quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Solos sem solfejos

Arrumei a viola a um canto, convicto de que seria por tempo escasso. Todavia, a previsão falhou. Os segundos, os minutos, as horas e os dias correram incessantes e longos sem dedilhar um dó, um ré, um fá ou qualquer outra nota. Em tom grave ou agudo. Igualmente jamais entoei uma balada ou melodia, em escala maior ou menor, durante extenso período.
Os solos, vibrados pela viola ou desafinados pela voz, esvaziaram-se, portanto, de solfejos. Outras composições musicais, pesadas sinfonias da vida, condicionaram os movimentos e o canto. Compromissos familiares e profissionais soaram com fragor sinfónico absolutista.
E, durante a vigorosa sinfonia, tantos temas desprezados para os meus desabafos a solo: o PM, de ar de crescente autoritarismo, crispado e às vezes bronco na linguagem. Sempre desrespeitoso em relação aos cidadãos. As asneiradas de Paula Teixeira da Cruz e as trapalhadas do matemático Crato – o notável cientista, presumido sabedor do teorema fundamental da álgebra, do teorema do isomorfismo de Noether e de muitos outros a que se acrescem as teorias de Galois ou do Lema de Gauss, revela-se incapaz de solucionar a equação elementar de determinar quantos professores são necessários para leccionar nas escolas públicas; as quais, também por iniciativa dele e da antecessora, nos limitam a um sórdido parque escolar a que o País ficou condenado, de muitas escolas encerradas e em decadência.
Há outras matérias para as minhas populares ‘cantatas’: o OGE 2015 da amanuense Albuquerque. Acima de tudo, é uma farsa eleitoralista, como o classificou Helena Garrido – estou a citar a directora do ‘Jornal de Negócios’, e não Jerónimo de Sousa ou o João Semedo.
Todo este estendal de roupa esfarrapada e encardida escapou às rotinas dos meus ‘solos’. São oportunidades perdidas, mas que espero ver ressarcidas… desde que a vida me deixe.