segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mais desonestidade, menos inteligência

Há quem equacione o tempo em relação à austeridade, na digestão, para eles amarga, dos resultados das eleições presidenciais francesas.  Ficaram mordidos - sejamos cerimoniosos na linguagem -com a vitória de François Hollande. Para essa gentinha, o tempo deverá ser curto na proliferação da pobreza e miséria, nesta Europa em que a Alemanha retomou o objectivo de ilegítimo domínio, na guerra agora económica, contra outros povos.  Para certos idiotas e cabotinos, parecem-lhes normais os  estilos actuais de governação dos ‘super-centros’ do Velho Continente, protagonizados pelo casal “Merkozy”. O nó desfez-se. Estão fulos! Eh, eh, eh, eh, eh, eh…
Com a inábil rejeição da realidade eleitoral de ontem, e  ignorando, por incapacidade própria, o percurso da História real da Europa desde o Séc. XIX, entregam-se à afanosa defesa das posições de Merkel. Prestam-se, submissos e ridículos, ao desempenho do papel de bobos.  Com o objectivo burlesco de agradar à nobreza e castigar a plebe.
Sem reconhecer os nomes pelos quais devem ser chamados os bois, nem dão conta de que estão a usar a fórmula mais desonestidade e menos inteligência. E não de mais tempo e menos austeridade, como imaginam e apregoam.  

domingo, 6 de maio de 2012

França e Grécia: vencer ganhando e vencer perdendo

Acrópole, adeus!

França e Grécia viveram hoje jornadas eleitorais relevantes. Não apenas para franceses e gregos. Os europeus, no geral, não podem nem devem alhear-se. Desses sufrágios, é obrigatório ler com atenção os  sentimentos e mensagens comuns das maiorias dos dois eleitorados:
“Estamos fartos e rejeitamos a severa e desumana austeridade”.
Esta é, de facto, a única leitura possível, embora os objectos e os resultados dos actos eleitorais tenham sido distintos.
Em França, o socialista François Hollande venceu com cerca de 52% dos votos, ganhando o acesso à Presidência da República francesa – símbolo histórico que inferniza o juízo de apoiantes de decrépitas monarquias.
Na Grécia, os conservadores da Nova Democracia (ND) venceram, mas acabaram perdendo. Não têm condições de formar um governo próprio, num parlamento em que terão, no máximo, 110 lugares no total de 300. O socialista PASOK, partido do arco do poder, ficou em 3.º lugar, ultrapassado pelo partido da Esquerda Radical. Está a ser encarada a hipótese de formar um partido de salvação nacional, através da coligação ND + PASOK. Espera-se que os resultados o permitam.

Distribuição Moderna: Cristas, 10 – Álvaro, 0

consumidor e produtor
As margens da distribuição moderna, o consumidor e o produtor

A jornada promocional do “Pingo Doce”, no 1.º de Maio, inflamou  o debate sobre as margens e condições desreguladas do negócio da distribuição moderna em Portugal – os líderes do sector são, como se sabe, o ‘Pingo Doce’ e o ‘Continente’.
O evento chegou, pois, a suscitar posições contraditórias entre membros do governo. A ministra Cristas declarou:
“O que temos visto é que nestes casos as grandes superfícies e grandes grupos – e em particular a Jerónimo Martins – fazem promoções e depois mandam uma cartinha a impor os descontos nos preços acordados, sem negociação. Essas práticas não são admissíveis”
O inefável Álvaro, ministro da Economia e do Emprego(?), disse, por sua vez, não alinhar com as críticas ao PD, argumentando:
“Este tipo de acções é normal em vários países, da Europa aos EUA”.
Em primeiro lugar, e porque não basta afirmar sem provar, gostaria que Álvaro desse um exemplo, ao menos um, de uma operação idêntica, realizada no 1.º de Maio, em qualquer País europeu ou nos EUA – EUA, lembre-se, que são a pátria do 1.º de Maio, mas que, paradoxalmente, não o comemora como feriado nacional.

sábado, 5 de maio de 2012

O Portugal corrupto

capa do correio(2)
Portugal, como país, é um espaço geográfico, humano e social, carregado de diversas matizes.
Ao falar do Portugal profundo, o conteúdo são as manchas do País envelhecido, isolado e inerte, ignorado pelas lideranças políticas. Temos o Portugal insular, com o inebriante brilho dessa joia madeirense caprichosamente chamada Jardim. Do mapa, destaca-se o Portugal da orla marítima, onde, aqui e além, se aglutinam grandes polos urbanos, povoados de gente de todas as classes – dos abastados proprietários de palacetes e urbanizações de luxo aos humildes e marginalizados, a viver em dormitórios erigidos por “gaioleiros” ou “pato-bravos”, ou em bairros sociais carregados de anátemas. Do desemprego a vidas marginalizadas, do álcool á droga.
Temos também, um Portugal deliberadamente difuso e confuso, construído por segmentos de gente que, de pobre ou de classe média, evoluiu súbita e celeremente para extractos sócio-económicos de elevado estilo de vida. Bastou-lhes, apenas, militar em manadas de misantropia de desumanidade extrema. Nos negócios ou na política. Disto, nos fala hoje o ‘Público’, do Portugal corrupto. Com um texto, precedido do seguinte título:

