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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Amigos, Amigos, Madeira aparte

Ao formularem o pacto governativo, Coelho e Portas, ambos admiradores de música lírica, inspiraram-se certamente na canção 'Amigos para siempre', aqui interpretada por José Carreras e Sarah Brightman:

Todavia, nem sempre a amizade é bem duradouro e sólido; em especial, quando a luta pela conquista e o reforço do poder são ferventes desígnios dos políticos. Casos de Passos Coelho e Paulo Portas que, tendo jurado solidariedade política para egirir a actual coligação governamental, se revelam incapazes de furtar-se às adversidades dos ventos insulares.
Há sempre alguém ou algo que separa parceiros. No momento, são Alberto João Jardim e os escandalosos gastos da Madeira, à custa dos dinheiros do 'Contenente', a causar mossa.
Paulo Portas ataca com ímpeto o líder e os 'laranjas' madeirenses. Do mesmo lado do mar,  Passos Coelho dispõe-se a apoiar activamente o estouvado Jardim. É uma espécie de novela 'Crime e Castigo', interpretado por dois mestres da burlesca "real politik' à portuguesa:  Amigos, Amigos, Madeira aparte!     


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Portas e os problemas

Paulo Portas, no MNE, dizem, está colocado perante um problema de 'boys and girls'. De resto, nem é problema original. Há 3 décadas, sobretudo desde Cavaco, que as embaixadas de Portugal servem de dourado abrigo a dezenas e dezenas de assessores, disto e daquilo, saídos dos gabinetes governativos; ou nem isso, basta ter o amigo certo no lugar certo. Lembram-se da Maria Elisa? Pois é, também foi assessora em Espanha e, se não estou em erro, em Londres.
Mas, a minha convicção é que se a ordem for para despachar, Portas não terá a menor dificuldade em afastar 'boys e girls'. É especialista nesse tipo de limpezas.
Outro problema de Portas, e porventura mais complexo, é o 'very old boy' Alberto João Jardim, o inveterado gastador de dinheiros públicos, agora denunciado pelo Tribunal de Contas.
Porém, pensando bem, nem sei se o problema é, de facto, de Paulo Portas que, a tempo e horas, já denunciou os desmandos financeiros do truculento líder madeirense. Com a troika por perto, afigura-se-me que quem está, de facto, "entalado" é Passos Coelho; a quem são necessárias enormes forças para lidar com o problema e, sobretudo, com o pesadíssimo companheiro Jardim.
Aguardemos...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dois idiotas úteis

Jornais de hoje dão à estampa manifestações de pensamentos de dois idiotas úteis. Considere-se, claro, o conceito actual de 'idiota útil'; de sentido mais lato, apesar de respeitar a ideia da concepção original, atribuída a Lenine
Um é Pedro Marques Lopes, esse 'tudólogo' que, de súbito, emergiu das trevas, para comentar e opinar sem limites ou restrições de temas. Umas vezes na TV, SIC Notícias em especial, outras em artigos de jornal.
Hoje, em entrevista ao Jornal "i", embora encimada pelo título "A orgânica deste governo é um disparate completo", PML recorre ao discurso laudatório para propagandear as virtudes do actual governo. Do princípio ao fim, a loquaz figura alterna entre o prosaico e a presunção do observador estatuto - "A redução da TSU vai ser compensada pelo aumento de impostos". Que tirada! Ah! Ainda não tínhamos percebido!
Vamos ao segundo. Este é um caso mais sério, porque se trata do actual Ministro da Economia (e de mais não sei o quê), Álvaro Santos Pereira. O tal que prefere ser tratado por Álvaro. O nosso Álvaro, seja assim então, em livro editado em 2007, referido pelo 'Público', considera que a "Madeira poderá tornar-se independente". Do princípio ao fim, o conteúdo da notícia leva-nos a várias citações do referido livro, em que é enaltecido a talento de Jardim para fazer "bluff" com a ameaça de independência, se não for suficientemente abastecido de fundos pelo Continente.
Se o livro foi editado em 2007, alguém no Governo, e em particular o PM, deveria conhecer as ideias e opiniões de Álvaro Santos Pereira, tendencialmente complacentes com João Jardim e  independência do arquipélago da Madeira.
Nos quase nove séculos da História de Portugal, no domínio do Continente e Ilhas Adjacentes, o único fenómeno de separatismo conseguido foi o de Olivença. O arquipélago da Madeira, onde os portugueses chegaram sob o comando de Gonçalves Zarco (Porto Santo) e Tristão Vaz Teixeira (Madeira), constitui parte do território nacional que povoámos e está submetido aos interesses da soberania nacional desde o século XV.
O Álvaro tem andado lá pelo Canadá e já está esquecido da História de Portugal. Porém, igualmente ignora a Constituição da República Portuguesa que, no Artigo 5.º, estabelece : 

Artigo 5.º
Território
1. Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.
2. A lei define a extensão e o limite das águas territoriais, a zona económica exclusiva e os direitos de Portugal aos fundos marinhos contíguos.
3. O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.

Um Álvaro destes serve para ser ministro do governo da Nação? Não! Para secretário do Alberto João? Certamente.