terça-feira, 7 de julho de 2015

Adeus a Maria de Jesus Barroso

Deveria ter cumprido esta obrigação atempadamente, mas motivos de ordem pessoal e familiar impediram-me de o fazer. É com dor que vejo partir uma grande mulher de enorme carácter. Na vida pessoal, familiar e política, demonstrou ininterrupta coragem de seguir as suas opções próprias, sem obedecer a manipulações de terceiros, incluindo o marido Mário Soares.
A Dona Maria Jesus Barroso foi até à última madrugada um modelo vivo, embora estivesse de partida, da mulher culta, ecléctica nos saberes e ousada politicamente. Ter sido primeira-dama não constituiu o facto mais relevante dos 90 anos com que partiu. O que verdadeiramente a distinguiu desde jovem foi a grande devoção e a disponibilidade implacável para combater o diabólico e tétrico Estado Novo.
Na sequência da luta pela democracia em respeito pela vida e princípios de seu pai, o capitão Alfredo José Barroso, sofreu, ela própria, como mulher, mãe, cidadã, actriz e professora do ensino secundário, perseguições, interdições, limitações de liberdades e acções da maior infâmia, próprias do regime a que o fascista António de Oliveira Salazar e seus comparsas submeteram o País, durante praticamente meio século.
Trabalhei com a sua irmã, Fernanda Barroso, falecida há anos, mãe do cineasta Mário Barroso, a viver no estrangeiro, do médico Eduardo Barroso e da falecida Graça Barroso, ex-primeira bailarina do criminosamente extinto (em 2005) Ballet Gulbenkian.
Nos anos 60 e até à Revolução de Abril, a convivência com Fernanda Barroso proporcionou-me muita informação de acções da oposição realizadas pelos fundadores do PS, entre quem havia apenas uma mulher: Maria de Jesus Barroso!
Jamais militei no PS ou em qualquer outro partido. Todavia, por formação e seguindo também as tradições da minha família, desde os meus dois avôs, sempre fui de esquerda.
Felizmente, na família e nos amigos, combater contra a ditadura, pela instalação do regime democrático e tantos ideais que, lenta mas seguramente, se foram diluindo até chegarmos ao que chegámos com a gentalha de intrujões e demagogos que nos governam ou estão instalados em Belém.
No PS, de resto, também existe gente do mesmo género, i.e., reles e que procuram na política usufruir de benefícios por práticas imorais e de total falta de ética.
Toda esta cambada, diga-se, incomodava a Dona Maria de Jesus Barroso. A última vez que estive com ela foi no Fórum de Lisboa (antigo cinema Roma). Disse-lhe adeus. Ignorava que seria o penúltimo.
Com grande mágoa, amanhã lá estarei no Campo Grande para lhe dirigir o "Último Adeus, Dona Maria Barroso."

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ressaibo causado pelo ‘Oxi’ inunda o “Observador”

