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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dívidas ocultas e o segredo de Estado

Cavaco e Jardim olham para o horizonte do défice

Informações do 'Público' asseguram que o Presidente da República, Cavaco Silva, e a Procuradoria-geral da República (PGR), no final de Julho, eram conhecedores das dívidas ocultas da Madeira.
Com os homens do poder laranja, no Continente como nas Ilhas, o PR usa uma larga bitola de complacência e discrição; em contraste, por exemplo, com o duro discurso que fez na tomada de posse, na AR, em Março deste ano. Não se eximiu de pedir um sobressalto cívico dos portugueses, acenando à juventude então revoltada. Usou um estilo inabitual no perfil de tecnocrata circunspecto e de sorrisos geométricos.
No caso das 'dívidas ocultas' pelo governo de Alberto João Jardim, Cavaco Silva opta por ser tolerante. Trata do caso como fosse "segredo de Estado", classificação que, de todo, não é aplicável às dívidas madeirenses. Trata-se de dívida pública, integrada nas contas públicas nacionais e, assim, o que é público é público, não se abrigando sob o conceito de segredo de Estado. Até porque, cedo ou tarde, os portugueses viriam a saber a verdade.
A gravidade do caso justifica que, esta tarde, Presidente e Primeiro-Ministro tomem uma atitude de firme condenação pública de Jardim, promovendo a aplicação da lei no arquipélago da Madeira; em coerência, de resto, com a reclamação de punição judicial defendida em jantares de campanha eleitoral por Pedro Passos Coelho.  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

NOVO GOVERNO: Há Fumo Branco e... Nobre

Há notícias a garantir 'fumo branco' para Cavaco Silva indigitar Passos Coelho, como primeiro- ministro do XVIII Governo Constitucional. No texto, todavia, é revelado um obstáculo: Fernando Nobre. Portas recusa a atribuição da presidência da AR ao putativo médico.
Outras notícias, o Jornal de Negócios por exemplo, admitem que o líder do PSD poderá convidar Fernando Nobre para Ministro dos Assuntos Sociais.
Estranho País este, em que a organização política do Estado e desde logo a vida colectiva dependem de discussões à volta de uma personalidade turva,  de um Nobre destes; cujos princípios de coerência,  bom senso e respeito pela ética questionei aqui, em 25 de Janeiro de 2011, muito antes, portanto, do convite de PPC. E, de resto, voltei a referir  aqui, a propósito da irratibilidade de Nobre, no Sri Lanka, ao saber que, afinal, poderia ver-lhe recusado o cargo de presidente da AR, prometido por Coelho.
Ao estranho País, acrescento: pobre País o nosso, prisioneiro de carreirismos e de egoísmos desta horda de irresponsáveis, incapazes de sobrepor o interesse nacional  às ambições e projecções pessoais que os catapultam para a boa vida. Mesmo quando os juros da dívida pública sobem continuada e acentuadamente e  num cenário internacional de sérias ameaças, como esta que Nouriel Roubini admite como provável.