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terça-feira, 11 de março de 2014

A reestruturação da dívida assusta Passos e Maduro

Passos inaugurou a nova sede da PJ e ficou perturbado com a notícia do manifesto dos ’70 notáveis’. Medo, muito medo de solicitar medidas de ‘reestruturação da dívida do País’. São ousadas e favoráveis aos interesses nacionais; mas, ele é obediente a Merkel e medroso. Tem pouca capacidade para pensar e decidir por si próprio.
Maduro, que sabe tanto de ‘finanças públicas’ como eu de ‘direito administrativo’, também ficou amedrontado.
Balsemão foi a excepção. Considerou que a reestruturação da dívida é um “acto de boa gestão”, valorizando a sensatez de subscritores como Manuela Ferreira Leite e o Prof. Adriano Moreira. Deu até o exemplo de já ter negociado a reestruturação de dívida por diversas ocasiões.
Passos, um imaturo petulante, e Maduro, um verde palrante, ficaram deveras transtornados. Ignoram, por exemplo, que deveriam incentivar à criação de um grupo de países, um ‘lobby’, no sentido de que o BCE passe ter por função ‘a estabilização do sistema financeiro’ e não se limitar à função de ‘estabilização de preços’.
Omitem o exemplo alemão que é citado no documento, mas igualmente não lhes convém invocar a reestruturação da dívida grega, nem a ambição da Comissão Europeia, de José Manuel Barroso em especial, para captar a Ucrânia para o universo da UE28, com uma pesada dívida pública a reestruturar.
Uma coisa é certa: pelo caminho do aumento incessante da dívida e dos juros anuais a pagar, não vamos lá de certeza. Mesmo que ou porque é Cavaco que acredita que devemos ir por aí.   
O tempo encarregar-se-á de demonstrar quem está certo e não necessários demasiados meses para que se desmistifique a posição do serventuário da Dona Merkel, Passos Coelho.

(Uma última nota: Já em Out-2012, no ‘The Economist’, que tem um posicionamento de direita, se lia: “Sem avançar para uma reestruturação da dívida, Portugal não vai conseguir ser solvente”).

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O par ideal para a RTP

Fonte: 'Público'

O enlevo da imagem é prova cumplicidade entre Murdoch e Recekah, como o 'Público' salienta. Mostraram sempre grande cumplicidade, insiste o jornal. Para mim, e muitos, muitos mais, seobretudo os lesados, mostraram, sim, que houve falta de escrúpulos de tal ordem que o jornal 'The News of the World', tablóide centenário, foi forçado a encerrar.
Todavia, a expressão embevecida dos dois leva-me a imaginar que se trataria do par ideal para gerir a RTP, que o governo pretende privatizar - Paulo Portas, afinal, renegou na defesa da TV pública. É sempre um homem de palavra.
O par Rebekah e Murdoch, à frente da RTP, teria, de facto, todas as condições para ser um sucesso. Ainda por cima, neste pequeno País que há anos vem vivendo de telenovelas, escândalos e romances infindiváveis de justiça que (não) contam a história de gente socialmente famosa; seja, da política, do futebol, ou das vidinhas que foram construindo. Haveria tanta coisa para Rebekah e Murdoch espiar e escutar, que não existe par que os supere como potenciais investidores na televisão pública. É minha convicção.
Francisco Balsemão e Miguel Paes do Amaral é que não ficariam lá muito satisfeitos. Eles gostam muito da 'teoria dos mercados', mas desde que não sejam atingidos nos interesses que lhes servem.  

sábado, 2 de julho de 2011

Gozemos o 'summertime'!