Basta aceder e ler, no momento em que escrevo, a página do “Observador”. Um bom observador, esse sim, na acepção autêntica da palavra, diagnosticará sem esforço o azedume destilado no jornal electrónico, porta-voz da direita nacional.
A vitória do ‘Não’ (‘Oxi) no referendo grego causou a director, editores, redactores do ‘Observador’ ataques de acidez, agonia, dores de parto, mesmo a masculinos escrevinhadores, impelindo-os para uma selecção de notícias e arranjos gráficos, próprios de uma espécie de endémico meteorismo, difusor de odores intensos e nauseabundos.
Dos tais com quem se deve dialogar através de filtro protector dos efeitos de falar e cuspir, vaidoso da erudição, José Manuel Fernandes entende que a Grécia ficou mais perto de sair do euro. Tudo será bem mais difícil, acrescenta. É convicção generalizada da direita de que, com o Syriza no poder, a UE, a Zona Euro e o alto comando de Berlim, jamais deixarão de afrontar o povo Grego, sem pejo de usarem o recurso à chantagem. Mas esta posição, dominada por conservadores e socialistas renegados, constitui, para o Fernandes, um modelo de democracia exemplar. Sim, porque trazendo à memória Tucídides e a Guerra de Peloponeso no Séc. V a.C., ele conclui:
Curioso, neste jogo de opiniões e palavras, é saber que o mesmo Fernandes que tem umas dezenas de anos, muito abaixo da mínima nanopartícula se comparados à existência da História da Grécia, também já teve um percurso desde o radicalismo de esquerda (UDP) ao radicalismo neoliberal de Passos Coelho.
Fernandes, como outros porta-vozes da superestrutura da UE e da Zona Euro, é um simples soldado a juntar-se ao coro do afastamento do Syriza do poder, embora a legitimação popular dada pelo povo grego tenha reforçado a liderança de Alexis Tsipras.
Outra artista do luminoso cartaz do ‘Observador’ dá pelo nome de Helena Matos. Nem mais, nem menos. Coitada da mulherzinha também sofre de perturbações intestinais graves, dorida e bem dorida de cólicas, com a derrota do ‘Sim’ (‘Nai’!).  
Do passado desta criatura, anos 1970, nem é bom falar. Observemos, pois, aquilo que ela hoje publica, sob o título ‘Agora aturem-nos’:
Se atentarmos bem no texto, a mulher está é revoltada com os gregos no todo; os que votaram ‘Não’, ‘Sim’ nulo/branco ou se abstiveram. Não pode ver um grego à frente, mas se for do Syriza, o mal é maior e é cometida por um ataque de psoríase intenso.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Grécia: Joseph Stiglitz votaria “não” no referendo – tradução de The Guardian de 29-06-2015

Joseph Stiglitz: como eu voto no referendo Grego

O crescendo aumento de brigas e acrimónia dentro Europa pode parecer para fora vir a ser o resultado inevitável da etapa de final amargo, de jogar para fora entre a Grécia e os seus credores. Na verdade, os líderes europeus estão finalmente a começar a revelar a verdadeira natureza do litígio da dívida em curso, e a resposta não é agradável: trata-se de poder e democracia, muito mais do que dinheiro e economia.
Claro, a economia, por trás do programa que a ‘troika’ (Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) impingiram na Grécia há cinco anos tem sido abismal, resultando em um declínio de 25% do PIB do país. Posso pensar em nenhuma depressão, alguma vez, que tem sido tão deliberada e tinha essas consequências catastróficas: taxa da Grécia de desemprego juvenil, por exemplo, agora ultrapassa 60%.
É surpreendente que a ‘troika’ tenha recusado aceitar a responsabilidade por isso ou admitir o quanto as suas previsões e modelos têm sido. Mas o que é ainda mais surpreendente é que os líderes europeus não aprenderam ainda. A ‘troika’ ainda exige que Grécia alcance um superavit primário no orçamento (excluindo juros) de 3,5% do PIB até 2018.
Economistas em todo o mundo condenaram esse destino como punitivo, porque apontando para isso resultará inevitavelmente numa profunda recessão. Com efeito, mesmo que a dívida da Grécia seja reestruturada para além do que se possa imaginar, o país irá continuar em depressão se os eleitores se comprometem com o alvo da ‘trpoka’ na pressão do referendo a ser realizado neste fim-de-semana.
Em termos de transformar um grande défice primário em um excedente, poucos países têm realizado algo como o que os gregos têm alcançado nos últimos cinco anos. E, embora o custo em termos de sofrimento humano tenha sido extremamente alto, as recentes propostas do governo Grego foram um longo caminho para satisfazer as necessidades dos seus credores.