“ Estudo diz que leis anti-corrupção em Portugal estão "viciadas" à partida”.
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Reino Unido: a direita começou a levar nas ventas

Sem a crise do euro mas com as dores da libra esterlina, em aliança com os liberais democratas, David Cameron está a levar nas ventas e com força.
Nas eleições locais, e segundo dados da BBC, projecta-se um resultado nacional de 38% para o Partido Trabalhista (Labour), uma subida de 3%, contra 31% dos Conservadores (Tories), com uma perda 4 p.p.. Por sua vez, os Liberais devem manter-se nos 16%, mas com um número de eleitos inferior a 3.000 lugares, o que sucede pela primeira vez desde 1988.
Em Londres, o favoritismo do conservador Boris Johnson está aquém das expectativas. Às 19:00 horas, contados os votos de 10 das 14 jurisdições, os resultados eram os seguintes:
Nome
Partido
Votos
Johnson Conservador
724.226
Livingstone Trabalhista
592.148
Paddick Liberais Dem.
64.709
Jones Verdes
63.261



Jardim a desbaratar o nosso dinheiro

De Alberto João Jardim, como político e homem,  nada surpreende.  Destemperado e boçal no comportamento e sem o menor respeito por compromissos políticos sobretudo com o poder central, tudo se pode esperar, do pior claro, da vida pública de Jardim.
No entanto, como o homem é do PSD, partido dominante da coligação e há um enxame de anteriores dirigentes ‘laranja’ lhe acham imensa piada, até o Sr. Silva e o Prof.Marcelo, o político madeirense persegue a marcha imparável da indisciplina, da prepotência e do total desrespeito pelo interesse nacional. Agiu sempre com um grande à-vontade, certo da conivência e dos receios de quem o deveria punir. É um dos nossos inimputáveis.
Agora, nas barbinhas do troca-tintas Coelho e do pastoso Gaspar, AJJ vai emprestar – ou esbanjar? – 259 milhões de euros, de fundos públicos a 5 sociedades de desenvolvimento (?) regional, todas em situação de falência técnica, dizem o Tribunal de Contas e a Inspecção-Geral de Finanças.
Acrescente-se que a referida verba provem do financiamento de 2012, no âmbito do Programa de Ajustamento Financeiro.
Caso para lhe dizer: “Ó filho ajusta, ajusta que os funcionários públicos no activo e reformados, e ainda os pensionistas da privada, com os restantes portugueses, pagam e o Gaspar de ti tem medo…desbarata lá o nosso dinheiro!”.
Ah, esquecia-me: “A culpa é sempre do Sócrates, de maneira que estás à vontade, Alberto João…” 

‘Pingo Doce’: Soares dos Santos encornado

alexandre soares dos santos
Soares de Santos, o encornado
Alexandre Soares dos Santos, segundo o ‘Sol’, não teve conhecimento da operação de promoção do ‘Pingo Doce’ no 1.º de Maio.
À semelhança de Henrique Granadeiro há uns tempos, na PT, foi encornado. Neste caso, os traidores foram os ‘marketers’ do ‘Pingo Doce’.
Porém, os malandros têm sempre sorte. O tio Alexandre é compreensivo, não o repugna ser corno  - nestas circunstâncias, entenda-se - e acabará por premiar toda a equipa de marketing do PD. Até o Estado português, ao que se anuncia, será contemplado com uma verba de 15.000 a 30.000 “euritos” de coima, porque isto de fazer ‘dumping’ em Portugal é muito económico. Mesmo em negócio de milhões. Somos muito competitivos.
Walmart, Tesco, Sainsbury, Safeway e outros, venham até cá e aprendam. Têm é de pedir desregulação total aos governos dos países onde têm lojas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sarkozy, a derrota anda por aí


