domingo, 20 de julho de 2014

Yé-Yé, revivalismo dos ‘sixties’

Para início de conversa, comecemos por Françoise Hardy. Ou melhor, pela canção ‘Tous les garçons et les filles”:




Uma mensagem romântica, de quem contempla a felicidade alheia, remetendo-se para o sujectivismo em contra a corrente com outros jovens afortunados, questionando ‘mes jours comme mes nuits / sont en tous points pareils /sans joies et pleins d'ennuis / oh! quand donc pour moi brillera le soleil? (os meus dias como as minhas noites / são em todos os pormenores parecidos / sem alegrias e cheias de mágoas / oh! Quando portanto brilhará o sol para mim?).
No saudoso ‘Teatro Monumental’ no Saldanha (Lisboa), destruído criminosamente para dar lugar a um cubo de vidro bronze e triste, que hoje me fere a alma e a memória, assisti ao ‘show’ da Françoise Hardy. No final da canção, eu e uma jovem Ausenda (“Zendinha”) beijámo-nos loucamente. Jamais nos reencontrámos. Os tempos e hábitos eram outros. O controlo dos pais, em especial sobre as raparigas, era permanente e duro. A repressão, uma carcaterística do regime, contaminava as regras da conduta familiar e da educação dos jovens; sobretudo, das jovens.
Nos tempos do ‘Yé-Yé’, no Monumental, assisti também a outros ‘shows’ de cantores franceses. Sylvie Vartan et Johnny Hallyday, primeiro casados e depois descasados. Também me entusiasmei ao som do ‘rock’n roll’ português dos ‘Sheiks’ (Paulo Carvalho, Chaby, Carlos Mendes, Tordo e Edmundo Silva), de Vítor Gomes e os ‘Gatos Negros’, assim como de outros de que me esqueci ou vagamente recordo (o duo ‘Os Conchas’).
Na desaparecida sala, também assisti à exibição de cantores clássicos. Aznavour e Bécaud, por exemplo. Era leitor assíduo da revista ‘Salut les Copains’ e a música francesa tinha, de facto, uma projecção internacional assinalável – as músicas de Serge Gainsbourg (compositor), France Galles, Claude François, Charles Anthony e outros estavam no auge.
Entretanto, irromperam os ‘Beatles’, os ‘Rolling Stones’ e outras vedetas anglo-saxónicas.  Os franceses foram vencidos e John Lennon com Paul McCartney tornaram-se meus ídolos. Porém, jamais esquecerei os intérpretes franceses, Edith Piaf à cabeça. “Non, je ne regrette rien”, canto para mim próprio.
De facto, como diz a canção de Françoise Hardy « j'aurai le coeur heureux sans peur du lendemain ». Infelizmente, os jovens de hoje não podem dizer o mesmo ; nem do tempo que passa como dos tempos do porvir. É o resultado das perspectivas de vida que os poderes instalados lhes reservaram.

