domingo, 18 de maio de 2014

A frase do ano!

Chegou-me através de uma amiga (MJC), mas não resisto a publicar:

O registo de humor não anula a triste realidade do caminho mais fácil das farmacêuticas na direcção do lucro. Em correspondência, aliás, a desejos de exibicionismo e prazeres pessoais que, característicos da perversidade e da superficialidade da vida humana, levam laboratórios e as sociedades em que vivemos a desprezar sérios problemas patológicos incuráveis e destruidores dessa mesma vida. E qualquer de nós não pode garantir estar livre de cair nas complexas malhas do Alzheimer.
Drauzio Varella é, de facto, uma figura muito prestigiada no Brasil, como oncologista, cientista e escritor. Vale a pena reflectir nos seus pensamentos.

sábado, 17 de maio de 2014

O provincianismo e as falácias planfetárias

O Conselho de Ministros (CM) realizou hoje a burlesca reunião do fim do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), o que não corresponde de forma alguma a uma ‘saída limpa’, mas na verdade ao tipo de ‘saída condicionada por poderosos parceiros do Norte da Europa, sob o comando da Alemanha’; muito menos à ‘saída da troika’ – até reembolsarmos 75% do empréstimo ao tenebroso triunvirato, 2030, Portugal estará sujeito a vigilância permanente e, portanto, não se ficará limitado ao controlo das propaladas visitas semestrais. O Ministério das Finanças será anfitrião de visitas frequentes de técnicos de segundo plano do FMI & Cia..
Agora, depois do PAEF e das gravosas medidas que lhe adicionou, o governo de Passos Coelho persiste em ludibriar os portugueses com o topete de que o País atingiu um estado de regeneração económico e financeiro sublime. Falso, profundamente falso.
A pobreza e milhares de famílias na miséria, que é a expressão mais dramática dos pobres, aumentaram; o tecido económico sofreu a destruição causada pelas políticas governamentais, as quais, em síntese, assentam na absurda e carregada de ligeireza estratégia de fazer aumentar as exportações, a todo o vapor.
No fundo, saliente-se, os resultados das vendas ao exterior dependem em parte substancial de dois operadores, AUTOEUROPA e PETROGAL, sucedendo que esta última, em termos de VAN – Valor Acrescentado Nacional ainda é mais incipiente do que a primeira. A contracção reflectida na quebra de – 0,7% do PIB do 1.º T deste ano é elucidativa e a AUTOEUROPA já desmentiu o governo.
É neste ambiente restritivo da capacidade de oferta ao exterior – importamos petróleo, exportamos vinho - que Portugal se confronta com dificuldades, das quais levaremos duas décadas a erguer-nos. Dependemos muito das políticas da política monetária da Zona Euro de onde, come se sabe, sopram ventos erráticos, susceptíveis de serem contra a corrente do nosso desenvolvimento socioeconómico e a favor das potências nortenhas.
Pouco há acrescentar a este role de infortúnios quanto ao conteúdo que é facilmente imaginável. Talvez possamos denunciar actos periféricos: o provincianismo do Sr. Moedas a exibir o documento em inglês, “The Road to Growth”.  Curiosamente, as traduções do ‘Memorando de Entendimento’, esta feita no blogue “Aventar”, e outras de documentos em inglês do FMI neste meu modesto blogue comprovam-no. Só tardiamente ou nunca, as autoridades portugueses entenderam divulgar em português os conteúdos de documentos fundamentais.
Por último, é imperativo destacar a seguinte afirmação do Sr. Moedas:
Este último período é a súmula das anacrónicas falácias planfetárias do governo, porque ‘os portugueses querem justamente voltar para trás’: nos salários e reformas da função pública, nas pensões do sector privado, na tributação de impostos, IRS e IVA, nas leis laborais, na taxa de desemprego, na dívida externa do País e em outros aspectos que este vídeo refere.
Sr. Moedas, como vê, não se trata de questão de trocos... 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O "sucesso da troika", contado pela Rádio Renascença

De facto, não se trata de um vídeo do BE ou de órgão de informação afecto ao PCP. É, pura e simplesmente, uma narrativa da Rádio Renascença do "desvio quase colossal da troika" que - acrescento eu - provavelmente a coligação governamental vai comemorar no Conselho de Ministros do próximo dia 17 de Maio:


Elucidativo da competência do Coelho, do Portas, da Albuquerque e infalivelmente do 1.º homem da 'troika', o caricato Gaspar.