Grécia: Paul Krugman votaria “não” no referendo – tradução do NYT de 28-06-2015

Grisis [Grise, termo adoptado pelo tradutor]


OK, isso é real: os bancos gregos fechados, imposição de controlo de capitais. Grexit não é um traçado difícil daqui — a tão temida mãe de todas as actividades dos bancos já aconteceram, o que significa que a análise de custo-benefício a partir daqui é muito mais favorável à saída do euro do que alguma vez antes.
Claramente, no entanto, algumas decisões agora têm de esperar o referendo.
Eu voto não, por duas razões. Em primeiro lugar, assim como a perspectiva de saída do euro assusta todos — eu incluído — a troika está efectivamente a exigir agora que o regime de política dos últimos cinco anos deve ser continuado indefinidamente. Onde está a esperança nisso? Talvez, apenas talvez, a vontade de deixar inspirará um repensar, embora provavelmente não. Mas mesmo assim, a desvalorização não poderia criar caos muito mais do aquele que já existe e prepararia o caminho para eventual recuperação, tal como sucedido em muitos outros tempos e lugares. A Grécia não é diferente.
Em segundo lugar, as implicações políticas de um voto sim seriam profundamente preocupantes. A troika fez claramente um reverso Corleone — eles fizeram a Tsipras uma oferta que ele não pode aceitar e presumivelmente fez isso conscientemente. Então o ultimato foi, com efeito, um movimento para substituir o governo grego. E mesmo se você não gosta de Syriza, isso tem de ser perturbador para quem acredita em ideais europeus.
Uma estranha nota logística: Estou de semi-férias esta semana, fazendo uma viagem de bicicleta em local não revelado. São só umas semi-férias porque eu não negociei quaisquer folgas da coluna. Vou estar no jornal de amanhã (hum, pergunto-me qual é o assunto) e ter trabalhado a logística de modo a tornar a coluna de sexta-feira factível também. Eu estava planeando fazer pouco no blogue, e terei de qualquer forma de fazer menos do que poderia de outro modo, dados os eventos.

Krugman e Stiglitz votariam "não" no referendo lançado pelo Syriza para 05-07-2015

A notícia, na imprensa portuguesa, foi divulgada pelo 'Público', aqui.
Ambos são laureados com o ‘Nobel’ de Economia. Americanos, e intelectuais dos mais reconhecidos nos EUA e no mundo, não se eximem a criticar com frequência a política económica e financeira de Obama.
Preparados, conhecedores como poucos economistas mundiais da evolução económica à volta do globo, não têm reservas em assumir que, se fossem gregos, votariam "não" no referendo que o Syriza lançou ao povo grego, para o próximo Domingo.
A fim de dar a conhecer em detalhe os artigos em que expressam e justificam as razões por que optariam pelo "não", traduzimos e publicamos, nos dois ‘posts’ imediatamente posteriores a este, os artigos de Krugman no ‘The NewYork Times’ e de Stiglitz no diário britânico ‘The Guardian’.
As críticas à ‘troika’ são objectivas, contundentes e desacreditam as instituições que as integram: CE, BCE e FMI.
O Passos, o Portas e o restante batalhão de ineptos e demagogos dos partidos da coligação que leiam e, se forem capazes, reflictam nos resultados da perda de soberania monetária e outras do nosso País. Sei que a escolha não foi deles – ao tempo ainda eram mais garotos na política – mas hoje são uns doentios e fervorosos defensores do neoconservadorismo europeu.
Herr Schäuble! Grita o Conselho de Ministros português, em uníssono, antes de iniciar os trabalhos. Compreendê-se por que razão.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dedicado à Sarah Adamopoulos

Eça de Queiroz
Tarde, mas tornei-me amigo e apreciador de Sarah Adamopoulos; escritora, dramaturga, jornalista e bloguer do ‘Aventar’. A Sarah é uma mulher de cultura, detentora e ecléctica nos saberes e conhecimentos que a distinguem como culta. A estas virtudes junta-se um talento de comunicadora consistente e profunda, razão do grande apreço que jamais consigo deixar de lhe dedicar.
Aproximar-me das qualidades da Sarah Adamopoulos – ou da Carla Romualdo, outra pérola do ‘Aventar’ – seria mera quimera, se a minha intenção fosse essa.
A Sarah publicou no Aventar o ‘post’ sob o título ‘Os gregos limpam as armas’ que remete para um texto de Albert Camus, de 1959, também inserido no mesmo blogue em 8 de Março de 2015.
Camus é Camus. Sou sempre um leitor recorrente do escritor francês, nascido na Argélia. É sempre um companheiro nos tempos de necessidade de depurar o espírito. Jamais o consigo ler de uma penada e definitivamente. É um exercício permanente de leitura, de reflexão a desvendar os mistérios do comportamento do homem e consequentemente da sociedade humana.
Grato à Sarah, e sem o objectivo de os comparar, lembro estas palavras de Eça de Queiroz  a propósito de Portugal e da Grécia:

“Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia
Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, e a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano beleza da arte.
Eça de Queiroz, em ‘Farpas’ (1872)’.”

