sexta-feira, 4 de maio de 2012

Jardim a desbaratar o nosso dinheiro

De Alberto João Jardim, como político e homem,  nada surpreende.  Destemperado e boçal no comportamento e sem o menor respeito por compromissos políticos sobretudo com o poder central, tudo se pode esperar, do pior claro, da vida pública de Jardim.
No entanto, como o homem é do PSD, partido dominante da coligação e há um enxame de anteriores dirigentes ‘laranja’ lhe acham imensa piada, até o Sr. Silva e o Prof.Marcelo, o político madeirense persegue a marcha imparável da indisciplina, da prepotência e do total desrespeito pelo interesse nacional. Agiu sempre com um grande à-vontade, certo da conivência e dos receios de quem o deveria punir. É um dos nossos inimputáveis.
Agora, nas barbinhas do troca-tintas Coelho e do pastoso Gaspar, AJJ vai emprestar – ou esbanjar? – 259 milhões de euros, de fundos públicos a 5 sociedades de desenvolvimento (?) regional, todas em situação de falência técnica, dizem o Tribunal de Contas e a Inspecção-Geral de Finanças.
Acrescente-se que a referida verba provem do financiamento de 2012, no âmbito do Programa de Ajustamento Financeiro.
Caso para lhe dizer: “Ó filho ajusta, ajusta que os funcionários públicos no activo e reformados, e ainda os pensionistas da privada, com os restantes portugueses, pagam e o Gaspar de ti tem medo…desbarata lá o nosso dinheiro!”.
Ah, esquecia-me: “A culpa é sempre do Sócrates, de maneira que estás à vontade, Alberto João…” 

‘Pingo Doce’: Soares dos Santos encornado

alexandre soares dos santos
Soares de Santos, o encornado
Alexandre Soares dos Santos, segundo o ‘Sol’, não teve conhecimento da operação de promoção do ‘Pingo Doce’ no 1.º de Maio.
À semelhança de Henrique Granadeiro há uns tempos, na PT, foi encornado. Neste caso, os traidores foram os ‘marketers’ do ‘Pingo Doce’.
Porém, os malandros têm sempre sorte. O tio Alexandre é compreensivo, não o repugna ser corno  - nestas circunstâncias, entenda-se - e acabará por premiar toda a equipa de marketing do PD. Até o Estado português, ao que se anuncia, será contemplado com uma verba de 15.000 a 30.000 “euritos” de coima, porque isto de fazer ‘dumping’ em Portugal é muito económico. Mesmo em negócio de milhões. Somos muito competitivos.
Walmart, Tesco, Sainsbury, Safeway e outros, venham até cá e aprendam. Têm é de pedir desregulação total aos governos dos países onde têm lojas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sarkozy, a derrota anda por aí


Sacré Coeur
Comemorar vitória antes de tempo é, de facto, um exercício arriscado. Se falhar, o incauto optimista sai murcho e machucado.
Todavia, depois do debate de ontem, em que Sarkozy, nervoso e desastrado, saiu de gatas e por Hollande cilindrado, há acrescida crença na vitória do candidato socialista, nas presidenciais francesas do próximo Domingo.
A cimentar a confiança em Hollande, surgiram sondagens após o debate. Todas lhe são favoráveis. Sondagens são sondagens, valem o que valem, mas os peritos e privilegiados no acesso ao oráculo do Sacré Coeur, em Montmartre, juram que o candidato socialista será o preferido. Um candidato, diga-se, católico para uns, judeu para outros, mas confesso defensor da população islâmica. Religiosamente transversal e admirado em todos os credos. Oremos e veremos.
Segundo os presságios das sondagens, sempre malditas se adversas, Sarkozy sofreu novo revés no objectivo de permanecer no Palácio do Eliseu, mais precisamente na Rue Faubourg Saint-Honoré, 55, VIII arrondissement, Paris.
Para desilusão de ‘Sarko’ – e de Merkel, por que não? – o centrista Bayrou, ao contrário da Le Pen que votará em branco, declarou que depositará o voto a favor de François Hollande.
Um conselho:
“Sarkozy, mergulha a alma, a devoção e dirige uma sentida prece ao Senhor; na Notre Dâme ou junto do divino juiz no Sacré Coeur; porque, Sarkozy, a derrota anda por aí e nem os amparos vocais e  sensuais da Bruni compensarão a dor da fuga da vitória”.
Hollande? Inshallah!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dissequemos a operação ‘Pingo Doce’