sábado, 19 de julho de 2014

O Paulo Padrão (BES) deixou de comunicar

Chamem-lhe obsessão, capricho, cisma … o que quiserem! Nos círculos profissionais por onde me movimentei, conheci o perfil medonho de Ricardo Salgado e, em especial, os desmandos e comportamentos de promiscuidade política em que o ex-presidente do BES se notabilizou – ‘Até hoje 25 membros de Governo já tiveram ligações ao GES’ é elucidativo.
A figura de ‘Al Capone’ inspirou-me para dedicar a Salgado este ‘post’ a respeito da lesão dos interesses nacionais e estoutro sobre o esquecimento de obrigações de contribuinte e as três rectificações de declarações fiscais a que Salgado foi compelido, sob a complacência cúmplice do BdP. Ambos foram publicados em 5 de Fevereiro de 2013.  
Sem querer, tive razão antes do tempo. E mais: o que critiquei e divulguei é uma gota de água no oceano de intrujices que, a cada dia, vêm ao conhecimento do público. Além de escandaloso, e em qualquer país de justiça célere, objectiva e isenta em termos do estatuto dos cidadãos, o financiamento de 897 M de € pela PT ao GES colocaria em alto risco de punição criminosa qualquer Granadeiro, que, a pedido do amigo Salgado, usasse o dinheiro da ‘telefónica’ em manifesto prejuízo de outros accionistas e do interesse nacional – a fusão PT/OI ficará reduzida a uma participação da PT à volta de 25%, quando se esperava ficar próxima dos 39%.
Mas os destroços espalhados pelo BES não ficam por aqui. A CGD, o BCP e o Montepio Geral – sou mutualista – têm uma exposição ao GES/BES da ordem dos 800 milhões de euros. O sector financeiro, a despeito de 3 anos de ‘troika’, da “excelsa” supervisão do BdP, continua portador das mais perigosas bactérias da crise que atinge Portugal e demais países europeus.
Neste percurso das histórias, pessoalmente, tenho uma garantia: um tal Paulo Padrão, ‘ex-comunicador-mor’ do BES, foi afastado por Vítor Bento – já não será o Paulo do Bento.
No tempo de Salgado, de forma sub-reptícia e sinuosa, Paulo Padrão, director de comunicação do BES, agora afastado por Vítor Bento, soube o meu número de telemóvel. Falou-me em tom ameaçador com o objectivo de me conhecer pessoalmente. Certamente que os meus ‘posts’ foram incómodos para o seu ex-patrão Salgado e, zelosamente, desafiou-me para uma refrega. Desmascarado, graças também à ajuda de amigos do blogue ‘Aventar, o valentão recuou e calou-se.
Protegido pelo rubicundo Catroga, espero que aproveite o tempo para reflectir e aprender a comportar-se como um cidadão que saiba limpar as atitudes reles que o amparo de poderosos lhe permitia.
Certo, certo é que, sendo sportinguista e amigo de Ronaldo com quem estabeleceu contratos de publicidade de elevado custo para o BES, deixará de ter tais poderes, assim como a arrogância e a maldade que o próprio ‘Expresso’, em especial Nicolau Santos, denunciou.
Os poderosos e lacaios jamais me intimidaram e continuarei sem receios. Tenho meios para me defender.

Regresso à escrita

Estou de volta! Por quanto tempo? Ignoro. A minha vida é igual à de muita gente. Compromissos e obrigações, temperados por imprevistos de ordem familiar e profissional, condicionam os meus desejos e vontades, no uso do tempo; entre os quais se integra a escrita.
- Se te isolasses uma 'horinha' ao fim de semana, evitarias o silêncio completo do ‘Solos sem Ensaio’ – têm-me dito uns amigos. – É-me impossível – respondo.
Sinceramente, para escrever um ‘post’, tenho ritual. Selecciono o tema, alinho ideias e formulo opiniões. Em muitas das ocasiões, consulto literatura das áreas prevalecentes nos textos que redijo: economia, por vício profissional, e política, com maior incidência em matérias de justiça social, em especial a desigualdade crescente no seio das comunidades.
A concentração de riqueza e ganhos em parcelas ínfimas da população de cada país – caso também de Portugal - a explosão da pobreza, mesmo da miséria, do desemprego e da fome de crianças e adultos constituem fenómenos muito perturbadores, suscitando-me revolta. São os temas dominantes a que me dedico.
Declaro, uma vez mais, não estar vinculado a qualquer partido. Nem me nutro da utopia de uma sociedade completamente igualitária, sem classes. Todavia, creio firmemente ser possível destruir os batalhões de neoliberais no poder e a ideologia desumana que perfilham e aplicam com sádico prazer. Tenho crença, portanto, na exterminação da ganância do dinheiro por minorias e da teoria da sacralização dos mercados.
Estou de volta à escrita neste blogue, com os objectivos de sempre. Sem a veleidade de pertencer aos que, por talento, se exprimem com enorme imaginação e facilidade na arte da palavra escrita, continuarei acantonado neste refúgio sempre que os acontecimentos e condicionalismos da vida me permitam.
Saúdo os muitos que já constituíam um grupo de leitores assíduos do ‘Solos sem Ensaio’, penitenciando-me por tão longo silêncio. Que poderá voltar; quem sabe?

