terça-feira, 8 de setembro de 2015

O Regresso

Jamais parti sem intenção de voltar. Um dia teria de regressar a este meu recanto e às manifestações de muita revolta e escasso contentamento, em desabafos que, minuto a minuto, constroem e reflectem os meus pensamentos.
Voltei, portanto, aqui, ao solitário refúgio, onde o velho piano, semanas a fio, apenas sonorizou uma doentia mudez. Coberto de pó e teclas imobilizadas, sofreu e exprimiu a mágoa da inutilidade da vida, como Fernando Pessoa na 1.ª setilha do poema ‘Estado de Alma’:

“Inutilmente vivida
Acumula-se-me a vida
Em anos, meses e dias;
Inutilmente vivida,
Sem dores nem alegrias,
Mas só em monotonias
De mágoa incompreendida…

Com compaixão pelo piano e os seus sons, os ‘solos sem ensaio’, em melodias, boas e más, esconjuntarão o angustiante e triste silêncio de um longo tempo, o qual também a mim um juiz misterioso me condenou.
Estou de novo no paradisíaco refúgio! Afaguei o piano com emocionado afecto. Teclarei sempre em defesa de causas que me pareçam justas. Da verdade, quase sempre ausente do discurso do poder, e continuamente empenhado no objectivo de revogar o irrevogável e atirar o aldrabão de pantanas. Isto e muito mais. Defender as causas do humanismo, neste mundo deveras perverso e marcado pela carência de justiça social e de paz. 
A imagem da criança afogada tornou-se no derradeiro ícone de dramas que atormentam milhões de seres humanos.
Uns classificarão as minhas intenções de mera utopia. Retorquirei que utopia não é um mito, mas um simples e legítimo desejo humano de lutar por caminhos e metas complexas para que, sem poder satisfazer o objectivo integral, são contributo para que a sociedade humana se reestruture e elimine as profundas desigualdades que, neste Século XXI, persistem e se multiplicam assustadoramente.
Os temas da política à economia voltarão, pois, a ser os elementos centrais dos textos a publicar.