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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A utilidade de ler Pulido Valente

Trata-se de um homem culto. Sem dúvida. Enfrenta o defeito de se fazer a mares encapelados. Ora, aderna a estibordo, ora a bombordo, em navegação estonteante. Todavia, nas ocasiões, mais raras, em que se deixa levar pelo mar calmo da razão, sem destilados rancores, é um autor de prosa útil e esteticamente agradável.
Sem cerimónia e no jeito frontal, despedaça Seguro, em certeira análise, na crónica publicada no ‘Público’, de que destaco o seguinte texto:
Creio que, recorrendo às fundamentações invocadas, é impossível deixar de chamar a Seguro, aquilo que, de facto, ele é e sempre foi: um inepto de graves limitações intelectuais e culturais, dotado de uma ambição infinita de ser primeiro-ministro de Portugal.
Com as características de personalidade que o marcam, a golpada, o populismo e a falta de honestidade são, entre outros factores negativos, os trunfos com que se propõe prejudicar gravemente a democracia e o hemiciclo da esquerda na AR. Que desapareça e depressa! E que leve mais uns quantos com ele!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Os políticos de hoje e o currículo de Rangel

Paulo Rangel, ex-presidente do grupo do parlamentar dos tempos de Manuela Ferreira Leite, bate forte e feio em António José Seguro, porque Martin Schulz, do SPD alemão, mudou para o campo dos opositores da ‘mutualização’ de dívidas na Europa. Quem mudou de posição, na essência, foi o SPD ao coligar-se com o par CDU/CSU de Angela Merkel. 
Schulz submeteu-se ao partido, à luz dos cânones da teoria e da práxis política da pós-modernidade, onde prevalece a falta de ética, os políticos amantes do sacrifício pela pobreza de milhões de cidadãos no universo e a protecção de multimilionários. Sem carácter, nem palavra.
Schulz é um dessa horda infame de políticos europeus e António José Seguro, sem formação cultural e política, além daquela que adquiriu na ‘jota’, está a recolher os resultados da desinformação que o fragiliza.
Paulo Rangel, um errante sem escrúpulos da política, já foi de tudo e de todos no braço direito do ‘arco do poder’. Quando trabalhou como advogado na Osório de Castro, Verde Pinho, Vieira Peres, Lobo Xavier & Associados, convidado por Xavier filiou-se no CDS-PP (2001). Quando Aguiar-Branco foi ministro da Justiça, desempenhou o cargo de secretário de Estado Adjunto desse ministério, transferindo-se para o PSD (2005). As deambulações de um homem sem coerência nem vergonha levaram-no a transferir-se para apoiante de Manuela Ferreira Leite, sendo nomeado presidente da bancada ‘laranja’. Para terminar a gincana, candidatou-se a dirigir o PSD e foi derrotado pelo actual líder, Passos Coelho.
Todo este sinuoso percurso é capítulo fulcral do currículo de Rangel. Que autoridade moral tem este homenzinho, que se curva e inclina com demasiada facilidade, para questionar quem muda de comportamento político? – Embora se trate de um trafulha como ele, chamado Schulz e alemão genuíno. Que pode fazer Seguro ou quem quer que seja para impedir o homem de dizer uma coisa hoje e amanhã o contrário?
Seguro se é vulnerável é pela sua própria insegurança em relação a domínios e políticas estratégicas para o País, e em especial as hesitações em termos de como gerir a dívida. O PS, acha Rangel, tem alguns militantes de topo que pensam diferente de outros acerca de reestruturação que, para os honestos e conhecedores de semântica, não significa ‘perdão de dívida’ – talvez seja uma interpretação do léxico tecnocrático anglo-saxónico que o ‘manifesto dos 74’ descarta.
Se no PS uns defendem uma solução e outros outra, ao citar o ‘manifesto dos 74’, pergunto a Rangel o que pensa ele da subscritora Dr.ª Manuela Ferreira Leite? Não responde. Como nada nos diz do servilismo demonstrado e exercido por Passos Coelho na submissão a Merkel, esta sim, muito mais lesiva para os portugueses do que um incoerente, político de terceira, chamado Schulz. No fundo, alma-gêmea de Rangel.  