O texto é revelador da enorme capacidade de premonição de Eça – o texto tem 133 anos – transformadora da sua obra em intemporal.

Talvez fosse recomendável enviá-lo a Cavaco, a fim de tentar fazer perceber o PR que as causas das sociedades humanas não se analisam nem resolvem com operações aritméticas simples, subtracção no caso: 18 = 19 -1. 
Mas, pensando melhor, o que se espera de política feita com contas à moda do Sr. Silva?

domingo, 28 de junho de 2015

Os riscos da Zona Euro, do Syriza a Marine Le Pen

A inconsistência das “instituições”, em relação à Grécia, é digna de reflexão. Há a incógnita que se levanta à CE, Eurogrupo, BCE e ao FMI sobre os efeitos, e contágios, que podem impender sobre a Zona Euro do colapso financeiro, bancarrota, da Grécia. De resto, é na acepção de inquietantes dúvidas e tortuosas estratégias, que, a meu ver, hoje, Domingo, o BCE, em reunião por teleconferência participada pelos governadores dos bancos centrais – lá aparece o “nosso” Costa do BdP nas telas dos monitores – deliberou manter o apoio à liquidez da banca grega, ao abrigo do programa de emergência, ELA - Emergency Liquidity Assistance, na designação anglo-saxónica.
Podem existir dúvidas nos dignatários das “instituições” envolvidas. Todavia, para os autoritários conservadores e socialistas dos areópagos de Bruxelas, referidos por Pacheco Pereira no brilhante artigo, ´A Europa que nos envergonha’, o objectivo estratégico é demasiado evidente: afastar o Syriza do poder – confesso que comecei por não ser entusiasta deste partido, mas do mesmo me transformei em admirador pela coragem face aos altos poderes da Europa do Norte e seus serventuários – Schäuble e os idiotas úteis do tipo de Dijsselbloem e Maria Luís Albuquerque, por exemplo.
O desafio do referendo de Alexis Tsipras, a acreditar nos resultados de sondagens que a imprensa divulga, pode transformar-se em golpe de “hara-kiri” para o Syriza. E é este o trunfo com que as lideranças europeias, neoliberais e despóticas, complementadas pela indecorosa Lagarde, contam para fazer regressar ao poder a Nova Democracia e o Pasok, dois partidos autores do crime da dívida, em conluio com Merkel e Sarkozy – os gastos em equipamento militar germânico e francês, os dinheiros extorquidos pela Siemens e outras sociedades internacionais, se devidamente somados, inundaram a Grécia de uma dívida externa, pública e privada, astronómica. Os pensionistas e assalariados que paguem a crise, defendem agora o FMI e o Eurogrupo de Schäuble, sob a cumplicidade de Juncker e um batalhão de governantes europeus, no qual participa Passos.
A semana que agora se inicia vai ser recheada de acontecimentos. Prognosticar é difícil, excepto prever golpes baixos que atingirão o povo grego.
Contudo, ao contrário da teoria oca do ‘Fim da História’, de Fukuyama, as sociedades actuais vivem transformações permanentes, às vezes súbitas e outras radicais. Talvez, em tempos de próximo futuro (2017), se a ascensão de Marine Le Pen se concretizar em conformidade com as sondagens, a Zona Euro e eventualmente a União Europeia corram o risco de extinção.
Tenha-se em atenção o que a candidata da extrema-direita francesa disse à Bloomberg, em notícia que foi titulada ‘Marine Le Pen: Chamem-me apenas Madame Frexit’. Do teor dessa entrevista, traduzo as seguintes passagens:
Confesso não ficar paralisado de euforia se Marine Le Pen vier a ser eleita PR Francesa. Todavia, em política, têm de aceitar-se as escolhas dos povos. Se a direita neoliberal, destruidora do Estado Social Europeu, é invencível pela esquerda europeia, desconexa e insípida, talvez venha a ser profundamente derrotada pela direita. 
Comparo à imagem do fruto, em tempos lustroso, que acabará por cair da árvore, bichado e apodrecido no interior. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Nana Mouskouri em hino à Liberdade


