sábado, 16 de julho de 2011

Metade, quase 50% e 45,6%?

1. Título do Jornal "i":


2. Corpo da mesma notícia, 1.º parágrafo:

Quase 50% dos portugueses considera “boa ideia” a aplicação do imposto extraordinário, em sede de IRS.(sic)

3. Início do 2.º parágrafo da notícia em causa:

Numa sondagem publicada pelo Jornal de Negócios, 45,6% dos inquiridos revelou concordar com a mais recente medida de austeridade anunciada pelo governo...(sic)

Entre o título e o 2.º parágrafo, evaporaram-se 4,4% de inquiridos,  ou seja, uma quebra de relativa de 8,8%, uma vez ponderada pela tal metade (50%) do título.
Não me parece tratar-se de erro matemático; mas claramente de jogos de palavras e de especulação de percentagens a deturpar a significância quantitativa da informação. Seria preferível que seguissem o exemplo do Jornal de Negócios com o título:


Sempre é uma forma mais discreta de propaganda a favor do governo. Porque, em boa verdade, o título rigoroso deveria ser: MAIORIA DOS PORTUGUESES DISCORDA DO IMPOSTO EXTRAORDINÁRIO.
Quando chegar o Natal é que a D. Maria, o Sr. José e o Sr. António da loja vão dizer de verdade o que pensam do 'imposto extraordinário'. Gozemos o Verão. Ainda há muito tempo até chegar às coisas tristes do governo que temos.