segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Livro de Sócrates proscrito pela Jerónimo Martins



A administração da Jerónimo Martins recusou cumprir o acordo, antes firmado, de venda do livro de Sócrates nas lojas do grupo. TOMA LÁ QUE É DEMOCRÁTICO!, diria Camilo de Oliveira em reprodução da mensagem dos  'sketchs' que manteve na TV há anos com Ivone Silva.
Prefaciado por Lula da Silva, o tema tratado pelo ex-PM, 'A Tortura em Democracia', é de relevante interesse para o estudo político, cultural e social do fenómeno, a nível mundial.
Ao negar o reconhecimento de que a venda, compra e leitura desse livro forma um processo de divulgação cultural, distinto do exercício do poder do autor, em diversas situações questionável, consubstancia-se um acto de injustiça e falta de tolerância democráticas que, em Portugal, foram a marca de água da censura do Estado Novo. A liberdade de expressão é banida por quem pode, normalmente por quem o poder consente.
No mundo de tirania financeira, em que vivemos, seria muito mais justificado castigar severamente a família Soares dos Santos por, em momento de crise aguda do País, usufruir do imoral benefício de exportar lucros para a Holanda, para se furtar ao pagamento de impostos ao fisco português.
Acabaram com a Lever Portuguesa em prejuízo da economia nacional, exploram trabalhadores das lojas 'Pingo Doce'; enfim, cometem autênticos actos de tortura sobre milhares de cidadãos, mulheres e homens, através da exploração repugnante, de salários de miséria. 
Porém, essa conduta é, de facto, a única tortura permitida no 'Pingo Doce' e outros centros de funcionamento do sinistro grupo de merceeiros - a 'Pordata' não compensa tudo e agora fica-se na dúvida de que seja isenta nos critérios políticos de escolha de autores que publica.
Lula da Silva, se fosse vingativo, poderia influenciar a criação de direitos agravados para importação do azeite marca 'Gallo' no Brasil. Seria esta resposta que esta míope gente mereceria e, sobretudo, de países que, destacadamente, estão em processo de desenvolvimento - Angola é outro exemplo de efervescência política. 
O País, deteriorado por políticos e empresários sem ética, atravessa um dos momentos mais negros da sua História. Estamos de regresso à 'Inquisição'.