terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Afinal somos a Itália e a Bélgica, diz a S&P

Alegoria à S&P
Zona Euro melhora, mas Portugal não
Ui, a coisa está feia! Anda o governo a ufanar-se de resultados alcançados na meta do défice de 2013; a polvilhar-nos de entusiasmo do início de retoma económica; a propagandear sucessos de idas ao mercado de capitais com taxas mais reduzidas… e, de um momento para o outro, vem a agência de ‘rating’ Standard & Poors divulgar que, no fim de contas, Portugal não está assim tão bem. Bolas! Coitado do Camilo Lourenço. Ficou completamente despenteado – as figuras a que um individuo está sujeito, por ser activo apoiante de P&P, sociedade de governantes.
Ser como a Irlanda ou a Grécia, outro equívoco – de ‘PIIGS’ passámos a ‘PIB’
Não há mal que sempre dure, mas em certos casos perdura. Ainda ontem, e convictamente, escrevi neste ‘post’ que não somos a Irlanda nem a Grécia (ver frase sobre fundo amarelo), a propósito dos diferenciais das nossas taxas de juro em relação aos dois países. Da Irlanda, que beneficia de taxas bastante mais baixas, estamos a léguas.
De súbito, e de moral desfeita porque da infelicidade da maioria dos portugueses se trata, vem a Standard & Poors que diz coisa parecida e outras ainda piores. Emitem o parecer de que a Zona Euro tem perspectivas de recuperação limitada em 2014, precisando:
·        Irlanda e Letónia poderão beneficiar de revisão em alta da notação de ‘rating’.
·        Um grupo de 13 países deve manter a notação.
·        Portugal, Itália e Bélgica sofrerão de revisão em baixa.


Portugal, Itália e Bélgica, imagine-se! De PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) passamos a PIB (Portugal, Itália e Bélgica), acrónimo coincidente com o do Produto Interno Bruto. Até se fica com a sensação de que estão mesmo a gozar connosco. Destruíram a ‘periferia’, substituindo-a por os vértices de uma espécie de triângulo isósceles. Da geografia passamos para a geometria, sem exames do modelo ‘crato’ ou ‘cretino' – deixo à vossa opção.
Que dirá Cavaco?
Logo a seguir à sincera preocupação com o País e às aldrabices buriladas do governo, salta-me a inquietação de como reagirá Cavaco a esta tragédia. Na obsessão pelo estado emocional e reacção do PR, antevejo várias hipóteses. Porém, as que me merecem mais atenção são: ou homem desata a dar uma lição de ‘finanças públicas’ aos meninos da S&P ou poderá emocionar-se e vir a sofrer de uma apoplexia, como diria o Eça.
Sim, é bom lembrar que as agências de ‘rating’ deixam Cavaco em tal estado que, com algum tempo de intervalo, é capaz de afirmar uma coisa e o seu contrário – veja-se a reacção de 2010, favorável às agências, e a de 2011, desfavorável.
Portugal transformou-se em manicómio
Com a classe política existente, salvo raras figuras e algumas em fuga, o governo e seus apoiantes, o presidente Cavaco e os ‘Camilos Lourenços’ que por aí escrevinham disparates, tudo associado a um enorme grupo de cidadãos em depressão provocada pela crise, Portugal está, de facto, transformado em verdadeiro manicómio. Safam-se os que de cá se safam, emigrando.