D. Gertrudes: acabou-se o café e o croissant!

O homem é doente crónico. Cardíaco. No hospital público, as consultas externas têm o tempo de espera de um ano. A adensar esta demora, as ‘análises clínicas’ e ‘os exames complementares de diagnóstico’ estão sujeitos a maiores delongas, uma vez que dependem de prescrição médica.
Infeliz, o homem sofreu um acidente de ordem muscular. Recorreu aos serviços de emergência de hospital público. A jovem médica de serviço recomendou-lhe consultar um médico de reumatologia. Tempo de espera no hospital público? 10 Meses!
Trata-se de demonstrações da incapacidade real do SNS, no caso de carácter individual, mas que poderão multiplicar-se por milhares de doentes de Norte a Sul do País.
A quem não tem posses para recorrer à prestação privada de cuidados de saúde o que sucede? Uns sofrem, outros sofrem e morrem. São estes os desfechos naturais da política de saúde do ministro Paulo Macedo e dos gabinetes e equipas de amigos da reforma hospitalar.
Bancário, idolatrado pelos cortes de despesa, até por gente que se reclama de esquerda, é um governante que se distingue pelos sucessos orçamentais a todo o custo; ainda que os mesmos signifiquem o persistente desmoronamento do SNS e a falta de assistência médica a quem dela necessita.
Tecnocrata da seita do BCP, “gestor de aviário” de políticas de saúde, pretere naturalmente estas, a favor do controlo de todo o pessoal do Ministério que dirige – salvaguarde-se desde já que a cumplicidade entre laboratórios e médicos é histórica, através de ofertas e participações em congressos. Todavia, quem conheça por dentro o sistema sabe que entretanto ficou esbatida.
Com a explosão dos ‘genéricos’, nem sempre controlados devidamente pelo Infarmed, e a quebra de margens de laboratórios, a referida cumplicidade reduziu-se, efectivamente, bastante. E as medidas de Macedo de nada impedem que os médicos, ao exercer também actividade no sector privado, sejam ‘compensados’ fora do âmbito dos serviços públicos.
O que é digno de ignóbil autoritarismo – e não sei se inconstitucional – é proibir que os funcionários do Ministério da Saúde falem aos órgãos da comunicação social sem autorização prévia, segundo preceitos do novo Código de Ética. Como se trata de um código fascistóide, incorpora repugnantes deliberações, como por exemplo:
O homem, cardíaco crónico e vítima de acidente muscular, conhecedor das implicações para todos os trabalhadores do MS da nova legislação, esteve no Centro de Saúde a solicitar umas receitas da médica de família, e disse com mágoa à administrativa:
“D. Gertrudes, se nos encontrarmos na pastelaria, as ofertas de café e do croissant acabaram-se! Como mandará a Lei, vou fazê-las à Secretaria Geral do Ministério de Saúde! 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Economia Portuguesa: regresso à contracção

O ‘Público’ anuncia em título:
 “Economia trava no arranque do ano, mas investimento recupera
Mesmo quem se satisfaça com as “gordas” dos jornais, é levado a concluir que, sob a batuta da dupla Coelho + Portas, Portugal anda aos solavancos ou, dito doutro modo, a Economia do País obedece à ‘teoria do caos’: instabilidade e aleatoriedade dos resultados, a despeito dos governantes, em instrumentos orçamentais e em documentos de falsa estratégia (DEO’s), terem a veleidade de argumentar rigor e infalibilidade determinística – até o caricato Gaspar deixou a governação, desiludido com metas e resultados falhados.
A fim de evitar imprecisões, e em especial proposições demagógicas, é recomendável ler o texto completo da notícia; ou melhor ainda, aceder à fonte de informação, INE, que complementa a justificação do comportamento económico do 1.º T de 2014, nos seguintes moldes:  
A procura externa líquida apresentou um contributo negativo expressivo para a variação homóloga do PIB no 1.º trimestre, depois de registar um contributo positivo no trimestre precedente, devido principalmente ao abrandamento das Exportações de Bens e Serviços, tendo as Importações de Bens e Serviços acelerado.”
eComparativamente com o trimestre anterior, o PIB diminuiu 0,7% em termos reais.
Com o recurso a dados publicados ontem, dia 14-Maio, nas estatísticas do EUROSTAT, ficámos igualmente a saber que Portugal liderou as quedas da ‘produção industrial na UE28 (- 4,8%), sendo digno de registo que a Zona Euro (18 países) teve uma quebra geral do mesmo índice de – 0,3%, no citado 1.º T de 2014.
O Governo entende que as políticas de saída da crise – não confundir com a alcunhada “saída limpa” do PAEF da ‘troika’ – deverão sustentar-se na variável exógena das exportações; a qual não domina, como não controla a volatilidade dos juros da dívida pública, no presente em favoráveis aos países europeus em geral, por riscos acrescidos para os investidores em mercados emergentes.
Veremos como os malditos mercados reagirão aos compromissos formais prometidos pelo BCE, através do ‘super Draghi’, para 5 de Junho próximo. A valorização excessiva do euro, os riscos de taxas de inflação reduzidas ou mesmo negativas a caminho da deflação e a falta de liquidez para financiar as economias da Zona Euro, sobretudo as mais frágeis, é uma mistura complexa, das quais a evasão não é fácil. Esperemos pelas soluções!
Entretanto, ficaremos entretidos com o fado cavaquista, "Há uma nova esperança a nascer em Portugal", interpretado pela voz da amiga Katia Guerreiro, médica oftalmologista de escassa experiência em cataratas e miopia. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A China da nossa salvação

