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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Jardim inspirado em S. Tomás de Aquino

De início, Alberto João Jardim negou com veemência a ocultação de dívidas públicas antigas, pelo governo madeirense. Agora, admite que, por causa da lei de finanças regionais de José Sócrates, terá optado por continuar grandes obras sem manifestar as despesas ao Estado central - "esconder o jogo" é a expressão do desconcertante político para os 1.133 milhões de euros não contabilizados - escudando-se com o 'princípio de legítima defesa'.
A despeito de se poder esperar tudo de Jardim, interroguei-me a mim próprio sobre a razão que teria levado o político madeirense, de um dia para o outro, da negação à confissão clara das irregularidades, afinal cometidas pelo seu governo de forma consciente e deliberada. Pensei, pensei e intuí uma razão, para mim plausível: Alberto João foi aconselhado pelo Bispo do Funchal.
Na 6.ª feira, ao final do dia, imagino eu, o político confessou a maldade a D. António Carrilho. Este ouviu-o com paciência divina, reflectiu e no final rematou": - Alberto João, meu santo filho, confessas ao povo e vais invocar o 'princípio de legítima defesa', sagrada herança moral do bendito São Tomás de Aquino .-
Alegre, saltitante e a cantarolar, Jardim deixou a diocese com a chave para solucionar o problema: a 'teoria do duplo efeito'. Inspirado por São Tomás, no fim-de-semana exultou as virtudes das obras feitas - efeito bom - com a ocultação da despesa - efeito mau.
As energias do truculento político, mais uma vez, robusteceram-se e o jardinismo continuará, menos mas ainda assim pujante para lá das eleições regionais. Graças a São Tomás de Aquino, ao senhor Bispo e a uma maioria de eleitores madeirenses; estes habituados há mais de 30 anos a viver com o reforço de dinheiros que, descoberto ou oculto, o “colonialista Contenente” vai financiando. Não são os principais culpados. Na classe política portuguesa em geral, e em especial no PSD dos actuais PR e Governo, é que se encontram os responsáveis máximos dos desmandos de Jardim. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Portas e os problemas

Paulo Portas, no MNE, dizem, está colocado perante um problema de 'boys and girls'. De resto, nem é problema original. Há 3 décadas, sobretudo desde Cavaco, que as embaixadas de Portugal servem de dourado abrigo a dezenas e dezenas de assessores, disto e daquilo, saídos dos gabinetes governativos; ou nem isso, basta ter o amigo certo no lugar certo. Lembram-se da Maria Elisa? Pois é, também foi assessora em Espanha e, se não estou em erro, em Londres.
Mas, a minha convicção é que se a ordem for para despachar, Portas não terá a menor dificuldade em afastar 'boys e girls'. É especialista nesse tipo de limpezas.
Outro problema de Portas, e porventura mais complexo, é o 'very old boy' Alberto João Jardim, o inveterado gastador de dinheiros públicos, agora denunciado pelo Tribunal de Contas.
Porém, pensando bem, nem sei se o problema é, de facto, de Paulo Portas que, a tempo e horas, já denunciou os desmandos financeiros do truculento líder madeirense. Com a troika por perto, afigura-se-me que quem está, de facto, "entalado" é Passos Coelho; a quem são necessárias enormes forças para lidar com o problema e, sobretudo, com o pesadíssimo companheiro Jardim.
Aguardemos...