quinta-feira, 9 de julho de 2015

O ‘Crash’ das Bolsas na China – Tradução do Financial Times 08-07-15 (Parte II)


Patrick McGee e Josh Noble em Hong Kong e Gabriel Wildau em Xangai

Kevin Norrish, analista de 'commodities' do Barclays, disse: "A China é o maior consumidor de cobre. As perspectivas de crescimento para a economia da China são incertas. Somado a isso, uma quantidade enorme de dinheiro tem ido para o mercado de acções de Xangai; assim que este mercado cai há preocupações deste sentimento negativo poder repercutir-se de volta na economia."
Acções cotadas em 'offshore' também foram atingidas. Os títulos chineses cotados em Hong Kong caíram 3,3 por cento na terça-feira, eliminando os ganhos do ano, enquanto as empresas continentais com as cotações nos EUA tiveram a maior queda desde 2011, na segunda-feira.
"O sistema financeiro é sobre confiança e transparência, mas não se considera também da parte do governo," disse Dee Sum, um banqueiro de 35 anos em Hong Kong, cuja família tem sofrido grandes perdas no mercado de acções nas últimas semanas.
A aceleração da suspensão de acções, que congelou 4 biliões de USD do valor patrimonial, de acordo com cálculos de Bloomberg, é o mais recente passo pelo sector empresarial para ajudar a travar o declínio.
A Haitong Securities declarou na tarde de segunda-feira que ele iria alocar 15 mil milhões de Renminbi [moeda da China] (2 mil milhões de USD) aos fundos do rastreador para ajudar a "manter um desenvolvimento estável" do mercado de capitais próprios. Isto seguido de um voto por 21 corretoras de valores mobiliários no fim-de-semana para usar seu próprio capital para comprar acções.
A Associação da China para Empresas Públicas, uma organização sediada em Pequim, apelou para empresas, principais accionistas e executivos seniores usarem recompras para "estabilizar o preço das acções das empresas".
O próprio banco central comprometeu-se no seu balanço a apoiar as acções, naquilo que o senhor Dong do Crédit Suisse descreveu como uma iteração chinesa de alívio quantitativo (Quantitative Easing).
Mesmo os censores da China ainda não ficaram excluídos do esforço. Um repórter local, que não quis ser citado, disse que o governo tinha proibido os media locais de usar os termos "desastre de títulos" e "resgate do mercado" nos seus relatórios sobre o mercado de acções.
Apesar dos movimentos coordenados, muitos acreditam que a inversão de posições alavancadas continuará a arrastar-se nas acções. Os analistas do Citigroup avisam que apenas um quarto dos negócios com margem foram forçados a sair até agora, apesar de 11 dias seguidos de desenvolvimento de posições.
Os analistas também disseram que os riscos de Pequim criam uma percepção de desespero, especialmente se os seus esforços não têm nenhum efeito discernível.
"Toda essa actividade tem suportado uma visão de que formuladores de políticas estão em um estado de pânico," escreveu Mark Williams em ‘Capital Economics’. "Mas é tarde demais — e provavelmente contraproducente — intervir [agora]. O estrago foi feito quando a bolha era permitida para inflacionar."