segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dívidas ocultas e o segredo de Estado

Cavaco e Jardim olham para o horizonte do défice

Informações do 'Público' asseguram que o Presidente da República, Cavaco Silva, e a Procuradoria-geral da República (PGR), no final de Julho, eram conhecedores das dívidas ocultas da Madeira.
Com os homens do poder laranja, no Continente como nas Ilhas, o PR usa uma larga bitola de complacência e discrição; em contraste, por exemplo, com o duro discurso que fez na tomada de posse, na AR, em Março deste ano. Não se eximiu de pedir um sobressalto cívico dos portugueses, acenando à juventude então revoltada. Usou um estilo inabitual no perfil de tecnocrata circunspecto e de sorrisos geométricos.
No caso das 'dívidas ocultas' pelo governo de Alberto João Jardim, Cavaco Silva opta por ser tolerante. Trata do caso como fosse "segredo de Estado", classificação que, de todo, não é aplicável às dívidas madeirenses. Trata-se de dívida pública, integrada nas contas públicas nacionais e, assim, o que é público é público, não se abrigando sob o conceito de segredo de Estado. Até porque, cedo ou tarde, os portugueses viriam a saber a verdade.
A gravidade do caso justifica que, esta tarde, Presidente e Primeiro-Ministro tomem uma atitude de firme condenação pública de Jardim, promovendo a aplicação da lei no arquipélago da Madeira; em coerência, de resto, com a reclamação de punição judicial defendida em jantares de campanha eleitoral por Pedro Passos Coelho.