O presidente Cavaco Silva, a fadista Katia Guerreiro, o ministro da economia Pires de Lima e uma delegação numerosa de outras personalidades têm andado pela China. 
Os portugueses devem sentir-se orgulhosos desta espécie de redenção, libertadora das nossas almas e, acima de tudo, das penitências que nos arredem dos martírios da elevadíssima dívida externa, pública e privada, do desemprego, da emigração numerosa e forçada e ainda dos salários de miséria. Sim, porque os chineses, no todo, são mais de 1,3 mil milhões de cidadãos e comandados pelo regime do PC da China. Distribuem-se- por enormes massas populares de penosa indigência, uma insípida classe média face ao todo e uma restrita bolsa de multimilionários; é neste último grupo que, graças a Belém e a São Bento, seremos integrados como privilegiados.
Ouçamos o ministro Pires:

As empresas de transportes de Lisboa e Porto, assim como a Empresa Geral de Fomento, existem. Não se trata, portanto, de unidades empresariais de raiz, com a integração de população desempregada. Pelo contrário, sob o estafado binómio 'competitividade+produtividade', tantas vezes usado para dissimular o objectivo de maximização dos lucros, os chineses, se investidores adquirentes, auxiliados por Catrogas, Mexias e outros do género, encarregar-se-ão de reduzir o quadro de trabalhadores e os serviços prestados à população.
A lógica do investimento chinês é esta: aplicações  de baixo risco de capital, em investimentos estruturais existentes e geradoras da redução do rendimento nacional dos países onde investem. Temos o sublime exemplo da participação da 'Three Gorges' com 21,35% de capital da EDP. As dívidas da 'Eléctrica Luso-Chinesa' ascendem a 17.451 milhões de euros, o que levou a Moody's a manter a perspectiva negativa, para efeitos de 'rating'. Sempre são mais do que 10,5% do PIB de 2013 que  se fixou em 165.666 milhões de euros.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O Costa do Amarelo

