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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Portas da demagogia

Das poucas vezes que tenho um átomo de paciência para ouvir ou ler o que Paulo Portas diz, de forma intuitiva e à laia de metáfora, vem-me à memória a seguinte estrofe de 'Serafim Saudade' de Herman José:
Serafim, Serafim Saudade
Aqui estou e, na verdade, sei que sou o que sonhei
Serafim, Serafim, sou eu
Trago comigo o que é meu
Este nome que criei
Creio que, se substituirmos Serafim por Paulo ou Portas, os versos retratam com cristalina pureza a personalidade do supremo líder dos CDS-PP e actual Ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros. De facto, Portas pode regozijar-se de 'saber que é o que sonhou, trazer consigo o que é dele, aquele nome que criou'. E o nome é… demagogo!
Agora, perante o arremesso de descontentamento do seu grupo parlamentar sobre a política fiscal do governo, Portas desculpou-se com os compromissos fiscais do memorando da 'troika'.
Portas não foi preciso nas afirmações. Usou a demagogia, em que é especialista imbatível. Arranjou justificação para o imposto extraordinário, a maior tributação dos rendimentos dos últimos dois escalões do IRS e o agravamento do IRC para empresas de lucros mais elevados. Qualquer destas medidas não consta do memorando da 'troika'.
Por sua vez, referiu-se ao aumento do IVA sobre a electricidade que o governo deliberou mandar aplicar a partir de 1 de Outubro deste ano, embora, no ponto 1.24, alínea iv), na página 5 do 'memorando da troika', tivesse estabelecido que esse agravamento seria para aplicar em 2012. Houve, pois, uma antecipação de 3 meses, por opção do governo que Portas integra.
Por último, e no que toca a queixas quanto à falta de corte na despesa pública, assegurou que o governo se prepara para fazer um corte sem precedentes na "despesa de funcionamento do Estado". Omitiu que alguns dos cortes de despesa já foram anunciados. Por exemplo, na área da saúde e na redução de pensões de reforma acima de 1.500 euros mensais; o importante não é apenas que estas medidas excedam ou sejam alinhadas pelos limites impostos pela troika. Relevante, sim, é dizer a verdade: reduzir pensões não é cortar nas despesas de funcionamento do Estado.
Abriram-se, pois, as 'portas da demagogia'; e os deputados do CDS-PP, como gente servil e obediente que é, não tugiram, nem mugiram. O CDS-PP é Portas e os restantes são meninos do coro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Coelho: passos de trapaceiro

O discurso da trapaça
  
O anterior era o que se sabe. Já expiou no espaço político interno; interno sim!, porque internacional e socialmente, a projecção a que se guindou é prémio duradouro. Talvez nunca sonhado nos tempos de fiscal de obras camarário.
Partiu Sócrates, chegou Coelho. E os portugueses bem podem queixar-se da fatalidade da permanente sujeição a trapaceiros. Quem quiser visionar e ouvir o vídeo acima reproduzido, verá - sem surpresa, creio eu - como é hábil o Coelho a dar passos de trapaceiro.
Nas campanhas eleitorais do PSD e do País, o discurso mais comum centrou-se na recusa de aumentar impostos, elegendo o corte de despesas como a via providencial para o saneamento das contas públicas - o corte das "gorduras do Estado", como dizia o rubicundo Catroga.
Ontem, pela voz do Ministro de Estado e das Finanças, outro troca-tintas, o tão prometido anúncio de corte brutal de despesas - o Álvaro chegou a dizer que desde 1950 não se via coisa igual - converteu-se predominantemente em anúncio de aumento de receitas, através de agravamento de impostos. Esperemos para conhecer o resultado da reestruturação das taxas do IVA, a fim de avaliar o real impacte de mais essa investida contra as difíceis condições de vida do cidadão comum - a somar ao desemprego, a salários e pensões congelados até 2015 e por aí fora.
Entretanto, cá dentro o Gaspar fez uma digressão por hermético e tecnocrático discurso; lá fora o caixeiro viajante Coelho realiza um périplo por Madrid, Paris e Berlim. Foi dar contas ao comando político europeu dos castigos que nos está a infligir e, ao mesmo tempo, tentar vender umas empresazitas a privatizar. Sim, porque no vender é que está o ganho. E Coelho, Portas e Braga de Macedo, todos não são demais para promover negócios ou aquilo a que pomposamente chamam 'diplomacia económica'.


  

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Onde está a doida?


A Bolsa de Lisboa afundou. Madrid e Milão também não tiveram melhor sorte. Entretanto, o ministro Vítor Gaspar vai explicar ao País como será cobrado o imposto extraordinário. O problema de milhares de cidadãos é saber como vão pagar, mas que se desenrasquem. Isso é problema deles e o governo, patrioticamente, tem de preocupar-se apenas com a cobrança; e já basta!
Outro fenómeno intrigante é o ampliar da crise financeira. Agora, no descalabro ameaçador, já não adianta considerar a Grécia a única "a doida". Andam por aí à solta muitos 'mercados e investidores' loucos e sem vergonha. À semelhança da doida da canção, estão a dar o p.... mestre nisto tudo, mas aqueles que deveriam contrariá-los são incapazes de imobilizar tais psicopatas e isolá-los em auspícios.
Seremos nós a ir para o manicómio? É o mais certo, porque o p.... é uma bomba de alta flatulência e paralisante.