quinta-feira, 9 de julho de 2015

O ‘Crash’ das Bolsas na China – Tradução do Financial Times 08-07-15 (Parte I)


Patrick McGee e Josh Noble em Hong Kong e Gabriel Wildau em Xangai

Centenas de empresas chinesas pararam a negociação das suas acções enquanto Pequim se esforça para isolar a economia do mais íngreme declínio de capital do país em mais de duas décadas.
Outras 173 empresas cotadas em Xangai e Shenzhen anunciaram suspensões de negociação após o fecho do mercado na terça-feira — elevando o total para cerca de 940, ou mais de um terço de todas as empresas cotadas nas duas bolsas — com mais relatórios de suspensões, antes do gongo de abertura na manhã de quarta-feira.
Em um novo sinal de desconforto sobre o mercado da China, as 'commodities' foram atingidas na terça-feira, em movimento liderado pelo cobre. O preço de futuros do cobre na bolsa de metais de Londres caiu ao nível mais baixo desde 2009, reduzindo 8,4 por cento nos últimos dois dias.
Desde que atingiu uma alta de sete anos há menos de um mês, as cotações chinesas sofreram uma queda acentuada, provocada por uma repressão sobre a margem financeira — o uso de dinheiro emprestado para comprar acções — em resposta a preocupações sobre uma bolha de acções.
Cerca de 3 biliões de USD foram eliminados do valor de todas as sociedades cotadas, quando investidores do retalho se apressaram para atenuar as alavancadas as apostas no mercado.
O maior número de empresas a suspender a negociação das suas acções foram as provenientes da plataforma de ChiNext de tecnologia pesada em Shenzhen, que obtiveram os maiores ganhos no início deste ano e desde então sofreram a maior correcção.
Pequim tem tomado medidas para manter cotações nos dois índices principais da China, incluindo compras directas de grandes empresas, uma parada para ofertas públicas iniciais e um corte de taxas de negociação. Mas até agora os seus esforços falharam o estancar das preocupações.
"Há pânico, mas não importa como eles [autoridades] intervêm, essa coisa justamente não pára de cair,", disse Dong Tao, economista do Crédit Suisse.
As bolsas chinesas caíram durante a quarta sessão das últimas cinco na terça-feira. O Compósito de Xangai desceu 1,3 por cento, enquanto a tecnologia-pesada do Composto de Shenzhen perdeu 5.3 por cento.
O índice de Shenzhen está agora acima dos 36 por cento este ano, tendo subido até 122 por cento há menos de um mês atrás. Os dois índices caíram um terço durante a liquidação que começou em 12 de Junho, no declínio mais íngreme do país desde 1992, segundo dados da Bloomberg.