fotoPDA singular, porque original e arrojada, operação de promoção no 1.º Maio dos supermercados ‘Pingo Doce’, da Jerónimo Martins, pode ser analisada em diversas vertentes. Dessa diversidade, destaco os capítulos principais:
1) Acção de marketing:
A JM, em bem conseguida operação de marketing, centrada na redução drástica da variável preço, disponibilizou aos consumidores que, no 1.º de Maio, adquirissem, pelo menos, € 100,00 um desconto equivalente a 50%. Sem restrições ou exclusões das inúmeras classes de produtos, dos alimentares a bens não duráveis – dito de outro modo, da margarina ao micro-ondas, passando pela cerveja e o vinho, o ‘Pindo Doce’, nas condições referidas, concedeu um valioso desconto de 50%. A acção de marketing, uma vez colocada no terreno, revestia-se da probabilidade do enorme sucesso registado, ainda que com os conflitos e o ambiente de guerrilha vivido nas lojas.

O desemprego e o descaramento de Passos

Ontem, ao ver Passos Coelho profanar o ‘Dia do Trabalhador’, com o descarado discurso do desemprego nos próximos anos, pensei e disse de mim para mim: “Olha este gajo já sabe que a taxa de desempregados aumentou e está a preparar o pessoal para a má notícia que aí vem”.
Publiquei este ‘post’ de repulsa pela figurinha – ou figurão? – que nos saiu em sorte para PM, a seguir a um outro que, bem vistas as coisas, inaugurou o ciclo político dominado pelos meninos ex-jotas; todos, embora com nuances, diga-se, com uma sede  enorme do  exercício lesivo da governação de Portugal e da vida dos portugueses; para mais, sem que estejam, de facto, habilitados a fazê-lo. A não ser captar proveitos pessoais, ressalve-se.
O que congeminei e concluí, muita gente o fez, penso. Não me arrogo, pois, do cometimento de sábia e rara inteligência. De tal forma, estes meninos são destituídos de bom senso que os truques de comunicação burlesca, se revelam facilmente previsíveis, aos olhos de todos.

Desemprego: 15,3% diz o Eurostat

Ora hoje tivemos a justificação da suspeita: aqui e aqui, a comunicação social divulga que a Eurostat, em relação a Março passado, registou um aumento da taxa de desemprego para 15,3%, em Portugal. Continua, pois, o governo a assegurar presença no pódio dos mais altos valores dessa chaga na UE de 27 países. Consolidámos, de facto, o 3.º lugar dos países líderes, com os tais 15,3%, a seguir a Espanha (24,1%) e à Grécia (21,7%).
Com esta Europa que, a partir de Berlim, impõe a via única da política monetarista e draconiana do controlo do défice, sem crescimento e emprego, em óbvio detrimento da qualidade de vida dos cidadãos, os milhões de desempregados, em particular os jovens ou mais idosos, desocupados de longa duração, poderão um dia vir gritar: basta! E exigir o fim das políticas de austeridade de que Coelho e sua trupe são dos mais severos e desumanos executores, a mando dos directórios externos.

Antevisão da partida dos governantes

Lá regressará o Coelho ao trabalho com o Correia, o Gaspar para o FMI, o Álvaro para o Canadá e o Relvas para o Brasil. Com ou sem Mota e de Cristas em baixo, Portas relançará a carreira parlamentar, com o carisma teatral que lhe é próprio - como não fosse nada com ele.
Quem se seguirá? Outro jota. Porra! Somos um povo com o destino marcado. 

