sexta-feira, 13 de julho de 2012

Porque hoje é 6.ª feira…Miguel Araújo

Porque hoje é 6.ª feira, o dia é ideal para encerrar a semana com alguém que me convidou para ver os aviões, inspirando-se na canção do Miguel Araújo.
Miguel Araújo é a figura actual em foco dos cantores-criadores da Invicta, prosseguindo o saga de Rui Veloso, Reininho e Abrunhosa. “Biba o Porto, carago!”. “Bibam também a Carla, o Zé Magalhães, o Adão, o Ricardo, a Noémia, o Zé de Freitas, a Alice, o Fernando Moreira de Sá, a Zita, o João Paulo e até o Nabais, coimbrão, que petisca em Matosinhos, à beira da lota!”.
Tu, JJ, és de Coimbra e a saudação passa por outras vozes, Zeca e  Adriano, e bebe um copo á nossa no Santa Cruz, no Montanha ou noutro local à tua escolha. A música fica para a semana.

Coelho e os conspiradores Almunia, Moura Ramos e Bagão

Coelho ameaçado
O comissário Europeu, Almunia, recomendou:
Almunia fez esta recomendação, através da comunicação social, à margem da conferência proferida na Universidade Católica, em Lisboa; local que, aliás, parece estar a transformar-se em fatídico para o governo. Já Michael Porter, no mesmo anfiteatro, deixara há dias Paulo Macedo em estado de pré-apoplexia, ao afirmar que cortar nos valores pagos a profissionais de saúde era um erro grosseiro.
O presidente do Tribunal Constitucional, aos microfones da Antena 1, entre outras considerações, transmitiu a ideia de que o governo, em particular o PM, não soube interpretar o texto do acórdão daquele tribunal. Criticou a imaturidade do PM, ao admitir a extensão da medida aos trabalhadores do privado, sem ter reflectido no conteúdo do acórdão; isto, minutos antes de entrar para uma sala de espectáculo.
Para fechar o funesto ciclo de declarações antigovernamentais, Bagão Félix disse:
Coelho, na sua coelheira de Massamá e sem Relvas por perto, mas ao telemóvel, concluiu que Almunia, Moura Ramos e Bagão Félix aderiram ao BE. São conspiradores e críticos levianos do desempenho governativo. Vem aí a 5.ª avaliação da ‘troika’ e isso é que vale – o FMI, em Washington, já admite que Portugal não cumprirá a meta do défice, mas até na instituição de Lagarde há infiltrações de bloquistas. “Uma corja de conspiradores”, desabafa – feras que atacam um pobre e pacato coelho, acrescento eu.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As frases bombásticas de Relvas

tique
Relvas tem a faculdade rara de criar frases susceptíveis de causar enorme perplexidade, caos mental e até tiques em quem as escuta. Veja-se no estado em que esta militante do PSD ficou, quando ouviu na rádio  a notícia:
Bombástico!, avassalador!, estrondoso!, bom não há palavras para qualificar este pensamento. Que estremece e perturba quem quer que seja.
(N.A.: Sr. Ministro eu teria preferido dizer “procura permanente do conhecimento”; mas, deixe lá; é um pormenor de semântica e, por outro lado, o conhecimento permanente, se se falar de pessoas influentes, é mais útil para a vida).

Ao pé do mar, ao pé de ti

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo vão ser reprivatizados, anuncia-se.
Será que este, à semelhança de Catroga, Arnaut e de não sei quantos mais, já está a candidatar-se a gestor? Sempre é um homem do norte, carago! Pesado e desconchavado, mas facilmente encontrará casa espaçosa em Afife… “ao pé do mar e ao pé de ti”; sim de ti, prémio compensatório para quem está temporariamente sitiado em terra de mouros.

Afinal estão todos a tramar Duarte Lima!

“Estou absolutamente inocente”, declarou Duarte Lima á Visão, adiantando um conjunto de argumentos "irrefutáveis" e de diversa natureza. Vamos por partes:
Falta de prova factual
O homem acompanhou Rosalina a Saquarema na noite do crime, citou uma tal Gisele, ou lá como se chamava a criatura, com quem deixou a vítima; a polícia não se deu ao trabalho de localizar a Gisele; disse à polícia não se lembrar da marca do carro que utilizou, nem do stand, pensando – logicamente! – tratar-se de uma conversa informal com a polícia, espécie de bate-papo entre dois chopes e sem gravador; afinal o polícia era malandro, deturpou o facto principal da prova alterando os relatórios periciais… é demais!.
Nesta explanação, o Lima burila a questão de tal modo que a prova factual se evaporou. – Sim, se evaporou meu bem. – disse-lhe a cabrocha amiga no ouvidinho, em atitude de conforto.
Investigação por encomenda
A polícia de investigação criminal brasileira é indolente; só trabalha por pressão e encomenda; mas é moderna, usa Internet para recepcionar pedidos de investigação; não se sabe qual o meio utilizado, mas Lima garante que a investigação foi feita a pedido de Olímpia e do afilhado de Rosalina e a polícia ajudou a urdir a trama.
Conclusão: todos contra o Lima, até os policiais como se diz no lado de lá. O facto de Rosalina, que na noite do crime esteve com Lima, ter sido morta é irrelevante para a investigação; o importante e grave é o caso ter sido investigado por encomenda. – Sim, meu bem, você está certo, tudo foi encomendado. – aprovou a cabrocha meiga com novo  gesto de consolo.
Final do episódio
Ficámos a saber que, afinal, todos estão a tramar Duarte Lima – Olímpia Feteira, o afilhado da Rosalina e até a polícia brasileira. Aguardemos os desenvolvimentos.
Outras histórias
Sobre outros casos em que está envolvido, BPN e ‘Monte Branco’, Lima achou inoportuno falar. Falará, porventura, lá mais para a frente. Não se sabe quando. A justiça portuguesa já enfrenta dificuldades de tempo para burilar peças menos dúcteis, quanto mais uma lima desta espécie!   

