quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Gestores ou predadores públicos?

Dia chuvoso e cinzento. Tempo agreste em País de escassa gente mandante que preste; em especial, políticos, no governo ou fora dele, gestores e administradores de instituições e empresas de propriedade e interesse públicos.
A propósito da inclemência pluvial em dia de casamento, usa-se o provérbio “boda molhada, boda abençoada”. Todavia, a jornada é de divórcio, materializado na alienação da PT pela CGD.
A CGD, segundo o presidente da PT, Henrique Granadeiro, ainda tinha bastante tempo para realizar a operação. Por outro lado, diga-se, é concretizada justamente no momento em que se desenvolve a fusão da PT com a brasileira Oi; fusão que já por si, e segundo se lê, favorece o domínio maioritário dos capitais brasileiros sobre os portugueses - pelo menos, Dilma, muito mais patriota do que o  PR e governo portugueses, congratulou-se com esse facto.
É difícil conceber que a CGD se esteja a despojar de um activo estratégico de tal valor neste momento sem que a tutela, na pessoa da ministra das finanças, tenha sido informada. Caso saiba do assunto, fica, uma vez mais, provada a incompetência da senhora; agora, para entender a afectação do interesse nacional pela venda de 6,11% (54.771.741 acções) da PT, enfraquecendo a posição portuguesa na dita fusão – para cúmulo, a CGD ficará com a insignificante e ridícula participação de 0,20% do capital da PT.
A empreitada da antipatriótica asneira foi cometida ao administrador da CGD, um tal José Matos. Em tão imbecil quanto lampeiro comunicado, os órgãos dirigentes da Caixa justificam: “esta venda faz parte de uma estratégia de desinvestimento em activos não estratégicos".
Quando, em plena era de imparável desenvolvimento das ‘Tecnologias de Informação e Comunicação’ a nível mundial – e a PT tem ‘know-how’ próprio em processos avançados de telecomunicação – estultas figuras do ‘neoliberalismo’, ministra incluída, aventuram-se, sem pudor, em justificações insensatas, próprias da ignorância de que não dão conta de existir dentro de si.
A despeito da crise e das “exigências” dos credores – chega de desculpas para tanta asneira! - o País precisa de mudar de rumo e consequentemente de mandar esta gentalha passear para bem longe. Talvez para o Saara, mas sem oásis à vista. Ainda os nacionalizavam, alienando a multinacionais.
Em sentido oposto, o astuto banqueiro Salgado diz: “BES continuará fortemente envolvido na criação de grande empresa multinacional de língua portuguesa”. Há banqueiros e aprendizes de sapateiro.