Ó Alexandre, emprega lá estes, por favor

pingo_doceOs blasfemos estão em incontido delírio. Um rodopiou extenuado pela diversão, até à apoplexia final.  O sucesso da promoção Pingo Doce, no 1.º. Maio, cativou-lhe a emoção . Diz que não estamos perante a concertação social, mas está certo do mérito e humor da jornada de marketing da insígnia do Alexandre,  ‘O Grande Merceeiro’: “Isto é de facto hilariante”. Riu-se horas a fio, com gargalhadas soltas e sonoras, a pontos de ser encaminhado de urgência para o HSM, devido a imobilização dos maxilares. Coitado, paralisou o riso de  boca aberta, ao deglutir sofregamente o êxito de uma jornada de  civismo e ética indescritíveis. A que não faltaram confrontos verbais e físicos entre populares, mediados pelas forças da PSP, sempre dóceis e generosas (no ‘porradum’). As bebidas alcoólicas foram dos produtos que mais depressa se esgotaram das prateleiras e, portanto, é natural que os ânimos se tivessem volatilizado em acaloradas exaltações.
Outro, utilizando o mesmo epíteto, 1.º Maio Subversivo, foi mais parcimonioso. Limitou-se a publicar o logótipo da insígnia. 
Confesso que ainda estava na expectativa de ler uma terceira. Mas, ao que consta, a mulherzinha, serva do trabalho doméstico, esteve de serviço como cliente activa da promoção. Coitada, no meio empurrões e apalpações anónimas e incómodas, lá conseguiu retirar do linear das carnes as costeletas, o bife, o lombo, a robusta salsicha alemã e demais enchidos; depois, nos frescos, aviou-se com tomates e agriões. E assim continuou, percorrendo a loja até encher o ‘chariot’. Sem que se safasse de mil e um encontrões; mas fazia parte do desafio à helénica figura.
Um feriado é por norma um dia diferente dos demais e a vida é assim. Uns teclam comodamente algures num local sossegado, outra dá o corpo ao manifesto na promoção do Pingo Doce.
Ó Alexandre, faz de conta que é o Medina que te suplica, arranja lá uns empregos para este trio. Nem que seja na Holanda, na Polónia ou na Colômbia. As  ‘cofee shops’ holandesas vão ser interditas a estrangeiros, mas há sempre um lugar para ganzar, no futuro, um 1.º de Maio tão histórico e entusiástico na vida deles.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O que é que este gajo merece?





Pronunciadas no Dia do Trabalhador, na presença e com os aplausos de falsos ou pérfidos trabalhadores, autodenominados social-democratas (Arménio Santos e Pedro Pinto, por exemplo, estavam lá) as palavras infames de Passos Coelho foram:

Teremos de estar preparados para nos próximos dois ou três anos viver com níveis de desemprego a que não estávamos habituados, porque ele não vai baixar imediatamente
Este “bon vivant’ da política e da vida social, que se deu ao luxo de começar a trabalhar aos 37 anos e ter emprego assegurado, quando quis, junto do amigo Ângelo Correia, com a naturalidade e a insensibilidade nefastas de ampliar o caos social em que o país vive, sim este podre ‘bon vivant’, barítono das canções da “Doce”, o que merece ? Um corte ainda mais radical do que os preços da abjecta promoção do “Pingo Doce”. As lojas desta insígnia replicaram na perfeição os pontos de retalho dos tempos de Brejnev na URSS, em dias de prateleiras cheias.
Construindo uma sintonia entre o PM e a cadeia PG, penso que talvez mereça a sorte do prepotente e corrupto ditador soviético. Ou pior ainda. Quando ? O tempo exacto chegará. Porque é exacto e proibitivo não acreditar.

