sexta-feira, 13 de outubro de 2017

'Marcha Turca' de Mozart


Um sopro de música para o fim-de-semana. Desta vez, a 'Marcha Turca' de Mozart interpretada de forma irreverente, e portanto nada ortodoxa, pelo quarteto feminino Amadeus. Quatro jovens romenas que, através de instrumentos electrónicos, oferecem a descontracção e a alegria de uma bela melodia.
Bom fim-de-semana.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ricardo Salgado e a lembrança de dois 'posts' de Fev. de 2013

O megaprocesso 'Operação Marquês', divulgado esta semana pelo MP, trouxe-me à memória este 'post', intitulado 'O Sagrado Sal do Espírito Santo (BES)' e publicado em Fevereiro de 2013 - a detenção de José Sócrates ocorreu em Novembro de 2014, cerca de um ano e nove meses depois.
O conteúdo do 'post', porque muito crítico da conduta de Ricardo Salgado, como banqueiro, gestor do BES e do GES, cidadão e contribuinte, serviu de pretexto para um tal Paulo Padrão, então director de comunicação do BES, me ter convocado para um encontro, com o objectivo de me agredir fisicamente. Até que ponto executaria a agressão não sei. Porque mo disse, apenas estou certo de que queria usar violência . 
Esclareço que o referido indivíduo, tido por 'apadrinhado' por Eduardo Catroga no ingresso no BES, se serviu de um amigo meu para obter de forma tortuosa o meu número de telemóvel.
Em relação ao acto de ameaça de que fui alvo, contei com a solidariedade de vários amigos, em especial de autores do blogue 'Aventar', no qual escrevi. Entre estes, destaco o Ricardo Pinto, que, de forma activa e deste modo, fez a minha defesa no 'Aventar'.
O triste caso veio-me à memória, por força da quantidade de jornalistas e comentadores que, agora e uma vez publicitado o megaprocesso em causa, são ferozes críticos de Ricardo Salgado. À época do meu texto, apenas Nicolau Santos do 'Expresso' condenava o BES e em especial Paulo Padrão. Os outros nem piavam (esta foi a primeira vez que Cavaco Silva me foi útil na vida).    

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O sebastianismo na figura de Passos Coelho

O jornal ‘Público’ de Domingo, 08-10-2017, publicou na 1.ª página uma destacada imagem de Pedro Passos Coelho (PPC). O título do texto é: “Passos fora: a história de um projecto liberal interrompido”; e, para que não haja dúvidas, em subtítulo reforça: “[…]Sai agora, quase só e com um projecto liberal interrompido. Sem o dar por terminado.”
Do texto em causa, de David Dinis, extrai-se a ideia de que o autor partilha das dores da partida de PPC. Exprime-se até em tom melancólico, sob a crença de um dia, não se sabe quando, o homem regressar para retomar o projecto ora descontinuado. O artigo remete, pois, para a ideia de um tipo de sebastianismo. Só não explica se o regresso acontecerá numa manhã de nevoeiro, numa tarde tempestuosa ou numa noite de tormentas. O futuro o dirá.
Classificar PPC de liberal é um erro, cometido, aliás, por outros jornalistas e comentadores políticos. Com efeito, o ainda líder do PSD/PPD não se integra no ‘liberalismo clássico’, ideologia a que, à semelhança de outros estudiosos, Tony Judt, em ‘O Século XX Esquecido’ se refere assim:
“O Estado-providência, em suma, nasceu de um consenso transpartidário do século XX. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e os outros pré-requisitos de ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século XX mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século XIX.”
Os propósitos programáticos e de acção governativa de PPC identificam-se, isso sim, com o ‘neoliberalismo’, na lógica dos modelos de Thatcher e Reagan, após a ‘Perestroika’ e a queda do muro de Berlim em 1989.
De resto, o texto do ‘Público’ denúncia com clareza o carácter ‘neoliberal’ do projecto de PPC, nomeadamente quando se escreve:
“[..] Passos tinha até orgulho nisso: o quase líder aparecia propondo uma redução das funções do Estado, uma contracção também no número de funcionários públicos (com a entrada de uma para…cinco saídas), o fim da subsidiodependência, a criação de uma ‘Entidade Reguladora da Educação’ para evitar ‘a dependência excessiva do Ministério’, a ‘modernização’ das leis laborais, o plafonamento da Segurança Social, financiado por emissão de dívida pública.”
Os portugueses, de hoje e do futuro próximo, sentem na pele e na alma que a “modernização” das leis laborais significa a precarização dos salários e das condições de trabalho. Também os pensionistas souberam, na vida real, o que representa o “plafonamento da Segurança Social”, não devendo esquecer que foi o Tribunal Constitucional quem cortou os passos a Coelho, assim como, posteriormente, nas últimas eleições, o ainda líder do PSD/PPD propôs um corte efectivo de 600 milhões de euros nas despesas da SS.
Todavia, temos de reconhecer a instabilidade, a volatilidade e as contradições das sociedades da globalização, não surpreendendo que o citado Coelho ou outro láparo se afirme na cena política em tempos futuros, com os mesmos propósitos. Vive-se demasiado à pressa e a memória colectiva é curta.

