quinta-feira, 14 de julho de 2011

A xenofobia endémica dos alemães

Portugueses e gregos, diz o economista da Ifo, Hans-Werner Sinn, vivem à custa dos alemães. A xenofobia germânica é fenómeno que se tem repetido ao longo da História, com os resultados para a humanidade que se conhecem. Sinn sabe bem do esforço feito pelos EUA e outros países através Plano de Recuperação Europeia, ou Plano Marshall, na recontrução da Europa pós-1945 e, em particular, na ajuda à Alemanha Ocidental - parte de um país nazista derrotado e de que a Grécia foi, de facto, um alvo concreto pelo assassínio de muitas dezenas de milhares de cidadãos, pela fome e miséra e até de uma guerra civil; tudo, repita-se, fruto da agressão nazi a cujos efeitos finais valeu o empenhamento da Grã-Bretanha pela mão de Churchill.
Portugueses e gregos, que representam menos de 22 milhões de cidadãos na Europa, apenas cerca de 4,3% da população da UE, é que constituem a ameaça às condições de vida dos alemães, no activo ou na aposentação. Que descaramento!
Os submarinos e fragatas, outro equipamento militar, os negócios da Siemens e de outras multinacionais germânicas, estimulados por financiamentos de bancos alemães, colocam essas e outras negociatas no centro das causas da crise a que portugueses e gregos estão subordinados. 
Olhando a História, a acusação do citado economista respeita a tradição do posicionamento militar,  financeiro e económico que a Alemanha sempre perseguiu. Um exemplo:

"É consensual que durante a Segunda Guerra Mundial o Reichsbank alemão depositou na Suíça ouro equivalente a 1.638.000.000 de francos suíços", Tony Judt em Pós-Guerra, pg. 112.

No fundo, o Sr. Sinn e outros seus compatriotas pertencem ao único género de indignados reconhecidos por gentinha desta; acampam no Hotel Paris ou no Casino do Mónaco, não se misturando com a populaça da  Praça Syntagma, em Atenas, ou mesmo da Praça del Sol, em Madrid.