quinta-feira, 22 de maio de 2014

A trucagem de títulos jornalísticos

O ‘Público’ online, sob assinatura de João Pedro Pereira, publica uma notícia com o título:
‘Exportações cresceram 2,6% no primeiro trimestre’
Iniciamos naturalmente a leitura pelo 1.º parágrafo e o texto começa por dizer-nos:
“Subida das importações foi superior ao aumento das vendas ao estrangeiro.”
Continuamos a ler o mesmo texto que, em parágrafos intermédios, se dissocia do destaque do título e terminamos com um último parágrafo magistralmente contraditório relativamente a esse famigerado título:
“O défice comercial no trimestre foi de 1005 milhões de euros, acima dos 386 milhões observados no período homólogo.”
Sou assinante do ‘Público’, por entender tratar-se de um jornal  na maioria dos casos respeitador de normas de independência, sem dispensar a pluralidade e o contraditório entre autores de artigos de opinião. Se estou de acordo com Pacheco Pereira, obviamente que me oponho às dissertações de João Carlos Espada… e por aí adiante.
O que julgo intolerável, no âmbito de obrigações éticas e deontológicas, é justamente no estrito domínio noticioso haver manipulações pela via da trucagem (= emprego de truques na realização de qualquer coisa), com fins aparentes de favorecimento partidário.
Uma vez respeitada a ‘liberdade de expressão’, é obrigatório noticiar e titular o conteúdo de notícias com rigor, sem facciosismo de qualquer espécie. Ou então teremos os jornalistas do ‘Público’ em doce cumplicidade com a Helena Matos e outros autores do blogue ‘Blasfémias’.
Se se tratasse de outro jornal e do ‘Jugular’, próximo do PS, diria exactamente o mesmo.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que estes – e outros fazem – para obter os ‘tachos do PE’

Já os vi, via TV, a navegar em moliceiros e outro batel, denominado ‘Verónica’. Quem é a Verónica? Nuno Melo, Paulo Rangel? Que relação tem um passeio em moliceiro e outro na ‘Verónica’ com as ‘eleições europeias’, de uma Europa progressivamente a afundar-se e de um euro indissolúvel? Provavelmente que o ambiente é muito fluído, volátil e que a água, fonte da vida, é também factor da morte. Mesmo colectiva.
Também os topei ao lado do sabichão Marcelo, reclamando os votos na coligação para eleger Juncker. Rangel e Melo que se lixem! Passos Coelho não reagirá à aleivosia, aos fundamentos da filosofia política do populismo, nem renunciará à profunda reflexão do princípio sintetizada pela frase  as eleições que se lixem”. Desde que a ‘saída limpa’ seja nublosamente coberta de sujidade, isso é vital para o País.
A anedota Rangel e o rufia Nuno Melo certificaram, sem hesitações, o discurso de Marcelo e os pensamentos de Freitas do Amaral; por exemplo:
No fundo, confessado entre fanáticos, ignaros e amigos, admitem temer uma derrota histórica, por vitória do PS. A merda é a mesma, mas não há lugares para tantas moscas. Os “tachos no PE” exigem são limitados.

O BES, demasiado salgado, é produtor de perigosas bactérias financeiras

Há mais de um ano escrevi este ‘post’ a propósito de Ricardo Salgado, do BES e da influência nociva do ilustre cavalheiro e do banco a que ainda preside.
Como réplica, recebi a resposta telefónica de um tal Paulo Padrão (a quem chamei Paulo do Patrão), propondo conhecer-me pessoalmente em tons ameaçadores.
Há muito, e não é difícil, inferi do papel tenebroso de Salgado – é a classificação mínima que lhe posso atribuir – na Economia Portuguesa. Com cerca de 400 empresas no universo, da Escom (Angola) aos consórcios das PPPs das vias rodoviárias à saúde, que o grupo BES exerce sobre a economia nacional uma influência lesiva dos interesses nacionais,
A Economia Portuguesa, por braços armados de Governos, chamem-se Manuel Pinho (ex-ministro de Sócrates) ou Miguel Frasquilho (actual presidente da AICEP e ex-deputado do PSD) saí sempre perdedora – os interesses públicos foram atingidos de forma infame, em detrimento do interesse nacional, dos cidadãos trabalhadores que, mesmo os emigrantes, sofrem os efeitos de uma calamidade social que só encontra paralelo nos tempos da ‘Grande de Depressão’ e na era da I Guerra Mundial que a antecederam.
Várias vozes se ergueram e reclamaram o ilegítimo de grupos privilegiados, sendo sintomático que Rita Ferro, uma mulher afastada da esquerda e conhecedora dos meandros e pergaminhos da família Espírito Santo, se tenha também rebelado contra Ricardo Salgado.   
Mais tarde ou mais cedo, independentemente da tradicional complacência perante poderosos, e sobretudo banqueiros, do ‘sistema de justiça nacional’, a verdade é um incontrolável dilúvio, difícil de combater e muito menos ignorar.
O ‘Público’ anuncia:
Mais palavras com que fim? Os relatos do Banco de Portugal e da CMVM são instrumentos suficientes para deixar sem palavra todos os ‘Paulos do Patrão’ do BES… desde que as entendam, claro.

