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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nobre(s) fora, zero!


Tanta polémica porquê? Trata-se da histórica e simples operação aritmética da prova dos nove, neste caso do(s) Nobre(s). Com ele, eram 230 deputados. Sem ele, porque substituído, o número de parlamentares continua idêntico e, aplicando a citada prova, continuaremos a obter o resultado de 5 = 2+3+0. Nobre(s) fora zero e permanece tudo igual - como dantes quartel em Abrantes.
Também se cumpriu o propósito de renúncia ao mandato anunciado ao 'Expresso', desde o Sri Lanka. Afinal o que disse ao semanário foi o que realmente pensava e não houve problemas de comunicação, poeiras, efeitos da monção ou de outros fenómenos. Fernando Nobre, sempre putativo e contraditório, neste caso foi claro. Enxovalharam-no, não o elegeram para o cargo de 2.ª figura do Estado e levou a dele por diante. Demitiu-se. Que lhe sirva de exemplo, Sr. Primeiro-Ministro!  
No final das contas, pensou ele, o melhor mesmo é fazer a vida na AMI, a tal fundação que proporciona o que este organograma e este relatório (pg. 77 e seguintes) possam significar.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ah! O Viegas foi penhorado!

À volta deste governo, em pouco tempo, começam a gravitar polémicas atrás de polémicas sobre pessoas.
Primeiro, foi a asneira do convite, por Passos Coelho, de Fernando Nobre para presidir à AR. Teve o desfecho sabido. Depois, tão depressa quanto chegou, foi Bernardo Bairrão a ser vetado para Secretário de Estado da Administração Interna - ainda deu tempo para o homem se despedir da TVI e pouco mais. Agora é a vez de Francisco José Viegas ser alvo de penhora pelas Finanças de Cascais, devido a uma dívida fiscal de 41.863 euros, segundo o jornal "i". O título da notícia diz: "O Fisco penhorou Secretário de Estado da Cultura". O  homem, pelos vistos, foi penhorado.
Este tipo de notícias de gente socialmente notável e da política faz-me sempre lembrar a intemporal frase de Eça de Queiroz em 'Os Maias': "Isto não é um país, é um local sujo e mal frequentado". Será que Eça continua certo? 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Presidência da AR e 'A Bela e O Monstro'






Os deputados portugueses, em larga maioria, revelaram notável bom senso, ao eleger Assunção Esteves para presidir à Assembleia da República. Pela primeira vez em Portugal, é atribuída a uma mulher a presidência do parlamento. É um facto histórico.
A despeito do meu distanciamento do PSD, ou até por causa disso, não me dispenso de realçar que não estamos perante uma mulher qualquer. Assunção Esteves, superando a maioria de gente dos dois géneros, possui uma incomum dimensão intelectual e cultural.
Mulher de saberes múltiplos,  culta e de pensamento democrático funciona de mente aberta. Tem a capacidade de reflectir e debater sem preconceitos e sectarismos diante de quem se pactue por ideias, convicções e visões diferentes. Do que mais relevante faz movimentar o mundo e a sociedade. A credibilidade e a certeza do respeito pela pluralidade valeram-lhe as felicitações e elogios de todas as bancadas. Com fortes aplausos multi-coloridos.
Ao comparar o que hoje se passou no parlamento com os tristes episódios de ontem, à volta de Fernando Nobre, fui impelido para, a título de metáfora, citar o conto infantil de 'A Bela e o Monstro'. Uma vez que Pedro Passos Coelho ainda está na infância da carreira de primeiro-ministro, será recomendável que extraia conclusões de como, por sua responsabilidade, a eleição da presidência da AR começou e findou. E que o sucedido seja lição exemplar, a fim de evitar outras histórias que não honram um político.
Parabéns a Assunção Esteves! Creio que as minhas expectativas não serão defraudadas.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Passos Coelho e Nobre, dois derrotados

À segunda tentaviva, Fernando Nobre falhou a eleição para Presidente da Assembleia da República (recebeu apenas 105 votos, contra os 106 da primeira votação).
Do desfecho eleitoral desta tarde, Passos Coelho e Nobre saiem derrotados; é sobretudo frustrante para o líder do PSD que teimou para além do tolerável, sem qualquer justificação. António Capucho, ex-presidente da Câmara Municipal de Cascais e ainda Conselheiro do Estado, aconselhou publicamente que Coelho deixasse cair a aposta no homem do AMI. E Capucho sabe de quem fala.
Às vicissitudes menos felizes da nossa democracia, acrescenta-se este capítulo obscuro e algo ignominioso. Bastaria que Fernando Nobre tivesse a dignidade de desistir, quando foi vencido à 1.ª vez. Mas não. Necessitou de uma segunda e rotunda derrota, para retirar a candidatura dizer-se disponível para o exercício do cargo de deputado.
Fernando Nobre é um homem invertebrado, moldável aos interesses de que se alimenta.. Tenho esta opinião há muito tempo; razão por que não me canso de repetir desde Janeiro deste ano o que penso e sei acerca da putativa figura do médico; nomeadamente o que sintetizei neste 'post'.
Pena é que, em plena campanha eleitoral, a comunicação social não tenha esclarecido quem é Fernando Nobre e o que é a AMI; uma fundação, diga-se, que sob a tutela do clã 'Nobre' vive de dinheiros públicos, da Segurança Social a câmaras municipais. Para bem da ética e da reabilitação dos políticos aos olhos dos portugueses, investigue-se. Em vez das amizades e simpatias pessoais, há que cuidar seriamente do interesse nacional.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dissonâncias

