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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os efeitos das medidas da ‘troika’ e as contradições do Borges e do Saraiva

O conselheiro Borges
António Borges, a mando de Passos Coelho e Relvas, penso, incendiou o debate público com a divulgação da hipótese de concessão da RTP1 a privados, incorporando no contrato a prestação de serviço público de TV e Rádio; em simultâneo, proceder-se-á ao encerramento da RTP2. Portas, baseando-se no programa do governo que subscreveu, ficou furibundo.
Todavia, sob a tranquilidade própria de um alentejano bem instalado na vida, Borges, na Universidade de Verão do PSD, não abordou o tema; a propósito da prossecução do programa da ‘troika’, atreveu-se a progonosticar:
 
O empresário Saraiva

 

Por sua vez, o presidente da CIP, na reunião com a ‘troika’, desancou à grande no PAEF inerente ao ‘memorando de entendimento’, argumentando:
“Apesar de todo o clima de austeridade e de Portugal ter cumprido as metas a que estava obrigado, estas não funcionaram.”
Pôs, portanto, em dúvida a eficácia do programa em causa, ao declarar que Portugal exige uma solução diferente.

Clivagens
Começam a ser indisfarçáveis as clivagens no seio da própria direita. À reacção de Paulo Portas não é estranha a decisiva influência de Pires de Lima.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ana Drago rejeitou o convite da Universidade de Verão do PSD

O elenco de sábios professores e mestres da Universidade de Verão do PSD, hoje aberta pela Berta, é composto, de facto, de notabilíssima gente. Algumas das ilustres figuras, agora professores,  no domínio do ‘centrão’ ou fora dele, com Sócrates e outros caminhantes, acederam a lugares de grande conforto, sob a protecção de elevadas remunerações e regalias. As fábricas de carreiristas, do PSD e do PS a reabrir em Évora um dia destes, não podem paralisar a produção deste tipo de artistas.
Nos círculos próximos do presidente da JSD, o trôpego e impreparado Duarte Marques, lamenta-se a recusa de Ana Drago em participar no corpo docente da Universidade de Verão do PSD. Vendo, de novo, as imagens do vídeo publicado, talvez se perceba por que razão. A lição já ficou dada há muito, considerou Drago.
Moita de Deus, como monárquico de sólida formação política, vai contar a história, ocorrida no Século XVII em Inglaterra, da execução de Carlos I, por, entre outras decisões, ter lançado impostos arbitrários. “O melhor é pôr o poder laranja de sobreaviso”, pensou Moita de Deus.     

domingo, 4 de setembro de 2011

Quanto vai do princípio ao fim?

Do princípio ao fim, nem sempre é uma distância fácil de predizer. Depende do que pretendemos medir e, se a grandeza for de natureza imaterial e volátil como o conceito de emergência, a missão ainda mais difícil se torna. Não há ciência nem arte que valha a uma previsão rigorosa deste tipo; muito menos num País, pequeno e frágil, subordinado a poderosas forças exógenas endógenas quase invencíveis. Ainda para mais no caso da acção política ser desempenhada por agentes políticos, traidores constantes dos compromissos e intenções manifestados perante os cidadãos. Passos Coelho é um deles e já o provou à exaustão com as decisões sobre impostos em geral e a retenção de parte do subsídio de Natal que negou à jovem da Escola do Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, em tempos de campanha eleitoral.
Por tudo isto e muito mais do que se percebe das confusas comunicações de vários ministros, Álvaro Santos Pereira e Vítor Gaspar em especial, por que razão haveríamos de fazer fé nestas promessas de Pedro Passos Coelho? E é caso para lhe perguntar: "Que distância exacta vai do princípio ao fim?".
Mas atenção, ele está a falar de "princípio e fim do plano de emergência" e ficamos sem saber que raio de coisa será essa em termos de justiça social, distribuição de rendimentos, políticas de emprego, descongelamentos de salários e da criação de um ambiente macroeconómico que, de facto, permita ao tecido produtivo português e aos portugueses produzir e consumir dentro de padrões que o Século XXI está a fazer regredir. Aqui, como por esse mundo fora.
Os jovens do efémero curso - para alguns compensador a prazo - ouviram o grande líder na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide. Porventura, muitos ficaram enfeitiçados pelas palavras de Passos Coelho. Foi uma burlesca manipulação política, vendida como lição. Coitados deles e... de nós também.

sábado, 30 de julho de 2011

Dr. Soares, um trunfo do PSD

Mário Soares será convidado de luxo da reentrée do PSD, como orador da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide; isto deixa-me, de facto, muitas dúvidas sobre a motivação comportamental do veterano socialista.
Alguns podem considerar como acto próprio de senescência; mas, acima de tudo, prevalece a verdade de ser indesculpável que Mário Soares, na qualidade de fundador do PS, se preste ao papel de branqueamento da severa política ultraliberal do governo em exercício, chefiado por Pedro Passos Coelho.
Digam o que disserem Mário Soares e seu séquito de incondicionais seguidores e qualquer que seja o conteúdo da comunicação do ex-Presidente da República, a participação no evento do PSD é sórdida e será uma espécie de oferta às hostes laranjas, em bandeja de ouro, de importante trunfo de propaganda. Ainda por cima numa altura em que o PS se tenta recompor dos efeitos do "eucalipto" Sócrates e a voz da rua, em crescendo, começa a manifestar descontentamento face às duras medidas de injustiça social do actual governo.
O Dr. Soares será, creio, alvo de hipocrisia e chacota. A juventude laranja ouvi-lo-á com escondida ironia e evidente desprezo. Quem estará lá para ser ouvido com extrema atenção será Mariano Rajoy e os comissários políticos do PSD, entre os quais o catedrático Miguel Relvas. E, se aparecer o Teixeira Pinto, o elenco converter-se-á em autêntica constelação de estrelas, que diluirá facilmente, para o auditório, a participação de Mário Soares.
A vida democrática tem regras de tolerância e convivência, mas também de combate político intransigente e ditado por princípios. E o que este governo menos mereceria é que o Dr. Soares se transformasse em trunfo do PSD. Sobretudo este PSD ultraliberal e disfarçado sob a designação 'social-democrata'. Pensar deste modo não é sectarismo, mas sim ser ideológica e intelectualmente coerente.