A Democracia Iliberal em expansão na Europa

manifestação em madrid
Fonte: Jornal ‘Público’
Fareed Zakaria, ensaísta e jornalista editor da ‘Newsweek International’, faz uma espécie de decantação de dois conceitos, normalmente imbricados: democracia e liberdade.
A democracia corresponde à vontade expressa pelo povo em eleições livres e justas. Segundo o ensaísta, a liberdade, ao contrário do que se pensa, nem sempre caminha de  mão dada com a primeira. Dá os exemplos de Hitler e de Hugo Chavez, democraticamente eleitos, para ilustrar a teoria que sustenta.
Se Fareed actualizasse o texto do livro ‘O Futuro da Liberdade’, teria de contextualizar o que hoje se passa em diversas sociedades europeias, em termos de repressão de liberdades. Aplicando aos fenómenos de violência policial na Europa o conceito do que ele classifica de ‘democracia iliberal’.
Rajoy, como políticos gregos, italianos e portugueses, não foi sufragado para se valer de brutais acções de violência policial sobre manifestantes que contestam a austeridade, ou seja, o desemprego real ou potencial, a precariedade das relações de trabalho, a carestia da vida em crescendo, a pobreza e até a miséria em expansão.
Sucede que Rajoy, para vencer o sufrágio, contestou publicamente a hipótese de aumento do IVA ponderado por Zapatero, prometendo, pois, não tomar essa e outras medidas adversas aos cidadãos. Uma vez ludibriados, estes protestam. Qual a surpresa?
Cá como lá, a receita cega e socialmente insensível da austeridade está a dar origem a climas e confrontos sociais e físicos que, infelizmente, os políticos do poder e parte da oposição se mostram incapazes de entender. Um dia perceberão à força, muito possivelmente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Dinheiros e endinheirados do ópio do povo

futebol e pobrezaÓpio do povo, o futebol é vício de massas desde sempre grato e estimulado por políticos. Mas não só. Com o correr dos tempos, a indústria do ‘pontapé na bola’ foi-se erigindo com explosivo desenvolvimento.  Terreno fértil de negócios de milhões e milhões captou, naturalmente, os interesses de outros parceiros atraídos por elevados rendimentos: empresários, líderes e funcionários de organismos de futebol nacionais e internacionais, e ainda os dirigentes remunerados dos clubes. Os mecenas cederam o lugar aos sugadores.
O vício é patológico e de raízes profunda e transversalmente populares. Um desempregado e um licenciado bem sucedido profissionalmente partilham, no mesmo café, de idênticos sofrimentos, ansiedades, euforias e desilusões suscitados pelo jogo. Um iletrado e um engenheiro, lado a lado, esbracejam, agitam-se, gritam “goooooolo!” ou chamam, a plenos pulmões, “filho da puta” ao árbitro. Fazem-no como exercício de impecável sintonia, conquanto jamais se tenham conhecido antes; muito menos ensaiado a cena.
Destas emoções convulsivas do ‘Zé povinho’, os governos, sobretudo em tempos de crise, retiram dividendos sociais.
Abjecta se ponderada seriamente, normal se avaliada pelos desígnios, a medida do Governo Madeira de distribuição de 10 milhões de euros pelos clubes da região insere-se, pois, neste outro jogo da política, à roda do jogo da bola, que é garantir o ópio à malta.
Nós, aqui no Continente, não temos motivo para nos sentirmos de casta diferente. Para evitar o desgaste de examinar políticos, basta ver as contas encerradas em Junho de 2011 das SAD’s do Benfica e do F.C.Porto. Concluiremos que, nos “encarnados”, há dois dirigentes que auferiram 614.515 euros anuais, ao passo que, nos “azuis-e-brancos”, a totalidade paga a Administradores no mesmo período atingiu 3.080.000 euros.
Como diria o malogrado Perestrelo: “É disto que o povo gosta!”.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O liberal e funcionário público Pedro Lomba

