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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O basismo de Seguro

Sem vínculo, de militante ou simpatizante, ao Partido Socialista, ou a qualquer outro, falo da luta entre Seguro e Costa com distanciamento.  Isto não é impeditivo, penso, de usar a minha liberdade de expressão a quem ofende a inteligência do cidadão comum.
Sempre considerei Seguro um balofo e um golpista simulado. Graças a hábeis truques de magia logrou fazer aprovar alterações aos estatutos do PS. O objectivo interesseiro é garantir-lhe uma liderança mais prolongada e indexada à duração da legislatura.
Por outro lado, interpreto-a como ambição do provinciano que luta desesperadamente para chegar a PM. Permitir-lhe-á ser recebido em Penamacor e em vilas e aldeias vizinhas, em actos de subserviência da gente humilde. Será uma espécie de caudilho da Beira Baixa, que desfila rodeado de um pelotão de caciques.
Que Seguro, como os ex-jotinhas do género – Passos Coelho, por exemplo –,  alimente este tipo de ambições não me causa perplexidade. Fico surpreso, isso sim, como homens com envergadura política e cultural, como Alberto Martins e Francisco Assis, se prestam à grosseira fantochada.
Seguro é um homem pobre de ideias e capacidades. Sobrevive na cultura das dúvidas, por não ter a certeza de nada. Por isto e muito mais, o método preferido do actual Secretário-Geral do PS é recorrer ao basismo que, em bom português, significa:
O homenzinho, de facto, pouco ou nada sabe de matérias inerentes à chefia da governação. Aguardemos que, aos militantes do PS, seja questionado: “Concordam que eu, em minoria, devo estabelecer um governo de coligação com Passos Coelho?”. “SIM”, gritarão as bases. “A TAP deve ser privatizada?”. “SIM”, responderão as bases.
Corremos o risco de ser governados segundo este modo folclórico, pelas gentes de Alpedrinha, Soalheira, Almeida, Ponte de Lima, Sertã, Golegã, Cartaxo e sei lá… Ferreira do Alentejo? Aí não, c’os alentejanos d’um cabrão ficam aporrinhados!
Mesmo quando não questiona as bases, comete asneiras e das grossas. Um exemplo: a aprovação do ‘Tratado Orçamental’ da Sr.ª Merkel e do Sr. Draghi.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dissonâncias

Passos Coelho e Paulo Portas divergem quanto a Fernando Nobre
À saída de Belém, em desacordo com a escolha de Fernando Nobre para presidente da AR, Paulo Portas declarou que essa questão ficou excluída do acordo estabelecido entre PSD e CDS, com vista à constituição e programa do próximo governo constitucional.
Também à saída de Belém, o indigitado primeiro-ministro, Passos de Coelho, afirmou e continua a insistir no nome de Fernando Nobre para a referida presidência, sabendo embora que, no plenário parlamentar, esse resultado é difícil de atingir, dada a divergência com o CDS
Há aqui uma clara dissonância entre os dois líderes. Como argumentei neste 'post',  é difícil de aceitar que, em tempo de profunda crise, haja uma divergência acerca de Fernando Nobre. O País, no que respeita à escolha da 2ª figura do Estado, fica suspenso do desfecho da desarmonia à volta de um cidadão que, desde o Sri Lanka, se rebelou contra o eventual incumprimento de uma inaceitável promessa de Passos Coelho; inaceitável porque permite inferir que, em vez de escolher o mais habilitado para o cargo, o líder do PSD agiu segundo o repetido vício de arranjar um cargo para alguém que, pelo curriculum e outras coisas, não se afigura capaz de o desempenhar com conhecimentos, eficiência e eficácia.
Vamos aguardar o desfecho desta dissonância.

Lello contradiz Assis 
Tendo ainda o Palácio de Belém como cenário, Francisco Assis garantiu que o PS não recorrerá para o Tribunal Constitucional com a impugnação da votação no Rio de Janeiro. José Lello, segundo notícia difundida pela 'SIC Notícias', no jornal das 12h00, em atitude de redivivo, contrariou Assis, assegurando que o PS recorrerá de certo para o Tribunal Constitucional.
Esta outra dissonância, que coloca em dúvida a tomada de posse do governo em tempo útil, será interpretada por grande parte dos portugueses como prejudicial ao interesse nacional e, sobretudo, à credibilidade externa do País, já tão afectada. E o PS, subscritor de um compromisso com a 'troika' de que discordo, já está demasiado fragilizado e aquilo de que menos necessita é de episódios que o desacreditem.
Lello, como diria Vicente Jorge Silva, faz parte de uma tralha que os socialistas deveriam expurgar. Se antes do último congresso já era urgente encontrar um líder alternativo a José Sócrates, agora ainda é mais premente recolocar o PS no lugar de partido alternativo de poder e co-regenerador da esquerda portuguesa.

Conclusão
De dissonância em dissonância, cá vai este País dissonando. Resultado, a meu ver, da falta de qualidade dos políticos que temos e cujos desempenhos, diga-se, afinam pelos paradigmas hoje prevalecentes nesta Europa envelhecida e trôpega.