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sábado, 25 de agosto de 2012

Aguiar Branco, o ministro da defesa de Relvas e Borges

mobilirioA 39.ª edição da Capital do Móvel, em Paços de Ferreira, é um evento tão  apropriado para ser inaugurado pelo Ministro da Defesa, Aguiar Branco, quanto é da maior naturalidade ser o ministro Álvaro, um dia destes, a deslocar-se ao Afeganistão para se inteirar dos problemas no terreno dos militares portugueses e da sua articulação com outras forças internacionais. A incoerência começa a tornar-se  mácula corrente do governo e os membros do executivo nem se dão conta dos estenderetes em que se precipitam.
Certamente influenciado por deformação profissional, advogado, e por exercer a pasta da Defesa, Aguiar Branco, no meio de tropeções e encontrões em mesinhas, mesas, cadeiras e cadeirões, defendeu com abnegação o colega Relvas e o conselheiro Borges. Retive duas afirmações:
    1. […] haverá “seguramente privatização da RTP” e o modelo “será anunciado, no momento certo, pelo ministro responsável da tutela” […]  (Obs.: Não o nomeou, mas entendemos que se referia a Relvas e espero que este anuncie também a sua demissão).
    2. […] não foi “nenhum anúncio do Governo em relação a esta matéria”, mas apenas “uma afirmação”  (Este desmentido não passa de um topete; basta ver e ouvir aqui o conselheiro Borges)
Branco acrescentou ainda que o serviço público pode ser exercido por uma empresa não pública. Pode sim senhor. E os portugueses sentem-no bem na depauperada vida a que estão submetidos. Sobretudo os efeitos de serviços prestados por ‘parcerias público-privadas’, PPP’s, contratualmente blindadas contra os interesses do Estado, ou seja, de milhões de contribuintes. Obra do saber e de arte espúrios de célebres sociedades de advogados. Fiquemos por aqui.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ora aí está: a derrapagem da IMPRESA

Publicado o 'post' anterior, "De espião a espiado", eis que surgem notícias a divulgar considerável derrapagem da IMPRESA, grupo de comunicação social dirigido por Francisco Pinto de Balsemão; grupo que integra meios de prestígio como o 'Expresso', a 'Visão' e os diversos canais SIC, entre vários outros.
A luta frenética a que aludi, entre Nuno Vasconcelos, também accionista da IMPRESA, e Balsemão, é naturalmente fruto da crise que atinge as empresas geridas sob responsabilidade do Dr. Balsemão.   
Com efeito, a IMPRESA, no 1.º semestre, teve um resultado negativo, - 32,6 milhões de euros, comparáveis com + 3,3 milhões em período homologo de 2010. O EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) também desceu de 14,6 milhões para 8,6 milhões; uma quebra de 41,10%. Porém, para certos analistas, o EBITDA é indicador de valor relativo, atendendo ao facto de se tratar um parâmetro que ignora os juros, ou seja, os 'custos de financiamento' em que normalmente as empresas incorrem, por recurso a capitais alheios.
Compreendo a preocupação do Dr. Balsemão em tranquilizar os trabalhadores do grupo. Todavia, ao justificar os prejuízos com uma operação contabilística de "imparidades", o presidente da IMPRESA está a confirmar que as contas oficiais da empresa passaram a registar uma desvalorização potencial e efectiva de activos e, consequentemente, uma redução do valor patrimonial.
Passos Coelho necessita de aplicar forte perícia de equilibrista, se está, de facto, equidistante em relação a Balsemão e a Vasconcelos. Se, como consta, a tendência for para o favorecimento da ONGOING na privatização da RTP, a IMPRESA deparar-se-á com sérios obstáculos à sustentabilidade e o Dr. Balsemão terá de procurar ajuda algures; talvez no Brasil, através da GLOBO. Ou então, a IMPRESA já era e a partida de títulos como o 'Expresso' seria um fenómeno de empobrecimento da nossa comunicação social. 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O par ideal para a RTP

Fonte: 'Público'