O desenlace do filme, na sorte como na desgraça, é sempre ditado por essa sórdida personagem, de mão invisível, abstracta e de incontrolável ‘suspense’: Mercados! É também um argumento de mitigado e ostensivamente negado mistério, por se desconhecer se actuam para o bem ou para o mal – “logo se verá!” proclamam os Catrogas, os Bentos, os Gaspares e todos os seus pares que impingem certezas de brutal incerteza.
Neste filme do BdP, com a figura destacada de cartaz de ‘O Costa do Amarelo’, o precioso metal da cor da gema de ovo depreciou-se 31% em 2013. Consequências: o activo das mesmas 382,5 toneladas de ouro, no final de 2013, teve uma desvalorização em valor absoluto de 4.795 milhões de euros; o resultado das contas do Banco de Portugal em 2013 fixou-se em 253 milhões, o que compara - assim diria Gaspar – com 449 milhões em 2012; e prosseguindo ainda em “dialecto gaspariano”, a verba distribuída ao Estado Português registou uma correcção técnica de – 157 milhões de euros nos números finais de 2013 em que foram libertados dividendos de 202 milhões, abaixo, portanto, dos 359 milhões atribuídos em 2012.
‘O Costa do Amarelo’, Carlos de nome próprio, e companheiros validaram o ‘Relatório e Contas do Banco subsidiário do BCE’, outrora Central de verdade, com o seguinte registo na página 132:  
1.1.2. Ouro e activos de gestão (líq.)
• Ouro
A reserva de Ouro do Banco de Portugal não apresenta, face a 2012, qualquer variação em termos de quantidade (que se mantém em 382,5 toneladas). Desta forma, o acentuado decréscimo do valor desta reserva, face a Dezembro de 2012 (-4795 milhões de euros), deve-se unicamente à evolução negativa da sua cotação e é compensado por uma variação, de igual montante, na rubrica “Diferenças de reavaliação”.
O afirmar que é compensado por uma variação, de igual montante, na rubrica ‘Diferenças de reavaliação’, é forma hábil de suavizar a mensagem de que houve um prejuízo de – 4795 milhões de euros, por efeito da depreciação do ouro.
Registar em conta própria, “Diferenças de reavaliação” esse prejuízo não o compensa. Segundo o velho ‘método das partidas dobradas’, o BdP foi forçado a inscrever a perda, por contrapartida de movimento contabilístico, tratando-se de uma questão de forma de escrituração, sem regenerar a substância do valor perdido. Habilidades de linguagem tecnocrática, deploráveis numa instituição cujos quadros e reformados se livraram do esbulho dirigido a funcionários públicos e equiparados de parte do SEE, reformados e pensionistas. Repugnante! 

Editorial do ‘Público’ – pedagogia sobre demagogia

O texto é objectivo, certeiro, denuncia os actores demagógicos e, em termos de ciência política, é sublime. Por tão pedagógico acerca do uso da demagogia, deve ser lido e divulgado pelo maior número possível de cidadãos. Ei-lo:
Uma felicitação: parabéns à autora ou autor.
Uma recomendação: que os serviços da PR o dêem a conhecer ao contraditório e faccioso Prof. Cavaco Silva.

São João da Caçadeira e Valongo dos Aselhas

Do drama do assassínio de duas mulheres e os ferimentos graves da ex-mulher e filha, alegadamente da autoria de um tal Manuel Baltazar, podem formular-se juízos de diversas espécies: elevados riscos de insegurança das populações no Portugal interior, desertificado e despovoado; ineficácia das forças de segurança, GNR e PJ, mesmo em grandes contingentes, para deter o suspeito Baltazar em terrenos que caçadores dominam; ignorância por essas mesmas forças das características do território que alegadamente vigiam.
Ao sucedido, podemos adicionar mais uma parcela da justiça à portuguesa, com o tribunal e serviços prisionais incapazes de estudar e considerar o perfil do detido, optando pela libertação deste, munido de uma pulseira electrónica destrutível que não é, de forma alguma, um instrumento de controlo infalível de um presidiário, tendencialmente assassino, posto à solta.
O tenente-coronel Machado da GNR, segundo o ‘Público’, afirmou:
Eu diria precisamente o inverso:
“Só quem não conhece a GNR é que pode criticar o terreno…”
E pergunto: não é, de facto, dever das unidades da GNR conhecerem milímetro a milímetro os territórios sob a sua vigilância? Tão bem como o Baltazar, por exemplo? Seria útil que fizessem um curso aos guardas no Instituto Geográfico do Exército, com selectiva incidência na cartografia das regiões a que estão afectos. Também não se perdia nada se o curso fosse extensivo à PJ.
O homem já visitou um caçador amigo, conversou e comprou pão ao padeiro itinerante, mas a GNR, que há uma semana teve uma centena de homens, alguns a cavalo e outros auxiliados por cães de busca, não o encontra. Baltazar escapou-se-lhes sempre e já lá vão 19 dias.
Quem tem uma casa isolada numa aldeia da província – é o meu caso – pode sentir-se seguro com a protecção da GNR? E a região ainda é mais despovoada do que as terras de São João da Pesqueira, Sernancelhe e Penedono e outras localidades que as rodeiam, as quais conheço, por permanência em férias e por circuitos diante de belas casas de xisto, algumas arruinadas.
Um dos argumentos que anima as expectativas de sucesso da captura do Baltazar, segundo a GNR, é “a aproximação da época dos incêndios”. Há vidas perdidas e um fugitivo inatingível, mas, como se trata de uma força de elite e de enorme sentido estratégico, a solução está na erupção de fogos em matas e florestas. Que classificação merece esta estratégia?
Já foram 100 e agora ficam reduzidos a 50 os efectivos da GNR. A PJ também diminuiu o número de agentes, segundo foi divulgado. Todavia, sejam quais forem os números de elementos iniciais e residuais, os intérpretes de topo da história já conseguiram dar o mote para rebaptizar as terras em causa: concelho de São João da Caçadeira e freguesia de Valongo dos Aselhas.   

