terça-feira, 20 de setembro de 2011

MEC: o desassossego dos professores

Confesso que fiquei surpreendido com a satisfação das estruturas sindicais dos professores, em reacção aos resultados da reunião com o ministro Nuno Crato, em 9 de Setembro.
A FNE, mais suave, deixou bem expresso esse contentamento através da assinatura do acordo, exultado no seu 'site'. Do lado da FENPROF, lembro-me de ver e ouvir Mário Nogueira, ao arrepio do habitual estilo contestário, mostrar-se passivo e até conivente com o desenlace das conversações. É certo que rejeitou subscrever o acordo, mas é igualmente verdade que presenteou o MEC com complacente assinatura da acta.
Passada cerca de uma dezena de dias, eis que, sem minha surpresa neste caso, vêem a público notícias de milhares de professores sem lugares nas escolas por mudança de regras a meio do concurso. A hipótese de contratos mensais, entretanto negada em 16 de Setembro pelo ministério de Nuno Crato, volta a ser a realidade punitiva para milhares de professores, desapossados, assim, da segurança de ter emprego. Em especial, os mais qualificados que se viram preteridos.
A FENPROF, ao arrepio da benevolência demonstrada antes por Mário Nogueira, já começou a agitar-se e a reclamar que "tamanha incompetência na colocação dos professores é coisa raramente vista!".
Sempre achei que Maria de Lurdes Rodrigues, a funesta ministra de Sócrates, nunca esteve à altura do cargo e, ainda para mais, obstinou em perpetuar o confronto, em vez do diálogo com os professores. À imagem e semelhança do seu chefe de governo.
Todavia, o actual ministro, de figura afável, é também um obstáculo de monta para os professores a depender de colocação. Executa a sórdida obra de sorriso nos lábios, com frieza e determinação matemáticas. Os 'soutoures' têm motivos para continuar preocupados e mais desassossegados.