terça-feira, 20 de maio de 2014

As eleições europeias

A respeito dos resultados esperados, segundo opiniões abalizadas e abundantes, parece haver apenas um sólida certeza: a abstenção sairá vencedora, e não apenas em Portugal, sublinhe-se. Na UE, há mesmo a expectativa de uma quebra de participação que conduza a mais de 43% de abstencionistas, até agora o máximo histórico na totalidade dos países que integram a União.
Pessoalmente, lamento a recusa da participação eleitoral. No que respeita a Portugal, onde se espera serem atingidos números acima de 60%, o fenómeno presta-se a justificações, umas eventualmente especulativas, mas outras, a maioria, são consistentes e derivam de condições concretas:

  • ·      Os partidos mais europeístas, PS e PSD, e o flutuante CDS-PP jamais cuidaram de usar uma pedagogia duradoura e eficaz sobre o historial e os objectivos do ‘projecto da EU’, chegando ao ponto da ligeireza e superficialidade na elucidação dos cidadãos e mais lamentavelmente à iniciativa de os afastar de opções de fundo – a deliberação de não referendar o ‘Tratado de Lisboa’ é apenas mero exemplo;
  • ·        Desencadeada a crise, fruto essencialmente de factores externos, a realidade europeia através da política de austeridade da troika (FMI, CE e BCE) representou para centenas de milhares de portugueses - ou mesmo milhões em certos domínios – penosa quebra de rendimentos, o desemprego, a emigração de jovens e outros cidadãos qualificados, o corte de benefícios sociais nas prestações pecuniárias a carenciados, na saúde e no ensino, tudo factores a alimentar sentimentos anti-UE.
  • ·     A campanha eleitoral dos partidos do governo tem-se concentrado na baixa política, com um candidato ‘laranja’ que se repete desmedidamente em acusações e populismos e um parceiro com ar de rufia de frases soltas; ambos sem uma única ideia sobre o projecto europeu que realmente defendem para contrariar o directório da D. Merkel e as divagações do Sr. Draghi e consequentemente do BCE que têm conduzido a uma crise sem fim à vista e, por muito que escondam, não se limita aos outrora ‘PIIGS’ e hoje mais comummente ditos periféricos.
  • ·           O PS, acossado pela índole dos ataques internos às políticas que executou no passado, também não mostra capacidade de ultrapassar as polémicas domésticas e falar com clareza do tipo de projecto europeu por si proposto e que, infelizmente e seja ele qual for, se encontra manchado pelo ‘Tratado Orçamental’ aprovado por Seguro e suas hostes.
  • ·         BE e PCP, feitas as contas, são os mais assertivos nas propostas, mas, é sabido e uma plêiade de comentadores tendenciosos ajudam à exclusão, estão debilitados para obter do eleitorado uma representatividade minimamente significativa.  
De tudo isto, resulta que as eleições europeias não passam de uma espécie de balão de ensaio para as legislativas para o próximo ano, sem nenhum enquadramento estratégico compatível com a necessidade de alterar profundamente a sujeição à Alemanha e seus aliados, os novos sudetas holandeses, finlandeses e austríacos.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

EUROPA - um excelente artigo do ‘Huffington Post’ (Tradução)

Autor: Robert Kuttner, em 18 de Maio de 2014
Título original: The Road to Euro-Fascism

