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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

RTP: O Alberto é a ponta da navalha de Relvas

alberto da ponte e pires de limaAlberto da Ponte é o género de homem que, na vida empresarial e em outras, se distingue pela vaidade, pela enorme capacidade de se vender como portador de insuperáveis atributos profissionais.  Carreirista encartado, é a figura certa para fazer parelha com esse outro espécimen da política de alto descaramento, chamado Relvas.
Não surpreende, pois, as relações de amizade entre as duas distintas personalidades – sim, também há quem se distinga pela negativa – e a escolha de Alberto da Ponte para presidir à administração da RTP.
Ponte, que já navegou pela Lever, Central de Cervejas e ultimamente Heineken, transitou assim de cliente para fornecedor de ‘meios’, nomeadamente aos seus anteriores empregadores. Aqui não há mal nenhum, excepto se ex-concorrente Pires de Lima afinar e recusar a publicidade da ‘Super Bock’ na RTP. 
O risco, e embora a nomeação de Alberto da Ponte não tenha sido anunciada por Miguel Relvas, é a tal transacção que se prepara para a privatização/concessão do serviço público de Rádio e Televisão – um pormenor, como diz Relvas.
Estão a imaginar Alberto da Ponte, António Borges e Miguel Relvas a preparar e a discutir o assunto, não estão? Veremos o que sairá da escatológica conjugação do sinistro trio.
(Adenda: Não estava a entender por que razão o 'link' feito acima saía para o erro 404. Já entendo a nomeação de Alberto da Ponte para a presidência da RTP tem de ser feita em assembleia-geral, como a Lei exige. Incompetentes, não sabiam e agora vieram emendar a grosseira asneira - mais uma para o riquíssimo curriculum de Relvas e homens do seu gabinete)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os efeitos das medidas da ‘troika’ e as contradições do Borges e do Saraiva

O conselheiro Borges
António Borges, a mando de Passos Coelho e Relvas, penso, incendiou o debate público com a divulgação da hipótese de concessão da RTP1 a privados, incorporando no contrato a prestação de serviço público de TV e Rádio; em simultâneo, proceder-se-á ao encerramento da RTP2. Portas, baseando-se no programa do governo que subscreveu, ficou furibundo.
Todavia, sob a tranquilidade própria de um alentejano bem instalado na vida, Borges, na Universidade de Verão do PSD, não abordou o tema; a propósito da prossecução do programa da ‘troika’, atreveu-se a progonosticar:
 
O empresário Saraiva

 

Por sua vez, o presidente da CIP, na reunião com a ‘troika’, desancou à grande no PAEF inerente ao ‘memorando de entendimento’, argumentando:
“Apesar de todo o clima de austeridade e de Portugal ter cumprido as metas a que estava obrigado, estas não funcionaram.”
Pôs, portanto, em dúvida a eficácia do programa em causa, ao declarar que Portugal exige uma solução diferente.

Clivagens
Começam a ser indisfarçáveis as clivagens no seio da própria direita. À reacção de Paulo Portas não é estranha a decisiva influência de Pires de Lima.

sábado, 25 de agosto de 2012

RTP, RDP e o conselheiro Borges

Ao ‘lobby’ pró-Angola do governo, de que o impudente Miguel Relvas é desembaraçado membro, juntou-se o puro lusitano António Borges. O homem de Alter do Chão cavalgou a bom cavalgar na TVI, diante da sorridente “grão-de-bico”, como diz uma familiar minha - Judite de Sousa, uma ex-RTP. Os 3 m e 21 s do vídeo são elucidativos.
Temos a tradição dos conselheiros, institucionalizada por Eça  na figura do conselheiro Acácio. Como é natural neste tipo de gente, o Borges cumpriu o papel que lhe confiaram.
Pôs a montada em cima da RTP, e da RDP não esqueçamos, usando o cornetim para soprar estrépidos sons, entoando a hipótese de concessão do serviço público de TV e Rádio a privados, encerrar a RTP2, bem como a possibilidade de despedimento de mil ou mais trabalhadores pelo concessionário.
Até o CDS, partido do governo, através de João Almeida, reclamou contra a prestação pública do Borges, alegando não ser um actor original neste tipo de iniciativa, nem membro do governo.
O pessoal da RTP, este mais visivelmente do que na RDP, incluindo o Director de Informação, Nuno Santos, revelou natural perplexidade. O Conselho de Redação reunirá no início da semana. Há também polémica sobre a constitucionalidade do modelo proposto pelo Borges, uma vez que no n.º 5, do Art. 38.º da CRP, pode ler-se:
5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.
Este preceito constitucional, a meu ver, não é produto da divisão preconceituosa entre direita e esquerda; é essencialmente um princípio consensual, para defesa do interesse e da soberania nacionais. Relvas, Borges e outros já pensaram nas consequências da RTP cair, de mão beijada, nas mãos de empresários cleptocráticos angolanos? Chamem-se ‘Newshold’ ou ‘Kinaxixi Chanel’. Qual é noção de serviço público dessa gente? Ainda por cima paga pelo Estado português a 140 milhões / ano.
O governo defende-se consecutivamente com o ‘memorando da troika’ para justificar dislates da austeridade imposta aos portugueses. Pois desta vez, e consulte-se o ponto 3.3.1 – Privatizações, pg. 14, concluirá que a privatização da RTP+RDP não é exigida por FMI-CE-BCE. Como não deveria ser a da TAP, da ANA, dos Correios de Portugal, da EDP e da REN. Nem haver Borges, nem Catrogas, Mexias e outra gentalha sem princípios de solidariedade.