Sacré Coeur
Comemorar vitória antes de tempo é, de facto, um exercício arriscado. Se falhar, o incauto optimista sai murcho e machucado.
Todavia, depois do debate de ontem, em que Sarkozy, nervoso e desastrado, saiu de gatas e por Hollande cilindrado, há acrescida crença na vitória do candidato socialista, nas presidenciais francesas do próximo Domingo.
A cimentar a confiança em Hollande, surgiram sondagens após o debate. Todas lhe são favoráveis. Sondagens são sondagens, valem o que valem, mas os peritos e privilegiados no acesso ao oráculo do Sacré Coeur, em Montmartre, juram que o candidato socialista será o preferido. Um candidato, diga-se, católico para uns, judeu para outros, mas confesso defensor da população islâmica. Religiosamente transversal e admirado em todos os credos. Oremos e veremos.
Segundo os presságios das sondagens, sempre malditas se adversas, Sarkozy sofreu novo revés no objectivo de permanecer no Palácio do Eliseu, mais precisamente na Rue Faubourg Saint-Honoré, 55, VIII arrondissement, Paris.
Para desilusão de ‘Sarko’ – e de Merkel, por que não? – o centrista Bayrou, ao contrário da Le Pen que votará em branco, declarou que depositará o voto a favor de François Hollande.
Um conselho:
“Sarkozy, mergulha a alma, a devoção e dirige uma sentida prece ao Senhor; na Notre Dâme ou junto do divino juiz no Sacré Coeur; porque, Sarkozy, a derrota anda por aí e nem os amparos vocais e  sensuais da Bruni compensarão a dor da fuga da vitória”.
Hollande? Inshallah!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dissequemos a operação ‘Pingo Doce’

fotoPDA singular, porque original e arrojada, operação de promoção no 1.º Maio dos supermercados ‘Pingo Doce’, da Jerónimo Martins, pode ser analisada em diversas vertentes. Dessa diversidade, destaco os capítulos principais:
1) Acção de marketing:
A JM, em bem conseguida operação de marketing, centrada na redução drástica da variável preço, disponibilizou aos consumidores que, no 1.º de Maio, adquirissem, pelo menos, € 100,00 um desconto equivalente a 50%. Sem restrições ou exclusões das inúmeras classes de produtos, dos alimentares a bens não duráveis – dito de outro modo, da margarina ao micro-ondas, passando pela cerveja e o vinho, o ‘Pindo Doce’, nas condições referidas, concedeu um valioso desconto de 50%. A acção de marketing, uma vez colocada no terreno, revestia-se da probabilidade do enorme sucesso registado, ainda que com os conflitos e o ambiente de guerrilha vivido nas lojas.

O desemprego e o descaramento de Passos

Ontem, ao ver Passos Coelho profanar o ‘Dia do Trabalhador’, com o descarado discurso do desemprego nos próximos anos, pensei e disse de mim para mim: “Olha este gajo já sabe que a taxa de desempregados aumentou e está a preparar o pessoal para a má notícia que aí vem”.
Publiquei este ‘post’ de repulsa pela figurinha – ou figurão? – que nos saiu em sorte para PM, a seguir a um outro que, bem vistas as coisas, inaugurou o ciclo político dominado pelos meninos ex-jotas; todos, embora com nuances, diga-se, com uma sede  enorme do  exercício lesivo da governação de Portugal e da vida dos portugueses; para mais, sem que estejam, de facto, habilitados a fazê-lo. A não ser captar proveitos pessoais, ressalve-se.
O que congeminei e concluí, muita gente o fez, penso. Não me arrogo, pois, do cometimento de sábia e rara inteligência. De tal forma, estes meninos são destituídos de bom senso que os truques de comunicação burlesca, se revelam facilmente previsíveis, aos olhos de todos.

Desemprego: 15,3% diz o Eurostat

Ora hoje tivemos a justificação da suspeita: aqui e aqui, a comunicação social divulga que a Eurostat, em relação a Março passado, registou um aumento da taxa de desemprego para 15,3%, em Portugal. Continua, pois, o governo a assegurar presença no pódio dos mais altos valores dessa chaga na UE de 27 países. Consolidámos, de facto, o 3.º lugar dos países líderes, com os tais 15,3%, a seguir a Espanha (24,1%) e à Grécia (21,7%).
Com esta Europa que, a partir de Berlim, impõe a via única da política monetarista e draconiana do controlo do défice, sem crescimento e emprego, em óbvio detrimento da qualidade de vida dos cidadãos, os milhões de desempregados, em particular os jovens ou mais idosos, desocupados de longa duração, poderão um dia vir gritar: basta! E exigir o fim das políticas de austeridade de que Coelho e sua trupe são dos mais severos e desumanos executores, a mando dos directórios externos.

Antevisão da partida dos governantes

Lá regressará o Coelho ao trabalho com o Correia, o Gaspar para o FMI, o Álvaro para o Canadá e o Relvas para o Brasil. Com ou sem Mota e de Cristas em baixo, Portas relançará a carreira parlamentar, com o carisma teatral que lhe é próprio - como não fosse nada com ele.
Quem se seguirá? Outro jota. Porra! Somos um povo com o destino marcado.