O bloguer lesionado em pleno ‘post’

Primeiro, esclareço que estou a referir-me a um blogue unipessoal, o meu ‘Solos sem Ensaio’; blogue unipessoal é expressão de odores – ou dores? – de vítima fiscal, mas que a  ministra, Dona Albuquerque, e o secretário de Estado, Dom Núncio, nome de cariz tauromáquico, no entretanto não se lembraram de converter em actividade passível de imposto, de contribuição ou de tributo em matéria de fisco, mesmo transitória a tender para definitiva.
Os custos de contexto - moda instalada no léxico dos gestores actuais em que se salienta o Saraiva da CIP - ocorridos com o consumo electricidade, aquisição e renovação de licenças de ‘software’  e de antivírus, são praticamente os encargos do bloguer individual. Do investimento no computador assim como em acessórios complementares, apenas insignificante parte é imputável ao blogue.
Em súmula, e porque nem sempre é fácil, manter um blogue dá-nos cabo da cabeça e do tempo, mas não é muito oneroso – isto pensava eu até alguns tempos atrás. Todavia, há custos ocultos, esotéricos mesmo e inesperados, de que apenas há duas semanas dei conta.
Tenho o hábito, sempre o tive, aliás, de escrever acompanhado de dicionários das línguas em que redijo – português, francês e inglês – em suporte próximo da secretária; esta mania em nada impede a publicação de ‘posts’ com erros de morfologia, sintaxe ou outros; recentemente, publiquei um texto em que escrevi “manifesta capacidade”, em vez de “manifesta incapacidade”. Fui lá, passado 2 dias, e emendei. Quem leu entretanto, pensou e comentou para si próprio: – Este gajo escreve mal e sem sentido! – E tenho de lhes dar razão.
Tudo isto, penso, é aceitável na vida de um pobre bloguer. O que descuidadamente jamais imaginei é que, sentado, a redigir um ‘post’ no PC, o dobrar-me sobre o meu lado esquerdo para recolher os dois dicionários da ‘Academia das Ciências de Lisboa’ me causasse um problema discal.
A dor é o sintoma que melhor negócio proporciona aos médicos – pense-se no que sugam os estomatologistas com as dores de dentes ou os urologistas a extrair pedras dos rins – e o factor muito inibidor da função criativa de quem a sofre, por pouco imaginativo que seja.
Acabei por recuperar, justamente nas vésperas do 25 de Abril, depois de cumprir uns dias de penitência com o impedimento de escrever. Mas, precisamente no dia 25 de Abril, e porque ficaram alguns resíduos da lesão discal na perna esquerda, ao regressar a casa da festa, pisei pedras soltas de um passeio de calçada à portuguesa (foi vingança, porque a odeio e acho incómoda) e fiz uma rotura de ligamentos que me impediram de andar, sair de casa… e então de escrever nem falo.
O meu 25 de Abril, este ano, transformou-se em mistura de satisfações e infelicidades. O Largo do Carmo e a Avenida da Liberdade foram locais de alegria.
No Chiado, a minha ex-companheira e autora no ‘Aventar’ Carla Romualdo, jovem portuense por quem tenho uma respeitosa amizade e uma admiração pelo prodigioso talento (lamento que nesta terra inundada de ‘escritores de aviário’ não publique um livro que a destacaria certamente dos atrevidos e pobres escribas); a Carla, dizia eu, ia de carro, viu-me, chamou-me e, entretanto, eu perdi-me, na multidão que por ali andava, sem a ouvir. Que tristeza não ter tido o prazer de a rever!
Perto de casa, o passeio derruba-me e cheguei a casa a coxear. Ainda tive disposição para responder a um ‘email’ da Carla, por se tratar dela, mas fiquei arrumado até que as bolsas de gelo e os pensos ‘Trans Act’ me restituíssem ao blogue.   
Aqui estou até ao próximo ‘post’ - ou lesão?