sábado, 7 de outubro de 2017

Música 'América' do West Side Story


Mulheres e homens civilizados, ao redor do mundo, já estranham pouco os disparates de Trump, umas vezes no 'twitter', outras em comportamentos absurdos e estrambólicos. Do actual PR dos EUA, espera-se tudo menos sensatez e respeito pelos supremos interesses e direitos de seres humanos.
A sua recente visita a Porto Rico foi caricata e desrespeitadora para uma população fustigada por um furacão, Maria, que devastou a ilha, matou gente e deixou apenas 7% da ilha com energia eléctrica. A BBC registou esta e outra informação, aqui, classificando de abominável o comportamento de Trump.
Porque estamos em fim-de-semana e música é a melhor das terapias para nos descontrair, recorri à publicação de 'América' do memorável 'West Side Story', musicado pelo não menos inesquecível Leonard Bernstein e com poemas de Stephen Sondheim. O filme foi dirigido pelo histórico Robert Wise, cineasta e produtor que foi premiado com vários óscares.
Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Catalunha, os independentistas e os anti independentistas

À semelhança de outras regiões de Espanha, a Catalunha tem uma história multisecular, complexa e recheada de transformações políticas. Se iniciarmos a análise histórica no século IX, regista-se que a região catalã esteve, nessa época, sob o domínio do Império Carolíngio, da França medieval; no século X, os condados catalães declararam a independência em relação ao poder carolíngio; no século XII, o conde Berenguer IV (1131-1162) tomou em casamento Petronita de Aragão, filha do rei Ramiro, tornando-se príncipe daquele reino, através de uma união dinástica do Condado de Barcelona com o Reino de Aragão.
A citação de estes fragmentos históricos serve para evidenciar que as transmutações, ao longo de séculos, da Catalunha, em termos de particularismo, soberania e dependência, foram diversas e, por vezes, profundas. Centrar a análise histórica, apenas, na sublevação catalã, em 1640, parece-me redutor, ainda que os acontecimentos, à época, também tenham sido relevantes do ponto de vista político, económico, social e até religioso.
Perante este acervo histórico e a tensão actual entre o Governo de Madrid e o Governo Autónomo da Catalunha, sinto-me incapaz de defender uma posição pró ou contra a independência da região. Estou certo, apenas, da legitimidade de pugnar pelo escrutínio participado, idealmente, por todos os catalães habilitados a exercer o direito de voto no processo de autodeterminação.
Trata-se, pois, de um processo político, para o qual a História pode contribuir, mas nunca de forma decisiva. De igual modo, aliás, se revelou contraproducente a judicialização da causa pelo desastrado Governo de Rajoy que, para cúmulo, recorreu à força policial para repressão de manifestantes independentistas – polícias, bastões e balas de borracha de um lado e agredidos, com muita ou pouca gravidade, de outro; tudo isto só favoreceu os independentistas e multiplicou os seus apoiantes. Neste tipo de causas, a vitimização é fácil e rende mais manifestantes e apoios.
Todavia, há que admitir que, ao contrário do que os media e em especial as TV’s mostram, também existem, e muitos, anti independentistas. Segundo números divulgados ‘El País’,  em 1 de Outubro, votaram 2.262.424 cidadãos, dos quais 2.020.144, número adiantado pelo Governo Catalão, se pronunciaram pelo sim à secessão; adianta o citado jornal que o total de recenseados é de 5.343.358, concluindo que, apenas, 42% exerceram o direito de voto.
A notícia exibe ainda imagens de uma manifestação muito participada de anti independentistas, referindo a existência de um clima de intimidação de que estes são vítimas por parte dos defensores da independência.
De nada adianta, como fazem hoje no ‘Público’ diversos intelectuais e universitários, despejar mais argumentos suportados por Leis e Tratados. O processo é só e tão só político. Rajoy e Puigdemont negoceiem e organizem um referendo democrático envolvendo a grande maioria dos catalães na votação e sem pressões de um e de outro lado. Quem ganhar, ganha! Mas há que advertir que há a probabilidade de resultados com mais benefícios do que custos ou de outros com mais custos do que benefícios. Depende da perspectiva. Todavia, votar é preciso.

