quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Poupança das Famílias em queda acentuada

Hoje é um dia de más notícias para o governo. O INE, em simultâneo com o anúncio do agravamento do défice de 2014 para 7,2% por força da injecção de 4,9 mil milhões no Novo Banco, revela que a poupança das famílias portuguesas diminuiu consideravelmente no 2. º T de 2015.
Fixou-se em 5,0%, como ilustra o gráfico, tornando-se na percentagem mais baixa desde 1999. Na interpretação do INE, explicitada pelo 'Jornal de Negócios', a causa principal parece centrar-se no aumento do consumo privado (+ 1,0%) conjugado com um residual acréscimo do rendimento (+ 0,1%).
Os portugueses, se considerados em termos de gastos e rendimentos globais, tornaram-se mais gastadores e menos aforradores? A pergunta é objectiva, mas a resposta, a meu ver, é complexa, sobretudo no que diz respeito à variação do consumo privado detalhado por nacionais e estrangeiros.
Com efeito, nem INE nem outra instituição ou órgão de informação realizaram qualquer análise mais fina que permita obter a informação do impacto nas vendas no retalho (consumo privado) a nacionais de outros países, em especial angolanos endinheirados, que realizam compras de valores significativos, os quais, ao fim e ao cabo, se integram no cálculo do 'consumo privado'.
Há tempos fiz um levantamento, por questionário empírico, e apercebi-me de que em lojas do Centro Comercial Colombo, da Avenida da Liberdade, da zona da baixa lisboeta (Chiado, em particular) as vendas a visitantes externos de bens e serviços  era considerável - a Ourivesaria Portugal, no Rossio, dito pelo proprietário, sobrevivia bem, devido aos 'Rolex' e jóias transaccionados com clientes de Angola.
A minha dúvida subsiste: como trata o INE dos valores destas vendas no âmbito do cálculo macroeconómico do 'consumo privado'? Talvez um dia seja esclarecido, porque as citadas transacções comportam também um benefício de receita fiscal não negligenciável: o aumento ingresso do IVA nos cofres das Finanças.
O Dr. Paulo Portas, se se pronunciasse sobre este fenómeno, diria pura e simplesmente que se tratam de receitas de turismo, equivalentes a exportação e eram fruto da sua 'diplomacia económica'. 
Persisto na minha incerteza, porque segundo o Instituto Nacional de Estatística, a publicação 'Estatísticas de Turismo 2010' se refere apenas à capacidade de alojamento, hóspedes e dormidas, bem como proveitos obtidos nos estabelecimentos de alojamento colectivo classificados de interesse turístico no Turismo Portugal IP, nada dizendo sobre outros estabelecimentos de venda de bens e serviços. 
Na grande maioria, os portugueses, com o governo actual, vivem de forma mais modesta e, a meu ver, pior do que as estatísticas indiciam.