanos.
Baniu, pois, a exclusividade de meios apropriados e, no que se refere a bombeiros, os únicos agentes qualificados para o transporte e socorro de doentes, incluindo a assistência a partos  – existem, pelo menos, 27 ambulâncias medicalizadas no país. Têm equipamentos tecnologicamente avançados de socorrismo; caso dos desfibrilhadores para valer a vítimas de enfarte agudo do miocárdio e assegurar a sobrevivência de doentes até chegarem aos serviços de emergência hospitalar. A preparação dos bombeiros socorristas é, em certas situações clínicas, peça essencial do processo de preservação da vida do doente.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os fins justificam os meios

Os fins justificam os meios é uma histórica proposição de Nicolau Maquiavel. Há um largo consenso em classificá-la como um princípio filosófico arrasador da ética e da moral inalienáveis nas relações inter e intra-sociedades. Sobretudo, no exercício da acção política própria da convivência democrática, cujo zelo obrigatório e íntegro pelos direitos humanos é imperativo.
Pois é, deveria ser assim, mas há muito que não é. Existem bastas provas. Notícias do tipo:  
Blair trocou terrorista de Lockerbie por acesso ao petróleo líbio para a BP
ou
Pílulas e três vacinas deixam de ser comparticipadas pelo Estado
são, infelizmente, meros casos isolados, mas concludentes, de que vivemos num mundo maquiavélico. Tão maquiavélico que, em nome de sagrados desígnios financeiros, o governo considera normal que o Ministro da Saúde, Paulo Macedo, corte as comparticipações nas vacinas de combate do cancro do colo do útero, a hepatite B ou a estirpe B do vírus da gripe.
A visão contabilista de Macedo, como lhe chamou Mário Soares, sobrepôs-se ao dever do Estado proteger os cidadãos contra graves riscos de saúde. É, de facto, maquiavélico da parte de Macedo e até do primeiro-ministro que, sendo filho de médico, se comporta como filho de carniceiro. Aconselho-o a fazer uma leitura do código de Hipócrates que, certamente, o seu progenitor lhe facultará.
Neste tipo de acções governativas, de carácter anti-social, Paulo Portas e o seu CDS assobiam para o lado. A despeito dos discursos de ordem social estridentes nos tempos eleitorais.