sábado, 23 de setembro de 2017

'Lira', Adriano Correia de Oliveira


Não tenho publicado 'posts'. Desta vez, andei retirado em turismo interno. O circuito iniciou-se em Lisboa, Alto Alentejo, Coimbra e Porto.
Coimbra tem um significado especial na minha vida. Foi lá que o meu pai, dos primeiros enfermeiros psiquiátricos portugueses, se perdeu para a vida. Dotado de educação musical, de excelente voz e intérprete de viola e banjo, entrou na boémia coimbrã com o prazer de extasiado pelo paraíso e acabou exausto e vencido.
Porque em Coimbra, os estudantes, as 'repúblicas', o perfume da boémia, da História e dos saberes me estão sempre plasmadas na alma e na memória, lembrei-me de Adriano Correia de Oliveira que, portuense, se revelou no fado de Coimbra e cantares de intervenção.
Escolhi justamente 'Lira', uma balada açoriana, que Natália Correia, curiosamente, também interpretava excelentemente. A poetisa era dos Açores, como se sabe.  

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A catástrofe humanitária na Birmânia (Myanmar)

As imagens acima publicadas constituem, apenas, uma parcela, inferior a 25%, do vídeo que o “The New York Times” divulgou na edição desta 2.ª feira, sobre o que se passa em Myanmar. A repórter foi Hanna Beech. Revela ao mundo a violência dolorosa e mesmo lancinante na limpeza étnica executada sobre a população rohingya, residente no estado de Rakhine, na Birmânia, em zona fronteiriça com o Bangladesh.  
Na Birmânia, também conhecida como Myanmar, ocupa o cargo designado como Conselheira de Estado, mas equivalente a primeira-ministra, Aung San Suu Kyi, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz em 1991, em reconhecimento pela luta empreendida justamente pelos direitos humanos, no seu país. Cumpriu 15 anos de prisão domiciliária.
Trata-se, pois, de uma suprema e repugnante ironia que uma mulher laureada com o Nobel da Paz permita que seja possível às forças armadas do país que lidera actuar com a barbaridade e a extensão próprias de um holocausto. Ao contrário do esperado, não estará presente na AG das Nações Unidas. Prometeu dar explicações sobre os acontecimentos dos brutais e numerosos crimes dos seus militares sobre a população rohingya, maioritariamente muçulmana.
António Guterres, secretário-geral da ONU, o Papa Francisco e o arcebispo Desmond Tutu, este, também laureado com o Prémio Nobel da Paz e agora apoiante desiludido de Aung San Suu Kyi, já imploraram junto da primeira-ministra birmanesa no sentido do fim da violência sobre os perseguidos que, aos milhares, estão em fuga, a caminho do Bangladesh.
Do que ela, San Suu Kyi, disser amanhã, nada valerá para salvar milhares de vidas ceifadas, bem como para recompor famílias de que apenas restaram crianças de 2, 3, 4, 5 ou poucos mais anos de idade; algumas delas com as mãos decepadas, como narrava Hanna Beech numa das suas peças no ‘NYT’. Resta, apenas, o assumir do compromisso de estancar imediatamente com os massacres da autoria das forças armadas birmanesas.
Os líderes dos países ocidentais, e em especial os europeus, têm de ser empenhados e eficazes junto da Birmânia para fazer cessar a carnificina sobre a população rohingya. Têm de tomar em conta que, no seio desta população de fé muçulmana, se criou uma força de combate, a ‘ARSA-Arakan Ruhingya Salvation Army’. Os seus membros, em processo de radicalização e de pré-disposição para serem mártires pela causa islâmica, estão a ser aliciados pela Al Qaeda e, porventura, outros grupos de radicais, como o Estado Islâmico (Daesh). Entre as repercussões destas mais do que hipotéticas fusões têm de contar-se os riscos para a segurança em várias sociedades no mundo, em particular as europeias.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