O enlevo da imagem é prova cumplicidade entre Murdoch e Recekah, como o 'Público' salienta. Mostraram sempre grande cumplicidade, insiste o jornal. Para mim, e muitos, muitos mais, seobretudo os lesados, mostraram, sim, que houve falta de escrúpulos de tal ordem que o jornal 'The News of the World', tablóide centenário, foi forçado a encerrar.
Todavia, a expressão embevecida dos dois leva-me a imaginar que se trataria do par ideal para gerir a RTP, que o governo pretende privatizar - Paulo Portas, afinal, renegou na defesa da TV pública. É sempre um homem de palavra.
O par Rebekah e Murdoch, à frente da RTP, teria, de facto, todas as condições para ser um sucesso. Ainda por cima, neste pequeno País que há anos vem vivendo de telenovelas, escândalos e romances infindiváveis de justiça que (não) contam a história de gente socialmente famosa; seja, da política, do futebol, ou das vidinhas que foram construindo. Haveria tanta coisa para Rebekah e Murdoch espiar e escutar, que não existe par que os supere como potenciais investidores na televisão pública. É minha convicção.
Francisco Balsemão e Miguel Paes do Amaral é que não ficariam lá muito satisfeitos. Eles gostam muito da 'teoria dos mercados', mas desde que não sejam atingidos nos interesses que lhes servem.  

domingo, 12 de junho de 2011

A propósito da privatização da RTP

Tem sido divulgado que o CDS rejeita a privatização da RTP proposta pelo PSD. O desacordo suscitou desde logo grande inquietação nas hostes 'laranja'; e ainda em meios que lhe são afectos, como é o caso do 31 da Armada, neste caso pela escrita de Nuno Gouveia.
Diz ele que a RTP, em mãos privadas, contribuiria para uma comunicação social mais livre, mais isenta e mais independente, acrescentando, depois, que também serviria para aliviar de pesos do Orçamento Geral do Estado.
Estão, pois, aqui misturadas duas questões de natureza diferente: i) a liberdade e a isenção da comunicação social; ii) a relação da RTP com as finanças públicas.
Quanto à primeira questão (liberdade, isenção e independência), e tomando como exemplo a última campanha eleitoral, a SIC, privilegiando o PSD, deu uma imagem perfeita de falta de imparcialidade - a estruturação e sequência do jornal das 20h foi sistematicamente preparada para até o intervalo exibir reportagens e imagens, muitas vezes desfavoráveis, dos outros partidos e a reabertura do noticiário dava-se com imagens de nítida propaganda e apologia do PSD de Passos Coelho. A TVI, pela voz tendenciosa do Prof. Marcelo, não lhe ficou atrás.
Vamos agora aos números e ao negócio. É verdade que a RTP, ao longo dos anos, tem sido um sorvedouro de dinheiros públicos. Foi nessa estação que Carlos Cruz, José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes, Judite de Sousa e muitos, muitos outros enriqueceram e enriquecem com chorudos ordenados e não só. A RTP tem uma estrutura pesadíssima, cerca de 400 profissionais de comunicação social, fora outros. É inevitável que, com estes números, a estação televisiva acabe por absorver  milhões (M) de euros anualmente. O Relatório e Contas de 2009, pg. 57, mencionava 237,2 M, verba abaixo dos 300 M citados pelo 31 da Armada.
A SIC, e para que se entenda a onda privatizadora lançada sobre a RTP, regista uma degradação da situação económica e financeira. A Informação da Impresa do 1.º T de 2011 evidencia a queda de 3,1% das receitas da estação de Carnaxide. Como isto já não fosse suficiente, de Mar-2008 para Mar-2009, o EBITDA (Ganhos Antes de Juros, Impostos e Depreciações) desceu de 2.855.894 para 1.623.007 euros; ou seja, uma quebra de 43,17%. Percebe-se que, com estes e outros números, Balsemão esteja preocupado; e tendo sido o 1.º empresário a reunir com Passos Coelho, após a eleição deste no PSD, provavelmente pensará estar na hora das compensações.
Toda esta história da defesa da privatização da RTP está mal contada. Moralizar a gestão da RTP sim! Privatizar a RTP não! Só por ignorância ou deliberada omissão de informação, se poderá  propagandear a eliminação de um serviço público de televisão. A cega aposta na iniciativa privada tem agora dois bons exemplos, o BES e BCP, privadíssimos. No conjunto, precisam de 2,8 milhares de milhões de euros da "troika", dinheiro a pagar pelos contribuintes. E o BCP foi considerado um "case study" a nível internacional. O que sucederia se assim não fosse?