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sábado, 22 de fevereiro de 2014

O zelo do Branco na conservação do pardo

A compra dos submarinos e dos Pandur já fez correr muita tinta. Ocorreu no tempo em que Paulo Portas desempenhava o cargo de Ministro da Defesa e, lembre-se, como governante fino e esbanjador do dinheiro do Estado igual a muitos outros, escolheu o ‘Forte de São Julião da Barra’ para residência oficial – desse tempo, governo de Barroso, nem sequer dissecamos o caso ‘Portucale’; centenas de sobreiros foram abatidos pelo grupo Espírito Santo, mediante autorização governamental. E não existe o testemunho de uma simples bolota ou de pedaço de cortiça quanto mais as palavras de quem ordenou ou executou o corte.
Sabe-se no que respeita aos submarinos que, na Alemanha, ex-quadros da Ferrostaal foram condenados pelo pagamento de “luvas” de 62 milhões de euros a Portugal e Grécia para garantir as encomendas. Quem recebeu? Curiosidade sórdida a nossa!
De facto, o PS de Seguro, seria exigível, deveria ter levado há mais tempo à AR o negócio de submarinos e Pandur, feitos no tempo de Barroso e Portas. Todavia, manteve-se em silêncio prolongado que, agora, em pleno congresso do PSD – Partido Social-Democrata? – resolveu interromper.
O Branco, a quem decidi cortar o Aguiar e hífen, acto muito menos grave do que o governo cortar reformas, pensões e salários, ficou muito enervado, a ponto de se ter valido de um ‘Prozac’ que as estruturas do partido disponibilizam para ataques de agudo nervosismo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Corrupção em Portugal? Ah! Que surpresa!

Sem ambiguidades, o jornal ‘Público’ anuncia em título:
Bruxelas diz que Portugal não tem estratégia contra a corrupção
O texto da notícia é composto de diversos detalhes, de que se destacam:
  1.  corrupção custa 120 mil milhões de euros à EU;
  2.  a Comissão Europeia (CE) diz que Portugal não tem estratégia contra a corrupção;
  3. Portugal tem de preparar os tribunais, o Ministério Público e “as autoridades coercivas” para lidar com o caso;
  4.  devem ser tomadas medias preventivas contra as práticas de financiamento dos partidos.
Bom, a minha perplexidade é enorme. Não pela descoberta sórdida e tardia da CE, mas pela desajeitada habilidade de, apenas agora, quererem convencer que se torna oportuno Portugal combater a corrupção. O prolongado silêncio da CE sobre a matéria é fonte de muitas interrogações.
Que pensar do célebre caso do BPN como mar imenso onde navegou parte da nata cavaquista? Dos robalos do Vara? Da parte restante do processo ‘Face Oculta’? Do ingresso de governantes em poderosas sociedades que os primeiros, enquanto ministros, privilegiaram com adjudicações? Da compra dos submarinos pelo actual vice-PM, Paulo Portas, então às ordens do PM da época e presidente da CE desde 2004, José Manuel Durão Barroso? A prejudicial aquisição para o Estado dos Pandur pelo mesmo Paulo Portas? A traficância da ‘Portucale’ por figuras gradas do CDS-PP, com a participação do Grupo Espírito Santo (GES)? As intervenções da ESCOM, empresa igualmente integrada no BES, em parte de algumas negociatas espúrias enunciadas?
Tudo isto foi objecto de intensa divulgação pela comunicação social e para certos processos foram mesmo realizados inquéritos parlamentares.
José Manuel Durão Barroso, no caso dos submarinos e em outros de que eventualmente também conhecerá pormenores melhor do que o cidadão comum, nunca tomou a iniciativa de sensibilizar, durante 10 anos, a Comissão Europeia para a gravidade da corrupção em Portugal. Calou-se por que razão? Convinha que a CE somente agora se fixasse na corrupção?
É, pois, estranho, muito estranho que a CE venha só no presente manifestar-se sobre a corrupção em Portugal – o ‘dossier’ Foral e Tecnoforma do duo Relvas e Passos é outro que igualmente Bruxelas deixou passar em claro, embora envolvesse fundos europeus.
A CE incentiva tribunais, Ministério Público e umas tais ‘autoridades coercivas’ a actuar. Bruxelas precisa de saber – ou até sabe, mas vale-se de falsa ingenuidade – que a maioria dos actos de corrupção provém da esfera de políticos do ‘arco do poder’, antes de serem passíveis de processos judiciais. O método dilatório de presumidos casos de ‘colarinho branco’ resulta fundamentalmente dos instrumentos e expedientes legais que os políticos criaram e que, outra surpresa agora sim dos tribunais, servem também para converter em 2 uma pena inicial de 7 anos aplicada a uma conhecida figura pública detida na Prisão da Carregueira.
Em fim de mandato do José Manuel, esta CE deixa, de facto, em estado de estupefacção quem vive e está atento ao que sucede agora e há anos neste despedaçado País.