The Proms in London 2017

O festival anual "The Proms in London", no Royal Albert Hall, realizado pela BBC, é indescritível para quem gosta e ama a música, esse delírio de júbilo do espírito pelo qual sou arrastado por um entusiasmo avassalador. Publico imagens de uma fatia do 'The Proms in London 2017', realizado em Junho. É ver, ouvir e sonhar. 
Bom fim-de-semana!



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Medina, o bufo, o MP e a comunicação social

O bufo, sobretudo na gíria política, é o ignóbil delator que, mediante perspectivas de interesses próprios e daqueles de quem é serventuário, usa a denúncia difamatória e covarde contra adversários. Foi assim no Estado Novo e, ao que se percebe, a prática retomou o percurso no MP da Dr.ª Joana Vidal - Compra de casa por Fernando Medina está a ser investigada pelo Ministério Público, anunciava ontem o jornal 'Público'
O meu objectivo não é defender Fernando Medina; nem ele precisa. O que me causa enorme revolta é, de facto, o mais do que aparente conluio entre o MP e certos órgãos de comunicação social que, sem olhar a meios, caluniam e injuriam quem, em democracia, pensa e opta por ideias diferentes - e não me venham com o argumento de que sou um defensor de Sócrates, porque, no caso deste, há diversos textos do meu blogue em que expressei a minha oposição ao anterior primeiro-ministro socialista.
Do que se trata apenas, e é muito, é da práxis recorrente da choldra do CM e CMTV se estar a propagar a outros jornais e canais televisivos, ditos de referência. O 'Público', de que sou assinante, também acusou Medina de fazer dois bons negócios
O bufo anónimo, o MP e certa comunicação social constituíram um triunvirato acusatório, ao nível do sistema judicial que Franz Kafka denunciou em 'O Processo', essa obra-prima da literatura publicada em 1925. 
Joseph K., a personagem principal, é processado e executado sem conhecer os fundamentos da acusação e sem ter exercido o direito de defesa. Há uma frase no livro, proferida por um padre, que é a seguinte:
- O veredicto não surge de imediato, o processo judicial transforma-se aos poucos em sentença.
É rigorosamente isto que se pretende fazer a Medina. Acusaram-no em Agosto, vão desgastá-lo através do processo em Setembro e esperam condená-lo à derrota no 1.º dia de Outubro. Não vão conseguir tal sentença, acredito.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Carta aos leitores do 'Solos sem Ensaio'

Amigas, amigos e leitores em geral,                                     
Circunstâncias da vida familiar e pessoal obrigaram-me a um longo silêncio; de resto, idêntico a outros do meu 'Solos sem Ensaio'. É um blogue despretensioso - nem poderia deixar de o ser - e onde exprimo opiniões, divergências, concordâncias e ideias sobre temas do dia-a-dia do mundo de hoje, dos políticos e da comunicação social que vamos tendo. Por vezes, publico uma ou outra melodia, porque, como disse Oscar Wilde, "a música é o tipo de arte mais perfeita; nunca revela o seu último segredo."
Com interrupções e limites de capacidade e disponibilidade, o 'Solo sem Ensaios' já atingiu há algum tempo mais de 100.000 visitas. Nunca esperei este resultado. Porém, as visitas diárias são à volta de algumas dezenas, apesar de eu ter abandonado há meses as redes sociais, mais precisamente 'twitter' e 'facebook'. De resto, do 'facebook' transformei-me em adversário duro, porque aí cometi um erro grosseiro com alguém, passei a conhecer gente má que tinha na conta de pessoas boas e, devo sublinhar, estabeleci relações óptimas com gente culta, de muita qualidade e que nem sequer conheci pessoalmente. No final de todas estas contas, passei a odiar o 'facebook' e prescindi tranquilamente de um meio de divulgação que atrairia muitos mais leitores para o meu blogue.
O 'Solo sem  Ensaios' vai, pois, retomar o caminho habitual, publicando os textos que, ao sabor do improviso e rigorosamente sem ensaios, produzo neste meu recanto.
Saudações a todos que me lêem.