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terça-feira, 22 de maio de 2012

A ilustração do dilema grego

o dilema grego
Fonte: Presseurop
O ‘cartoon’ é do talentoso e prestigiado Tom Janssen. De nacionalidade holandesa, trabalha regularmente para o diário local ‘Trouw’. Colabora também com outros jornais de renome, entre os quais o ‘New York Times’.
A minha reserva, em relação à ilustração, consiste em duvidar que a situação da Grécia se confine ao dilema: saída da zona euro a tiro ou cortes orçamentais à força de cutelo.
Em 17 de Junho próximo, face a anunciadas perspectivas de vitória do Syriza, ou mesmo de outro resultado eleitoral complexo, veremos se o dilema não se converterá em trilema ou em qualquer outro conjunto de opções mais numerosas e complexas; complexas para gregos, portugueses, espanhóis, irlandeses, italianos, Sr.ª Merkel e François Hollande. Em resumo, para a Zona Euro, a UE e a economia global.
Tenha-se, pois, a prudência de aguardar a ocasião exacta de saber qual será a opção e a arma aplicar.
Segundo o ‘Público’, citando o ‘Financial Times’, o BCE decidiu injectar no imediato 100 mil milhões de euros na banca grega. Conquanto se argumente que foi para salvar a Grécia, duvido ser esse o motivo impulsionador. Admito, ao invés,  que a operação não visou ser fundamentalmente uma ajuda à Grécia e aos gregos. Outros interesses de poderes e da banca europeia, bem lá do norte e do centro, se levantam.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Merkel e Hollande em Berlim, à volta da Grécia

Arrancou em Berlim a era Merkel-Hollande. Do ponto de vista das emoções e afectos, fotógrafos e operadores de câmara tiveram de se contentar com imagens mais frugais. Aos sorrisos, beijos e até uma certa sensualidade do casal ‘Merkozy’, sucede agora a sobriedade institucional do ‘Merkande’  - fusão onomástica, acrónimo identificador ou aquilo que se queira chamar, em respeito pela substituição do elemento masculino do par.
Ao que se percebe das notícias de diversas fontes, 'Público', 'El País' e 'Le Monde' e ainda esta última, em encontro frio e de mútuo respeito, Merkel e Hollande escolheram a Grécia como tema principal das conversações. Ambos garantiram defender o objectivo de manter aquele país na ‘Zona Euro’. Curiosamente, a longilínea e sorridente Lagarde, directora-geral do FMI,   admite a "saída ordenada" da Grécia do euro. Krugman, por seu turno, vai ainda mais longe. Vaticina a saída do euro da Grécia e dos restantes países; ou seja, a extinção da moeda europeia. Krugman, no entanto, é um comentador muito volátil, como testemunhámos em Lisboa.

domingo, 26 de junho de 2011

Soros pensa como Amaral

O Prof. João Ferreira do Amaral defende a saída ordenada do euro de Portugal e de outros países europeus. Em debate restrito promovido pelo 'Expresso', Vítor Bento decretou com altivez: "Não há saídas ordenadas do euro. Se houver saída é a mais desordenada possível..." - não invocou uma razão sequer para sustentar o que disse, sublinhe-se.
Agora é o famoso George Soros a declarar em Viena:
  1. "A União Europeia está à beira de um colapso económico que começa na Grécia, mas que pode facilmente espalhar-se";
  2. "É provavelmente inevitável a criação de um mecanismo que permita a saída do euro das economias mais frágeis da União Europeia".
Soros vem assim ao encontro do Prof. João Ferreira do Amaral que, neste desempate com Vítor Bento, ganha um apoio de monta.
Pelo conhecimento profundo e domínio  das condições económico-financeiras de uma UE muito fragilizada, é legítimo considerar que a tese de Soros,e logicamente a do Prof. Amaral, é bem capaz de ganhar vencimento. 
Vítor Bento comece a rever a posição assumida. Nestas coisas da Economia e das Finanças, nem a fé nem o fetiche servem de fundamento ao pensamento rigoroso.