sábado, 1 de dezembro de 2012

Hipocracia

Adoro as tardes de Sábado, no Chiado. O desfile é intenso.  Socialmente deparamo-nos com gente bem vestida, músicos, vagabundos e mulheres e homens de diversas nacionalidades.
O desfile é, de facto, inebriante, mas volto-lhe as costas e entro pela Rua Anchieta a dentro. Contígua à veteraníssima Bertrand. Confesso-me confuso em relação ao nome da rua: Anchieta? Ivens? Serpa Pinto? É pormenor de somenos. O importante é a feira de alfarrabistas, de bancas estendidas ao longo da rua.
No final da feira, oposto à Rua Garrett, deparei-me com um cartaz com a palavra:
HIPOCRACIA
Confesso ter sentido um sobressalto íntimo. De facto, a sociedade portuguesa está submetida a um regime de Hipocracia. Do governo, seria exaustivo enumerar provas. Limito-me, pois, às notícias do dia:
  • O incapaz Seguro diz que o PS não está disponível para fazer um assalto ao Estado Social? Depois de Sócrates e da revogação socrática das ‘leis laborais’, não é um Seguro, qual cacique a percorrer o País sem cessar para domar as hostes socialistas, que me convence da honestidade das declarações “socialistas”.
  • Isabel Jonet, cuja proclamação da multiplicação da pobreza, tem este fim-de-semana nas ‘grande superfícies’ a recolha de alimentos para o Banco Alimentar – A Dr.ª Jonet, em momento televisivo de cretina desumanidade ou incapacidade intelectual, teve o desplante de estimular a pobreza, quando tem a responsabilidade de combatê-la; não percebeu, nem está interessada possivelmente em considerar que o direito a uma vida e subsistência dignas, de qualquer ser humano, está muito, mesmo muito, acima da ideologia política do ‘empobrecimento’ de Passos Coelho.
Estes e outros episódios graves do nosso dia-a-dia levam-me a concluir que. efectivamente, vivemos tempos de Hipocracia. Com a ilusão de usufruir de um regime verdadeiramente democrático.

domingo, 29 de julho de 2012

Seguro, o cacique feliz

seguroSeguro pertence ao conjunto de políticos forjados nas ‘jotas’, no caso a JS. Os padrões e capacidades em geral dessa gente, em aspectos de ordem intelectual, cultural e de consciência de homens de Estado, estão a léguas de corresponder aos desafios da governação do Portugal actual. Além do mais, atravessamos tempos de crise aguda por efeito de acumulados erros internos (mais de 30 anos!), dos desmandos do sistema financeiro internacional e ainda da obstinada recusa das economias desenvolvidas, Alemanha à cabeça, para em definitivo extinguirem a crise ou o euro – quanto tempo e dinheiro, fora o descalabro do desemprego e de outras chagas sociais, já custou a milhões de europeus a persistência da crise? Com certeza, não foi a todos. Há sempre uns a quem a UE, a Zona Euro e por tabela o Estado Português facilita uma doce vida.
Seguro, seguramente, como Passos e Gaspar, é o chamado político instantâneo, estilo ‘pudim Alsa’ ou ‘penso rápido’, sem visão estratégica – propositadamente não cito Paulo Portas, porque esse, tenho de reconhecer, tem outra envergadura e eficácia na preservação da imagem para descrever sucessivas curvetas, arregimentando um conjunto de manipuláveis marionetas. Claro que não actua em consonância com o interesse nacional, entenda-se.
Seguro, a meu ver em acto de profunda hipocrisia, declarou-se um líder “muito feliz”, a propósito de António Costa reconhecer publicamente ter condições para, se necessário, candidatar-se a secretário-geral do Partido Socialista. Seguro está ciente de que, além de perseverante cacique, a correr e manipular potenciais eleitores do País rural e urbano, nada tem de comparável com as qualidades de Costa para pegar no leme, nas tenebrosas águas em que navegamos e às quais a política de Passos e da ‘troika’ mais turbulência acrescentará.
António José Seguro, sem nunca lograr ter transcendido a mentalidade provinciana, relembre-se, é um cacique em peregrinação pelas secções do PS por esse País fora. Ora se bate com anho e arroz no forno em Baião, ora petisca sardinha assada em Portimão. E assim vai captando votos.

domingo, 17 de junho de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O indestrutível e sólido ‘centrão’

passos e seguroArrufos e amuos são males menores de amor, diz a gente do povo. Uma vez ultrapassados, regressa a bonançosa paixão.
O ‘centrão’ é uma união de facto indestrutível, fabricada e mantida por políticos dessas duas centrais do poder, o PS e  o PSD. Há ocasiões em que estremece e ameaça ruir, acabando por  recompor-se com  solidez; desta feita, através de seguro caminho percorrido por passos matreiros.  
No esteio da tradição, os dois “ex-jotinhas” contemporâneos de então, reuniram-se e restabeleceram o diálogo. Seguro, no estilo do político errático e inconsistente, saiu satisfeito da reunião. O homem adora reuniões. Confiante, saudou:
A retoma do clima de diálogo que tinha sido interrompido