quarta-feira, 15 de julho de 2015

Costa, o grande líder da banca portuguesa

Carlos Costa em prece
As cumplicidades com o governo catapultaram Carlos Costa para novo mandato de governador do Banco de Portugal (BdP). A obediência ultrajante ao BCE, que capturou a soberania de Portugal em termos de sistema financeiro, também ajudou.
O BdP é um sólido abrigo de luxo e perpétuo de numeroso grupo de economistas, advogados e políticos. Independentemente do tempo de serviço, beneficiam de reformas douradas. Os quadros do banco central, os “Rosalinos”, e outros trabalhadores da instituição também contam com regalias ofensivas, nos momentos da crise sofrida pela população portuguesa.
Uns atrevem-se a acusar as famílias de terem escolhido o endividamento bancário como suporte de vida. Poucos reconhecem que aforradores como os do ‘papel comercial do BES’, apesar da escolha de economizar, vêm e sentem-se impotentes perante a apropriação das poupanças.
Carlos Tavares, da CMVM, defende que o dito papel comercial deveria ser convertido em obrigações subordinadas do Novo Banco, o que, em si, já constitui um risco elevado de perda do capital.
Todavia, o Sr. Costa opõe-se à medida preconizada pela CMVM. Argumenta não se afigurar viável. No fundo, por instruções do Sr. Costa, o BdP emitiu em 14 de Julho um comunicado em que declara, no ponto 8, o seguinte:
“8. Acresce que, sendo o Novo Banco uma instituição de crédito significativa para efeitos do Mecanismo Único de Supervisão, os efeitos prudenciais de uma eventual transacção teriam em qualquer caso de ser apreciados pelo Banco Central Europeu, na qualidade de autoridade de supervisão prudencial do Novo Banco.”
Não existe forma mais explícita de proclamar que, afinal, a banca nacional e os portugueses estão submetidos à poderosa tutela do BCE, sem que essa subordinação tenha sido sufragada – Rajoy está a anunciar, hoje, que vai submeter à votação do Parlamento de Espanha a participação do seu País no programa de resgate (?) da Grécia. Faz-se o que convém ao poder.
Ou há uma transformação profunda do regime e regras do exercício democrático na UE, e na Zona Euro em especial, ou esta Europa degradar-se-á até à evaporação, valendo-nos – oxalá! - o fim do autoritarismo da Alemanha e seus aliados. A protecção dos poderosos, em particular de quem domina os sistemas financeiros, há-de ter um fim.
Há ainda diversas questões adicionais impossíveis de esquecer:
  • ·         Terá o Sr. Costa e a sua equipa de tecnocratas feito tudo a quanto estavam obrigados para evitar o descalabro do BES e o prolongamento de Ricardo Salgado e outros como administradores até à destruição do referido banco? [é público e notório que não!]
  • ·         Terão as equipas e a supervisão do BdP do Sr. Costa averiguado os argumentos com que aos balcões do BES foi promovido e vendido o ‘papel comercial’ a clientes sem conhecimentos suficientes de ordem financeira ou mesmo a iletrados financeiros? [É opinião generalizada de que esse tipo de diligência não foi feito].
Por último, e por ser humilhante e contrastante com os sacrifícios exigidos aos portugueses, é no mínimo lamentável que o BdP, desde 2011, tenha gasto mais de 2 milhões em viaturas para uso próprio dos privilegiados quadros do Banco Central. Não se surpreenda, pois, o Sr. Costa que, à porta de casa, haja de volta e meia umas dezenas de lesados do BES a chamar-lhe gatuno. A resistência à revolta tem limites.