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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Juros em queda ou a notícia irritante para a direita

Disse-o e repito-o: o 'Jornal de Negócios', relativamente à maioria parlamentar de esquerda que rejeitou o governo da coligação PàF, tem tido um comportamento impróprio de um jornalismo da democracia, i.e., responsável, imparcial e consonante com os interesses do País. Comporta-se ao estilo do "Diário da Manhã" ou do "Diário". Transformou-se em pasquim económico de direita.
Previu o caos imediato - inferia-se com facilidade das notícias e comentários; porém, a realidade da bolsa em queda está a ser contrariada pelos resultados (o índice do PSI-20 sobe neste momento 0,54%) e, para agravar o estado de irritação dos desejos contrariados da direita que o 'JN' representa, os JUROS DA DÍVIDA PORTUGUESA ESTÃO EM QUEDA. Os escribas da anedota Helena Garrido foram compelidos a publicar a notícia de que se reproduz o texto seguinte:
"Os Juros a 10 anos, que é considerada a maturidade de referência, estão a cair 1,1 pontos base para 2,776%, depois de terem já avançado cinco pontos esta manhã. A "yield" a cinco anos está a recuar 1,2 pontos base para 1,452%. No prazo mais curto, a dois anos, os juros estão a cair 5,2 pontos base para 0,172%.Entre as principais congéneres europeias, a queda da "yield" portuguesa é a mais acentuada. ..."
Os juros caem e a tensão arterial da gente da direita sobe. Cuidado com AVC's e enfartes!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Comunicação Social do Subdesenvolvimento

Vi o debate da AR e o que demais o rodeou; mas, nem sempre muito atento. Um tipo das causas fundou-se em ocupações de tarefas em simultâneo. Outro centrou-se no desinteresse causado pela falta de imparcialidade e a manipulação da opinião pública através de imagens e comentários.
A minha amiga Sarah publicou no 'fb' estas imagens. A superior foi aquela que vi  na SIC-N - com fundamentado desprezo, sublinho. Da segunda, tomei conhecimento através do 'fb'.
A comparação das duas imagens, do mesmo aglomerado de pessoas, leva-nos a significações distintas. A primeira dá-nos a ideia de que a convocatória feita por certo militante do CDS correspondeu a uma multidão à frente da AR. A imagem inferior transmite-nos, com fidelidade e rigor, que estiveram apenas algumas dezenas, talvez nem três centenas, de manifestantes de direita.
Esta e outras técnicas de manipulações através da imagem é muito, muito antiga. Certos jornalistas são recorrentes nesse método de trabalho, como os da SIC-N agora comandados por um tal Alcides, homem-de-mão de Balsemão.
O truque reside exactamente em captar um grande plano de grupos que se pretendem impingir, a quem observa, como numerosos; todavia, trata-se de acção ardilosa conhecida e fácil de denunciar - os srs. jornalistas, além do mais, estão convencidos que nenhum telespectador, neste caso, ou leitor tenha tido o interesse em estudar pequenos mas ilustrativos e pedagógicos textos de Comunicação, como 'Introdução ao Estudo da Comunicação' de John Fiske. Estão redondamente enganados.
Da SIC-N, saltemos para o 'Jornal de Negócios' da triste Helena Garrido. Títulos atrás títulos, nos últimos dias de um governo em agonia, o reles jornal lança o alarme da queda do PSI-20 (bolsa de Lisboa) e do aumento dos juros da dívida pública. Todavia, os mercados apostaram em contrariar as previsões do caos do 'JN'. Hoje, o índice do PSI-20 caiu apenas 0,33% e devido ao vulnerável BCP e os juros a 10 anos da dívida pública portuguesa recuaram para 2,774%.
São legítimas as preocupações da Comunicação Social com o futuro político do país. Todavia, são inaceitáveis manobras grosseiras seja na imagem ou na palavra dita ou escrita, de forma a enganar os portugueses e, sobretudo, influenciar algumas entidades estrangeiras que dominam os mercados.
Parece-nos estarmos dominados, salvo raras excepções, por um género de imprensa próprio de um Estado não desenvolvido. Não têm autoridade para criticar o 'Jornal de Angola'. Usam exactamente os mesmos estratagemas e modelos.
  

