terça-feira, 18 de abril de 2017

As previsões do CFP ou da Dr.ª Teodora

O que é o CFP – Conselho de Finanças Públicas? A designação leva-nos a acreditar que se trata de um órgão colectivo. Todavia, ao ler e interpretar as notícias, da imprensa em geral e do ‘Jornal de Negócios’ em particular, sou conduzido á conclusão de se tratar de um organismo pessoal e intransmissível, tutelado por essa figura veterana, mas ainda assim nada respeitável, chamada Teodora Cardoso. E por culpa dela própria.
Independentemente da longa experiência profissional, que as funções no Banco de Portugal e a etiqueta do PS lhe proporcionaram, à Dr.ª Teodora é exigível que, à frente do culto da vaidade pessoal, coloque os interesses do País. Ou seja, se tiver dúvidas e reservas quanto a metas governamentais, de Passos Coelho (PPC), de António Costa (AC) ou de qualquer outro, o comportamento e a manifestação pública de pareceres, deveria pautar-se por regras prudenciais. Isto, porque a defesa do interesse nacional e da protecção do País dos abutres de ‘mercados, investidores e agências de “rating”’ constituem óbvios conselheiros para posicionar a defesa do interesse dos portugueses acima da ostentação da afirmação pessoal.
Segundo o ‘Jornal de Negócios’, a Dr.ª Teodora classifica o Governo de AC de ‘realista’ em 2017 e ‘optimista’ daí para a frente. Poderia preferir o diálogo institucional à mediatização, mas, tarde e a más horas, a idade é imperdoável. Sobretudo para uma burocrata, outrora anónima e hoje mediatizada, e comprovadamente incompetente em termos de previsões macroeconómicas.
À partida, e a tomar como base as estimativas e a consideração de ‘milagre’ do resultado do baixo défice de 2016, receio que o ‘realismo’ previsto pelo CFP para 2017 não venha a redundar em resultados negativos do desempenho governamental. E em relação aos anos seguintes, admito que, em vez de ‘optimista’, o Governo esteja a ser pessimista e a subestimar a recuperação da volátil economia global, incluindo países emergentes como México, Coreia do Sul e Brasil, sem esquecer o crescimento da China, acima do esperado, que é reconhecido internacionalmente (The New York Times).