quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Estado caloteiro, credores temerosos

O Estado deve 2600 milhões de euros, na maior parte a fornecedores privados. Temerosas de retaliações, as empresas não se manifestam nos lugares e meios próprios - a lista de credores em branco é a prova da pusilanimidade empresarial: 
No sector da saúde, há pequenas e médias empresas que foram compelidas a despedir bastante pessoal. Uma firma de que é sócio um amigo meu, no último ano reduziu de 34 para metade o número de trabalhadores. Tem créditos sobre diversos hospitais do Estado superiores a 1 milhão de euros, sem receber um cêntimo há mais de 18 meses.
Paulo Portas, na oposição, em 2008, reclamava, de voz tonitruante e de dedo em riste, contra o facto de a lista de credores do Estado conter apenas 11 milhões de euros; “Apenas 0,4% da verdade”, sublinhava o então deputado.
Agora governante, nem insónias tem. O governo em que participa, no seguimento da tradição pecaminosa de governos anteriores e em desrespeito pelas próprias promessas eleitorais, prolonga o calote do Estado às empresas e muito menos denuncia a injustificada lista vazia – “Apenas 0% de verdade” deveria histericamente gritar agora o putativo vice-PM, no gesto jactancioso e melodramático com que se expressa; mesmo que, sem vergonha, essa teatralidade dos gestos sirva para revogar um pedido de demissão do governo, a qual, preto no branco, jurara ser irrevogável.
Divulga-se que agora, depois de mais de 72.000 empregos perdidos e da redução de 13,2 mil milhões de euros reduzidos no Valor da Produção Bruta, o IAPMEI, a CIP e a ACEGE - Associação Cristã de Empresários e Gestores irão, com fé, solucionar o problema e clamar em uníssono: “Ó Cristo anda cá abaixo ver isto!”.