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Líbia, a Síria e o Ocidente


Tripoli está a ferro e fogo. Os rebeldes sob o comando CNT (Conselho Nacional de Transição) controlam grande parte da cidade, mas ainda há núcleos de resistência pró-Kadhafi e Saif al-Islam,  um dos filhos do ditador, acabou por fugir dos captores e falou aos jornalistas no Hotel Rixos, em Tripoli. Obama, entretanto, já declarou o fim do regime líbio e apela no sentido de uma transição pacífica. O melhor, digo eu, é esperar para ver. Onde existe a alta negociata do petróleo e dinheiro a rodos, as relações de poder e da coesão social, normalmente, corrompem-se facilmente.

Com o mesmo Kadhafi a dirigir, houve várias 'Líbias' a relacionar-se com o Ocidente: (i) a Líbia dos anos 1980, década em que prevalece a morte de 270 pessoas devido à queda do avião da Pan Am em Lockerbie e atentados bombistas em vários pontos da Europa, em especial em França; (ii) a época de recuperação do ditador líbio para o círculo de amigos do Ocidente, patrocinada por Bush, materialmente aproveitada por Berlusconi e, finalmente, defendida com amizade por Aznar - duas figuras do quarteto dos Açores que o "nosso" Barroso e Blair completam.
Na vaga dos levantamentos populares do Magreb e do Médio Oriente, Kadhafi foi inundado pela mesma maré. E a compaixão ocidental, cínica, selectiva e interesseira, viu a oportunidade de intervir militarmente na Líbia, através da NATO. Tudo em nome da defesa dos direitos humanos do povo líbio.
É, pois curioso, em simultâneo e semana após semana, assistirmos à carnificina de dezenas de sírios pelas tropas de Bashar al-Assad, sem que o Ocidente passe da oratória de recomendações. Qual então a causa de abordar situações semelhantes com acções divergentes? Falta de solidariedade e de respeito pelos direitos do povo sírio? Parece inequívoco. A motivação de fundo dos dirigentes ocidentais para agir diferente é apenas uma: a posição geoestratégica e demográfica, assim como o valor económico do petróleo da Líbia superam a complexa localização geográfica da Síria - entregue-se a tarefa aos turcos - e ainda mais a reduzida importância da produção petrolífera do país de Bashar al-Assad.
Do argumento político, não colhe a estafada justificação de que Kadhafi já estava no poder desde 1969; há 42 anos portanto. Também o clã al-Assad, através do pai Hafez, detém o poder na Síria desde 1970; há 41 anos. O que conta - sim, verdadeiramente o que conta - é, de facto, os interesses geoestratégicos e os perfis socioeconómicos dos países revelados no quadro acima; do qual destaco os seguintes aspectos:
  • A Síria tem mais do triplo da população da Líbia (3,37);
  • O PIB da Síria reduz-se a cerca de 60% de igual variável da Líbia;
  • O saldo da Balança de Pagamentos Correntes da Síria (US$ 459.000) é apenas 1,29% de igual valor das contas nacionais da Líbia (US$ 35.702.000).

sábado, 16 de julho de 2011

Metade, quase 50% e 45,6%?

1. Título do Jornal "i":


2. Corpo da mesma notícia, 1.º parágrafo:

Quase 50% dos portugueses considera “boa ideia” a aplicação do imposto extraordinário, em sede de IRS.(sic)

3. Início do 2.º parágrafo da notícia em causa:

Numa sondagem publicada pelo Jornal de Negócios, 45,6% dos inquiridos revelou concordar com a mais recente medida de austeridade anunciada pelo governo...(sic)

Entre o título e o 2.º parágrafo, evaporaram-se 4,4% de inquiridos,  ou seja, uma quebra de relativa de 8,8%, uma vez ponderada pela tal metade (50%) do título.
Não me parece tratar-se de erro matemático; mas claramente de jogos de palavras e de especulação de percentagens a deturpar a significância quantitativa da informação. Seria preferível que seguissem o exemplo do Jornal de Negócios com o título:


Sempre é uma forma mais discreta de propaganda a favor do governo. Porque, em boa verdade, o título rigoroso deveria ser: MAIORIA DOS PORTUGUESES DISCORDA DO IMPOSTO EXTRAORDINÁRIO.
Quando chegar o Natal é que a D. Maria, o Sr. José e o Sr. António da loja vão dizer de verdade o que pensam do 'imposto extraordinário'. Gozemos o Verão. Ainda há muito tempo até chegar às coisas tristes do governo que temos.