Passos Coelho e Paulo Portas divergem quanto a Fernando Nobre
À saída de Belém, em desacordo com a escolha de Fernando Nobre para presidente da AR, Paulo Portas declarou que essa questão ficou excluída do acordo estabelecido entre PSD e CDS, com vista à constituição e programa do próximo governo constitucional.
Também à saída de Belém, o indigitado primeiro-ministroPassos de Coelho, afirmou e continua a insistir no nome de Fernando Nobre para a referida presidência, sabendo embora que, no plenário parlamentar, esse resultado é difícil de atingir, dada a divergência com o CDS
Há aqui uma clara dissonância entre os dois líderes. Como argumentei neste 'post',  é difícil de aceitar que, em tempo de profunda crise, haja uma divergência acerca de Fernando Nobre. O País, no que respeita à escolha da 2ª figura do Estado, fica suspenso do desfecho da desarmonia à volta de um cidadão que, desde o Sri Lanka, se rebelou contra o eventual incumprimento de uma inaceitável promessa de Passos Coelho; inaceitável porque permite inferir que, em vez de escolher o mais habilitado para o cargo, o líder do PSD agiu segundo o repetido vício de arranjar um cargo para alguém que, pelo curriculum e outras coisas, não se afigura capaz de o desempenhar com conhecimentos, eficiência e eficácia.
Vamos aguardar o desfecho desta dissonância.

Lello contradiz Assis 
Tendo ainda o Palácio de Belém como cenário, Francisco Assis garantiu que o PS não recorrerá para o Tribunal Constitucional com a impugnação da votação no Rio de Janeiro. José Lello, segundo notícia difundida pela 'SIC Notícias', no jornal das 12h00, em atitude de redivivo, contrariou Assis, assegurando que o PS recorrerá de certo para o Tribunal Constitucional.
Esta outra dissonância, que coloca em dúvida a tomada de posse do governo em tempo útil, será interpretada por grande parte dos portugueses como prejudicial ao interesse nacional e, sobretudo, à credibilidade externa do País, já tão afectada. E o PS, subscritor de um compromisso com a 'troika' de que discordo, já está demasiado fragilizado e aquilo de que menos necessita é de episódios que o desacreditem.
Lello, como diria Vicente Jorge Silva, faz parte de uma tralha que os socialistas deveriam expurgar. Se antes do último congresso já era urgente encontrar um líder alternativo a José Sócrates, agora ainda é mais premente recolocar o PS no lugar de partido alternativo de poder e co-regenerador da esquerda portuguesa.

Conclusão
De dissonância em dissonância, cá vai este País dissonando. Resultado, a meu ver, da falta de qualidade dos políticos que temos e cujos desempenhos, diga-se, afinam pelos paradigmas hoje prevalecentes nesta Europa envelhecida e trôpega. 




segunda-feira, 13 de junho de 2011

NOVO GOVERNO: Há Fumo Branco e... Nobre

Há notícias a garantir 'fumo branco' para Cavaco Silva indigitar Passos Coelho, como primeiro- ministro do XVIII Governo Constitucional. No texto, todavia, é revelado um obstáculo: Fernando Nobre. Portas recusa a atribuição da presidência da AR ao putativo médico.
Outras notícias, o Jornal de Negócios por exemplo, admitem que o líder do PSD poderá convidar Fernando Nobre para Ministro dos Assuntos Sociais.
Estranho País este, em que a organização política do Estado e desde logo a vida colectiva dependem de discussões à volta de uma personalidade turva,  de um Nobre destes; cujos princípios de coerência,  bom senso e respeito pela ética questionei aqui, em 25 de Janeiro de 2011, muito antes, portanto, do convite de PPC. E, de resto, voltei a referir  aqui, a propósito da irratibilidade de Nobre, no Sri Lanka, ao saber que, afinal, poderia ver-lhe recusado o cargo de presidente da AR, prometido por Coelho.
Ao estranho País, acrescento: pobre País o nosso, prisioneiro de carreirismos e de egoísmos desta horda de irresponsáveis, incapazes de sobrepor o interesse nacional  às ambições e projecções pessoais que os catapultam para a boa vida. Mesmo quando os juros da dívida pública sobem continuada e acentuadamente e  num cenário internacional de sérias ameaças, como esta que Nouriel Roubini admite como provável.