Título adaptado em português: O Caminho para o Euro-Fascismo

Como a depressão da Europa continua seis anos após o colapso financeiro de 2007-2008, o relógio funciona para partidos de extrema-direita obterem grandes ganhos nas eleições desta semana para o Parlamento Europeu da UE. E porque não? O posicionamento dos partidos do centro-direita da Europa e do centro-esquerda têm de aplicar políticas de austeridade e os interesses dos bancos à frente de uma recuperação económica real para os cidadãos normais.
Há mais de 20 anos atrás, quando a União Europeia criou a sua constituição sob a forma do Tratado de Maastricht, a esperança era de que a Europa representava um tecido social compacto para colocar os cidadãos em primeiro lugar. A Europa, especialmente no norte da Europa, era um modelo de salários decentes, benefícios sociais universais e regulação que impediam a riqueza de inundar a cidadania.
Hoje, no entanto, governos centristas ou de centro-direita, que patrocinam a austeridade ou aprovam isso, governam em todas as principais capitais europeias como França, e a França é demasiado fraca para seguir o seu próprio caminho. A crise económica com a sua elevada taxa de desemprego só estimula mais migração, o que coloca pressão sobre os mercados de trabalho locais e empurra a classe trabalhadora local ainda mais para os braços da extrema-direita nacionalista.
Na Europa, os partidos protofascistas são anti-imigrante, anti-Islão, anti-semita e anti-europeu e anti-União Europeia e constituem agora o segundo ou terceiro maior festival num cinto de sociedades anteriormente liberais que se estende desde a Noruega e Finlândia aos Países Baixos e França. Na Hungria, onde o antidemocrático nacionalista partido Fidesz já governa, vence o partido mais extremista Jobbik que está a conseguir ainda maiores ganhos.
Já estivemos aqui antes, claro. O fascismo Europeu foi alimentado em clima de elevada taxa de desemprego e ortodoxia económica. Após a segunda guerra mundial, as elites da época estavam mais preocupadas com a sustentação de valores da moeda e cobrar dívidas de guerra do que com a condição real da economia.
As democracias perderam legitimidade com o seu povo. Quando a estagnação da década de 1920 se agravou na profunda depressão da década de 1930, as pessoas desistiram de democracia.
Grandes bancos e empresas, em lugares como a Alemanha nazista e a fascista de Itália, gostaram do colapso da democracia. O fascismo clássico estava em aliança com um estado autocrático, elites financeiras e desesperadas pessoas comuns, que trocaram o ultranacionalismo pelos caprichos da democracia que não estava a servir para eles.
Se isso parece familiar, está a ser repetido hoje. A liderança política da Europa, o Banco Central Europeu, sob o comando da Chanceler alemã Angela Merkel, colocam as necessidades dos bancos em primeiro lugar e por último as pessoas. Ainda não temos o fascismo alarmante, mas temos as pré-condições.

O despesismo

Paulo Rangel, a quem, na campanha eleitoral europeia, já ouvi referir mil vezes o despesismo socialista, ao menos, por princípio de coerência, deveria estar igualmente perturbado e revoltado com os 1,2 milhões gastos no combóio ‘Celta’, de Julho de 2013 (arranque) a Março último. A expectativa é de que, em Agosto próximo, o prejuízo será de 2 milhões. A linha foi inaugurada pelos governos de Portugal e Espanha, através do ex-ministro Álvaro dos Santos Pereira e da sua homóloga espanhola, Ana Pastor.
O citado combóio liga Porto a Vigo, e vice-versa, em 2h15, sem paragens além das impostas por transitar em linha única, o que equivale a uma velocidade média de 50 km / hora. Também em média, transportou 26 passageiros por viagem.
Sou defensor do comboio com meio preferencial de transporte, reconhecendo que a existência de ligações devem ser consideradas um investimento social, quando o grau de utilização é equivalente àquele, por exemplo, existente à volta das cidades de Lisboa e Porto, ou mesmo o serviço ‘Alfa’. Ou então, por necessidades impostas pelo isolamento.
É, porém, muito recomendável fazer a natural avaliação de investimentos em novas linhas, em função da extensa e exagerada rede de auto-estradas criada e os indicadores de mobilidade dos cidadãos, afectada naturalmente pela crise, o envelhecimento e o incremento dos fluxos de emigração em expansão.
Quando os níveis de procura de bens e serviços registam refluxos, além de mais aguda reflexão das condicionantes do investimento em infraestruturas, talvez fosse mais curial a manutenção de outras, como algumas que o PET (Plano Estratégico de Transportes) encerrou, sob a alegação de falta de utilizadores.
O despesismo do ‘Bloco Central’ funciona nos moldes de um jogo de ténis: “agora bato eu, depois bastes tu…” e é esta pancadaria incessante iniciada desde Cavaco que tem debilitado o País e as nossas vidas. Tanto faz que o político seja Rangel, como Manuel. O nome identifica o individuo, mas não o carácter e muito menos a seriedade política.  

