quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tancos, imagens da degradação

Estas imagens do TVI, em algumas passagens, ilustram com clareza o estado de degradação dos arruamentos do chamado 'Polígono de Tancos', onde funcionam 5 comandos do exército.
O objectivo primeiro da TVI seria mostrar a chegada e digressão do Presidente Marcelo naquele complexo do Exército. Todavia, foram captadas imagens de extensas áreas de mato, susceptíveis de aumentar a probabilidade de incêndios, em época de altas temperaturas e junto a instalações de armazenamento de armas de alto risco de explosão.
Ora isto sucede por que razão? É uma pergunta natural de cidadão preocupado. A questão ainda se torna mais absurda, porque no citado 'polígono', está instalada a unidade de Engenharia 1, que deverá dispor de recursos humanos e materiais para limpar os matos que, devido à intensidade e altura em certos locais, mal deixam ver os edifícios que lhes estão subjacentes. 
Recorde-se que na tragédia de Pedrogão Grande, e com o natural destaque da comunicação social, compareceram destacamentos militares, justamente da Arma de Engenharia, com 'máquinas de rasto' para desmatar terrenos e conterem, assim, a propagação do fogo.
Tancos demonstra o grau de incúria e de falta de acções de manutenção dos quartéis e outras instalações do exército. As obras de conservação de edifícios, vedações e de espaços de circulação de pessoas e equipamentos, se, houvesse profissionalismo e vontade, poderiam ser asseguradas por militares de Engenharia e até de outras especialidades. Há em Tancos especialistas de telecomunicações. 
Este cenário de Tancos, que até de longe pode ser observado, não é culpa exclusiva do Ministro da Defesa. É tanta dele, como dos anteriores, como o Dr. Portas que, se calhar, nunca visitou Tancos - a poeirada é muita e suja qualquer tipo de vestuário, mesmo os fatos de Rosa & Teixeira.
A culpa, sim a culpa, germinou e ampliou-se desde há muito tempo, propagando-se até hoje e centra-se, no essencial, nas Chefias do Exército, mais do que em qualquer membro deste ou daquele governo. É preciso que a instituição Exército encontre e desenvolva, com celeridade, a estratégia de recuperação da capacidade de liderança, organização, funcionamento e disciplina nos quartéis, como locais críticos para a segurança dos cidadãos em democracia. Para que isto suceda, o Presidente não se pode confinar à emoção dos afectos.