Ella Fitzgerald - Summertime

Uma pausa em relatos anódinos da política e em mexeriquices é sempre saudável.
Quero lá saber  que Mário Soares diga agora que Cavaco poderia ter evitado a crise. O que é que isso vem acrescentar às nossas vidas?
Francisco Assis afirma agora que Sócrates deveria ter-se demitido um ano antes. Não o fez, portanto o presente e o futuro dos portugueses é o que é mas também será o que será, porque o tempo não volta para trás.
Manuela Moura Guedes já não vai para a SIC. Balsemão não consentiu. Que influência tem isto para a vida do cidadão comum? Nenhuma! Olhe, reconcilie-se com o Bairrão, e vão os dois distribuir os 'curricula vitae'. Sempre evitam a solidão, de tão árdua tarefa de "infelizes".
MAS PORQUE NADA DISTO É, DE FACTO, IMPORTANTE E ESTAMOS NO VERÃO, VENHA DE LÁ O "SUMMERTIME" INTERPRETADO POR ESSA DIVA DA MÚSICA NORTE-AMERICANA: ELLA FITZGERALD!

domingo, 12 de junho de 2011

A propósito da privatização da RTP

Tem sido divulgado que o CDS rejeita a privatização da RTP proposta pelo PSD. O desacordo suscitou desde logo grande inquietação nas hostes 'laranja'; e ainda em meios que lhe são afectos, como é o caso do 31 da Armada, neste caso pela escrita de Nuno Gouveia.
Diz ele que a RTP, em mãos privadas, contribuiria para uma comunicação social mais livre, mais isenta e mais independente, acrescentando, depois, que também serviria para aliviar de pesos do Orçamento Geral do Estado.
Estão, pois, aqui misturadas duas questões de natureza diferente: i) a liberdade e a isenção da comunicação social; ii) a relação da RTP com as finanças públicas.
Quanto à primeira questão (liberdade, isenção e independência), e tomando como exemplo a última campanha eleitoral, a SIC, privilegiando o PSD, deu uma imagem perfeita de falta de imparcialidade - a estruturação e sequência do jornal das 20h foi sistematicamente preparada para até o intervalo exibir reportagens e imagens, muitas vezes desfavoráveis, dos outros partidos e a reabertura do noticiário dava-se com imagens de nítida propaganda e apologia do PSD de Passos Coelho. A TVI, pela voz tendenciosa do Prof. Marcelo, não lhe ficou atrás.
Vamos agora aos números e ao negócio. É verdade que a RTP, ao longo dos anos, tem sido um sorvedouro de dinheiros públicos. Foi nessa estação que Carlos Cruz, José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes, Judite de Sousa e muitos, muitos outros enriqueceram e enriquecem com chorudos ordenados e não só. A RTP tem uma estrutura pesadíssima, cerca de 400 profissionais de comunicação social, fora outros. É inevitável que, com estes números, a estação televisiva acabe por absorver  milhões (M) de euros anualmente. O Relatório e Contas de 2009, pg. 57, mencionava 237,2 M, verba abaixo dos 300 M citados pelo 31 da Armada.
A SIC, e para que se entenda a onda privatizadora lançada sobre a RTP, regista uma degradação da situação económica e financeira. A Informação da Impresa do 1.º T de 2011 evidencia a queda de 3,1% das receitas da estação de Carnaxide. Como isto já não fosse suficiente, de Mar-2008 para Mar-2009, o EBITDA (Ganhos Antes de Juros, Impostos e Depreciações) desceu de 2.855.894 para 1.623.007 euros; ou seja, uma quebra de 43,17%. Percebe-se que, com estes e outros números, Balsemão esteja preocupado; e tendo sido o 1.º empresário a reunir com Passos Coelho, após a eleição deste no PSD, provavelmente pensará estar na hora das compensações.
Toda esta história da defesa da privatização da RTP está mal contada. Moralizar a gestão da RTP sim! Privatizar a RTP não! Só por ignorância ou deliberada omissão de informação, se poderá  propagandear a eliminação de um serviço público de televisão. A cega aposta na iniciativa privada tem agora dois bons exemplos, o BES e BCP, privadíssimos. No conjunto, precisam de 2,8 milhares de milhões de euros da "troika", dinheiro a pagar pelos contribuintes. E o BCP foi considerado um "case study" a nível internacional. O que sucederia se assim não fosse?