Sim, embora o que escreve leve a entender o contrário, Pedro Lomba é funcionário público, exercendo funções de assistente na Faculdade de Direito de Lisboa.
Ser funcionário público e politicamente liberal pode converter-se em trajecto complexo, às vezes bifurcado, o que compele Lomba a escolhas de itinerários sinuosos.
Na crónica do ‘Público’, e à laia do pigmeu ambicioso na imitação de Proust, começa por recorrer à história do mito grego de Procustes. O conto não termina com a triunfal vitória de Procustes sobre a igualdade dos atenienses, apregoada no Areópago. Teseu matou-o, aplicando-lhe a mesma tortura. Pedro Lomba infere, então, que os juízes do Tribunal Constitucional (TC) acabarão como Procustes.
O acórdão do Tribunal Constitucional (TC), diz Lomba, admite que quem recebe por dinheiros públicos não pode ser colocado em pé de igualdade com os privados; o autor do artigo ignora, porém, o conteúdo da alínea c), de I – Introdução, onde se lê:
c) No âmbito dos reformados e aposentados agora abrangidos, incluem-se também os do sector privado, deixando de se estar, portanto, perante medidas apenas direccionadas para pessoas ligadas ao sector público, muito menos para “servidores públicos”;
Este velho jogo de viciar premissas para chegar a uma conclusão, que Lomba persegue no artigo, não passa de primário sofisma.
Com a abrangência dos pensionistas do sector privado fica desmistificada a tese, já de si falseada nos pressupostos, de que se atendeu a maior segurança de emprego dos fp’s. Os pensionistas privados descontaram durante décadas sobre 14 mensalidades e o contrato com o Estado representava – e representa! – a obrigação da Segurança Social garantir o pagamento de 14 pensões anuais.
A solução encontrada pelo governo foi desenhada à medida de interesses políticos – obstar a conflitos com os trabalhadores do sector privado no activo – e da redução da despesa pública; justamente porque o corte no sector privado teria forçosamente de se revestir da forma de aumento da receita, e obviamente de impostos.
Uma última verdade: os pensionistas do privado formam um grupo enorme e inorgânico, de nula capacidade reivindicativa. Portanto, um alvo fácil para o governo.  
Condenar os juízes do TC, com interesseira omissão de parte substantiva do acórdão, é fazer trapaça. Ser liberal e funcionário público não impede, antes exige, a obediência a regras de honestidade intelectual. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Macedo terá apreciado as mensagens de Porter?

Michael Porter é há muito um dos ‘globetrotters’ da consultoria. Professor de ‘Harvard’, goza de prestígio de sabedoria, em temas de competitividade e estratégia.
Porter esteve em Portugal em diversas ocasiões. No entanto,  assume especial relevância a visita de 1994, a convite do então ministro Mira Amaral. O objectivo foi diagnosticar e prescrever um modelo de desenvolvimento estratégico para a Economia Portuguesa. Em termos práticos, e pensando que ao professor norte-americano não devem ser assacadas responsabilidades, a receita não resultou. Porque simplesmente nem tão pouco foi aplicada. Agora, a convite da Católica, voltou para falar de saúde. o ministro Macedo esteve presente.
Duas ou três ideias se podem extrair, mesmo sem grandes preocupações analíticas, das palavras de Porter:
  • O aumento dos co-pagamentos [taxas moderadoras] e a redução dos salários dos médicos e enfermeiros são o tipo de medidas que não criam valor.
  • Criar valor é pensar em todo o ciclo do doente e o pagamento tem de deixar de ser por acto mas por todo o pacote de cuidados.
  • A medição dos custos e dos resultados de todos os pacientes foi outra das propostas apresentadas.
Como autor do conceito de ‘cadeia de valor’, Porter assumiu não ser positivo para qualquer sistema de saúde desvalorizar a prestação de partes decisivas dos processos do trabalho médico-hospitalar -médicos e enfermeiros - desprezando, indirecta mas concretamente, os ‘doentes’ que formam núcleo crucial para a concepção da organização sistémica. Contudo, as ideias de Porter não são providenciais. Há que fazer a ponderação entre as suas teorias  e a estratégia social efectiva do SNS.
A despeito desta última reserva, e atendendo que os sistemas de saúde da Alemanha e Suécia foram referidos, tenho dúvidas de que Paulo Macedo tenha apreciado as mensagens de Porter.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Passos admite alargar cortes de subsídios ao privado - Economia - PUBLICO.PT

Passos admite alargar cortes de subsídios ao privado - Economia - PUBLICO.PT.
E se nós portugueses, em grande maioria da direita à esquerda, decidíssemos cortar de imediato e celeremente a carreira política deste sabujo?
Passos Coelho
À semelhança do antecessor, começa a haver razões para o afastar da liderança do País. E até socialmente mais graves!
É urgente passar à acção.