segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Cardeal Policarpo, Policromático e Politiqueiro

Faculdade de Engenharia da UCP inaugurada pelo cardeal Policarpo e Edite Estrela

A contradição de Policarpo é óbvia. Desrespeita as reiteradas denúncias e condenações da expansão da pobreza no mundo, formuladas pelo Papa Francisco. 
Aliviado de dirigir a diocese de Lisboa, o Cardeal Policarpo, ou o Cardeal das Caldas como alguns o chamam, decidiu dedicar-se à baixa política. Assume a defesa empenhada, diria mesmo militante, do governo de Passos e Portas; governo que, em dois anos, produziu falências em série, 400.000 desempregados, condenou milhares à emigração, 40.000 por ano, muitos destes jovens habilitados superiormente.
Então, Dom Policarpo criticou ontem com aspereza toda a oposição, defendendo o ‘plano da troika’ e o inclemente governo.
A cena oratória ocorreu perante duas centenas de pessoas e foi promovida pelo Secretariado da Acção Social e Caritativa da Diocese de Setúbal – crentes e não crentes da cidade jamais esquecerão as homílias e acção progressista de Dom Manuel Martins.
Sou agnóstico. Quando os notáveis da ICAR intervêm de modo desaforado e hipócrita na falsa defesa do interesse dos cidadãos, sinto revolta. E resta-me agir com o que sei a respeito de absorção de dinheiros públicos pela igreja.
Dom Policarpo tem também os pés nessa lama. Na qualidade de reitor da Universidade Católica que, anos a fio, consumiu vastos recursos do erário público, por exemplo. Destaquem-se os meios financeiros do País desperdiçados em conivência com Edite Estrela, uma socialista, presidente da C.M.Sintra à época, na construção da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa e infra-estruturas camarárias de suporte, funcionamento e acesso ao edifício (imagem acima). Hoje está encerrada e no seu ‘site’ pode ler-se:
Mas, no fim das contas, o discurso de Dom Policarpo acaba abstruso. Depois de se atirar de unhas e dentes a toda oposição nacional, terminou assim:
Afinal em que ficamos? A responsabilidade é de quem se opõe ao actual governo ou do sistema financeiro internacional que atingiu desde 2008 as economias ocidentais? Será melhor que Policarpo, em vez de policromático partidariamente segundo as conveniências do momento e politiqueiro de sacristia, se remetesse ao silêncio e à ascese, seguindo o exemplo do também emérito Bento XVI.