 Tivemos uma semana em que os déspotas da    União Europeia e da Zona Euro atingiram o cume  da falta de vergonha, ao recorrer a um lamentável  vexame sobre o povo grego. Os líderes europeus e  do FMI, traidores do regime democrático, renegam os princípios de que se afirmam defensores. Humilharam o governo da Grécia, a despeito da legitimidade do sufrágio com que foi eleito - o poder do governo helénico, exercido com perfeita licitude pelo Syriza, tem de ser respeitado, reivindico!
Contra o Estado Grego, os credores, misturando falsos avanços e recuos autênticos, entre as alegações e atitude deploráveis, rasuram a vermelho e exibem as propostas do governo como inaceitáveis. Que falta de dignidade! Nojentos!
Um dos argumentos de acusação é considerar que, ao aumentar impostos, o governo de Alexis Tsipras está a inviabilizar a recuperação económica do seu País. Um enorme topete!, bradaram naturalmente os deuses e o povo grego em uníssono. 
Tsipras reagiu. Acusou as instituições europeias e em especial o FMI de tratarem a sua nação de forma menos favorável do que fizeram com a Irlanda e Portugal. Recorde-se o 'brutal aumento de impostos' de Vítor Gaspar para sancionar a versão de Tsipras. Claro que Passos Coelho quis despudoradamente desmenti-lo, mas, nas projecções orçamentais e outras das nossas contas públicas, está bem claro que, por efeito dos chumbos do Tribunal Constitucional dos cortes de pensões e outros, a coligação foi compelida a resolver o problema pelo lado dos impostos (da receita, dizem os tecnocratas).
Tudo isto faz exalar um cheiro nauseabundo. Todavia, como estamos em fim-de-semana, excepto para o Eurogrupo e o Governo Grego, com a sessão de amanhã, Sábado, compensemos as tristezas e revoltas com a voz de Nana Mouskouri, Teve a infância marcada pela invasão nazi da Grécia e o seu pai tornou-se um activo militante antinazi - nem de propósito, penso eu com os meus botões.
A música escolhida e apresentada no vídeo tem por título em castelhano 'Libertad' e é interpretada com a melodia 'Va pensiero' do 'Coro dos Escravos Hebreus', da ópera 'Nabucco' de Verdi. Que o bando de Bruxelas abandone, nem que seja por uma ocasião excepcional, a condenação selvagem e injusta que está a levar à prolongada expiação do povo grego.

A Grécia e o bando tétrico de Bruxelas, com o FMI em destaque

A Madame Lagarde, com a silhueta da brutalidade e em simultâneo hipócrita no sorriso, tem sido ao longo da semana a estrela do cartaz das negociações, em representação dos credores, junto dos legítimos e sufragados governantes gregos, em especial o Primeiro-Ministro,Tsipras. 

De mala Louis Vuitton, na mão, vestida pelos mais famosos costureiros do mundo e ainda ornamentada de jóias adquiridas em lojas de luxo da Place Vandôme, Paris, lá está ela em Bruxelas a desfilar, de ar soberbo, pela sala da gentalha que comanda a UE e a Zona Euro - ao pé dela a nossa Maria Luís parece - e é - a serviçal humilde e submissa, a quem compete repetir aquilo que os chefes do bando, Schäuble em especial, ordenam.