sábado, 28 de abril de 2012

De cérebro perturbado

Da prosa cambaleante de Vasco Pulido Valente, o Público dá á estampa um artigo: “De mão estendida”. O texto é hábil e sinuoso, com o propósito de diabolizar a esquerda por tudo quanto pretende para a Europa e o modelo social europeu.
Começa por ser generoso com Mário Soares, ao justificar a ausência do veterano político nas comemorações do 25 de Abril na AR. Foi uma reacção ao afastamento da Europa (“não de Passos Coelho”, sublinha VPV) do projecto com que sonhou há 40 anos.
Cumprida esta retórica panegírica a Soares, malha forte nos maus, a esquerda, face à virtude dos bons, a direita neoliberal, cujos propósitos e a acção são infelizmente sentidos na dura vida de milhões de europeus. Que o digam os mais de 5,6 milhões de desempregados em Espanha, número que, diz Rajoy, poderá chegar a mais 7,5 milhões em 2016. Ainda há dias, o insuspeito Jaime Nogueira Pinto declarava publicamente que, nos tempos actuais e contando com os chamados derivados, os activos financeiros no mundo são equivalente a 14 vezes o valor dos activos económicos. 
O sublimar artigo termina em empenhada defesa da Alemanha. Coitado de país esse, a que se exige agora pagar os devaneios a Portugal, à Grécia, a Espanha, a Itália e, um dia destes, à França e à Holanda.
VPV não quis perceber  e pelos vistos ignora provas históricas de que todo o esquema de financiamento de subsídios europeus teve uma origem, o Centro da Europa, mas também centro de retorno, com reembolsos e altos juros pagos aos financiadores. Sobretudo, os alemães que, à semelhança do final da II Guerra, foram alavancados por ajudas externas, essas sim verdadeiras ajudas, que Merkel ostensivamente ignora, mas Helmut Schmidt não esquece.
Da mão, percorramos o caminho até ao topo do corpo humano, a cabeça. E reformulemos o título do artigo de VPV com o epíteto apropriado: ‘De cérebro perturbado’ .

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Espanha: a calamidade do desemprego

o desemprego em Espanha
Fonte: El País
O desemprego em Espanha atingiu a elevadíssima taxa de 24,44%, afectando 5.639.500 cidadãos.
Lá como cá, Rajoy acredita – acreditará? – que a liberalização das leis do trabalho ajudará ao desenvolvimento e à recuperação dos níveis do emprego. No entanto, sempre vai dizendo que o seu governo espera a eliminação total de 630.000 postos de trabalho em 2012.
Lá como cá, Rajoy ou Passos Coelho cometerão massacres sociais graves, impossíveis de, no futuro, não serem objecto de julgamento severo por milhões de cidadãos que os sofrem.

Que Hollande também derrote Merkel

Joseph Stiglitz, segundo o Jornal de Negócios, afirmou:
"A Europa está próxima de um suicídio"
Se alguma esperança resta a milhões de europeus, no combate ao projecto de empobrecimento e precariedade de vida inerentes às políticas de austeridade, impostas pela Alemanha, está centrada em François Hollande.
A vitória sobre Sarkozy, que não deve ser cantada e festejada antecipadamente, tende a constituir um resultado provável. Porém, François Hollande, se vencer, está obrigado a cumprir os compromissos perante os apoiantes, milhões de cidadãos não confinados ao seu eleitorado e à limitação das fronteiras de França. Em especial povos do Sul da União Europeia não suportam mais a absurda penitência de ter de obedecer à despótica  Merkel; cuja falta de legitimidade, indevidamente seguida por Passos e Gaspar em Portugal, não é impeditiva de decidir da vida de quem a não elegeu ou escrutinou para um mandato de grande severidade social à escala pan-europeia. Merkel diz:
Se Hollande quiser, acrescento eu. Aguardemos.