domingo, 18 de maio de 2014

O corpo dos ‘Sapadores Empresariais’

No âmbito e objectivos da célebre obra ‘Caminho para o Crescimento’ – há quem prefira designá-la por ‘The Road to Growth’, sempre é mais fino – é intenção do governo incumbir o Banco de Portugal de um sistema de alertas para empresas em risco de falir.
Caso o BdP recorra a uma estrutura de alarmes e sirenes, haverás zonas do país inundadas de luzes intermitentes e de ruídos ensurdecedores; outras, em especial no vasto e abandonado interior, os poucos cidadãos continuarão entregues à escuridão e ao silêncio de idosos.
Bom! Temos a obrigatoriedade de afugentar a ‘pieguice’. O governo é neoliberal, conservador ao estilo do movimento norte-americano ‘Tea Party’, sendo nosso dever usar, por momentos, as lentes do populismo da propaganda oca mas pretensamente impressiva; não olhar a questões de humanismo e alinharmo-nos, o mais possível, pelo frio e tecnocrático pragmatismo de quem nos (des)governa e de um dos seus aliados de eleição, o FMI.
Esta do Banco de Portugal, a tempo, alertar as empresas em risco de cair na insolvência, através de um “corpo especializado de sapadores”, é uma ideia brilhante, susceptível de estar apenas ao alcance de cérebros muito, muito iluminados. Merecia o ‘Nobel’!
Todavia, de tão brilhante e profunda, a interpretação da ideia nos seus efeitos práticos torna-se difusa na luz, nos sons e nos resultados. Capaz de causar perturbadoras e legítimas dúvidas.
Independentemente dos casos de gestão incompetente ou mesmo danosa, as empresas, na vasta maioria, desenvolvem a actividade em função dos níveis de procura para os bens e serviços que produzem; ou então, dependem de centros de decisão externos, sujeitando-se essa actividade a orientações externas; no limite e com frequência, chegam ao encerramento por deslocalização das unidades produtivas.
A insolvência, na maioria dos casos, é um processo de degradação progressiva. Umas vezes, os empresários alimentam expectativas de que, mais cedo ou mais tarde, conseguem o ultrapassar as dificuldades. Outras vezes, o desenvolvimento é de tal intensidade e imposto por condições de mercado que, por atrofia, dificilmente logram vencer – as políticas macroeconómicas governamentais, variáveis naturalmente exógenas, são insuperáveis, nomeadamente quando há quebra de rendimentos e consequentemente da procura interna. Os mercados externos, como está demonstrado, estão sujeitos a factores incontroláveis.
Nas causas das falências, há, pois, que tomar em consideração os efeitos destrutivos do encerramento, por deslocalização, de unidades fabris estrangeiras que, na melhor das hipóteses, se transformam em entrepostos de produtos importados com uma redução mais do que drástica do emprego. Os efeitos no comércio local, da restauração a lojas de tipo diverso, são devastadores em termos de insolvências. Isto em acréscimo a fornecedores de bens e serviços convertidos em desnecessários – transportes, parte das matérias-primas, materiais de embalagem e outros componentes do processo produtivo.
O fenómeno de insolvência, ao contrário de actividades médicas, em grande parte não se cura com medidas preventivas e muito menos com cuidados paliativos.
A Economia Portuguesa, sofre de problemas estruturais graves que este governo adensou, sendo irrealista confiar que o sistema de ‘sapadores empresariais’ do BdP possa combater uma degradação empresarial, produto, na generalidade dos casos da subordinação à globalização e a um projecto lesivo e incoerente da criação do euro, fiscal e economicamente disforme. Portanto, incapaz de criar um modelo de integração e equilíbrio entre os países da Zona Euro, ou mesmo na UE28, que sirva de solução para a coesão económica e social tão apregoada quando da assinatura do ‘Tratado de Maastricht’, que ainda há dias o “sapiente incipiente” Cavaco, como subscritor, elogiou como o caminho seguro da salvação de um País que há 3 anos começou na tal bancarrota, da qual ainda hoje não estamos libertos. Basta continuar a ouvir a ameaça do 2.º resgate.
Esta gente do governo não serve para governar e também demonstra falta de condições e perfil para ‘bombeiros voluntários’. É especializada na demagogia e em iludir os governados.