Toda a coreografia é exibida em imagens de uma trilogia típica:  exibição de vaidade obscena no cargo que desempenha e do qual seria expectável um exercício responsável perante os graves problemas das nações que integram o FMI; a altivez com que se permite usar linguagem reles e ofensiva para alguns com quem se reúne - própria de mulherzinha do Quartier Pigalle - e, por último, a ostentação aberrante e desumana de um poder narcisista, de êxtase sobre si própria, por causar a desgraça de um povo, o Grego, herdeiro de uma nação que foi o berço da cultura universal e cujos paradigmas ainda subsistem, sobretudo no pensamento filosófico e político das sociedades europeias de hoje.

A mulherzinha, acolitada pelo ridículo beijoqueiro Juncker e pelo presidente do Eurogrupo, um tal Dijsselbloem, fiel serventuário do germanófilo Schäuble; a mulherzinha, dizia, figura sinistra do bando, vai-se valendo dos solícitos e obedientes tecnocratas do FMI, a fim de fazer do povo e do governo gregos "gato-sapato", porque este último opta por impostos para equilibrar as contas públicas e, no projecto de expansão da miséria no mundo, a instituição de Lagarde entende que a solução imperativa reside nos cortes de salários e pensões - os pensionistas gregos que recebiam 1.000,00 euros foram atingidos por cortes que limitaram as pensões a 600,00 euros.

Paul Krugman, com o prestígio de que desfruta a nível mundial, editou no 'New Yor Times' o artigo que traduzimos e publicamos em 'post' separado.
Eu, fatigado de ouvir e ver idiotas, a torto e a direito, do Gomes Ferreira ao Vieira Pereira, prefiro naturalmente ler quem é intelectualmente superior na detenção de conhecimentos e inquestionável fonte de aprendizagem. Esta foi uma das razões por que traduzi o professor norte-americano.
Krugman distingue-se, e de que maneira!, da grande maioria dos nossos comentadores económicos - como dizia um amigo meu, não comparemos o "olho do c." com o Arco da Rua Augusta.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Grécia: tradução de artigo de Paul Krugman no NYT


Tenho ficado bastante tranquilo sobre a Grécia, não querendo gritar 'Grexit' em teatro lotado. Mas considerados os relatórios das negociações em Bruxelas, algo deve ser dito — nomeadamente, o que fazem os credores e em particular o FMI, que pensam eles que estão a fazer?
Isto vai ser uma negociação sobre metas para o saldo positivo primário e em seguida sobre o alívio da dívida que encabeça intermináveis crises futuras. E o governo grego concordou com alvos de excedentes na verdade bastante elevados, especialmente tendo em conta o facto de que o orçamento teria em enorme ‘superavit’ primário, se a economia não estivesse tão deprimida. Mas os credores continuam a rejeitar propostas gregas alegando que se baseiam muito em impostos e não o suficiente sobre cortes de despesas. Então ainda estamos no capítulo de ditar a política interna.
A suposta razão para a rejeição de uma resposta baseada nos impostos é que esta prejudicará o crescimento. A reacção óbvia é: vocês estão brincar connosco? As pessoas que, de forma clara e absoluta, não conseguiram ver o dano que a austeridade causaria — ver o gráfico, que compara as projecções em 2010 face à realidade — estão agora a dar um sermão a outros a respeito de crescimento? Além disso, as preocupações de crescimento estão todas do lado da oferta, numa economia a operar, seguramente, pelo menos 20% abaixo da capacidade de funcionamento.
Fala-se com as pessoas do FMI e eles argumentarão sobre a impossibilidade de lidar com o Syriza, manifestando o seu aborrecimento com arrogância e assim por diante. Mas não estamos aqui na escola secundária. E agora são os credores, muito mais do que os gregos, que continuam a mudar a linha de chegada. Então o que está a acontecer? O objectivo é quebrar o Syriza? É forçar a Grécia a um padrão presumivelmente desastroso, para encorajar os outros?
Neste ponto, é hora de parar de falar acerca de "Graccident"; se o 'Grexit' acontecer será porque os credores, ou pelo menos o FMI, queria que acontecesse.