domingo, 6 de maio de 2012

Distribuição Moderna: Cristas, 10 – Álvaro, 0

consumidor e produtor
As margens da distribuição moderna, o consumidor e o produtor

A jornada promocional do “Pingo Doce”, no 1.º de Maio, inflamou  o debate sobre as margens e condições desreguladas do negócio da distribuição moderna em Portugal – os líderes do sector são, como se sabe, o ‘Pingo Doce’ e o ‘Continente’.
O evento chegou, pois, a suscitar posições contraditórias entre membros do governo. A ministra Cristas declarou:
“O que temos visto é que nestes casos as grandes superfícies e grandes grupos – e em particular a Jerónimo Martins – fazem promoções e depois mandam uma cartinha a impor os descontos nos preços acordados, sem negociação. Essas práticas não são admissíveis”
O inefável Álvaro, ministro da Economia e do Emprego(?), disse, por sua vez, não alinhar com as críticas ao PD, argumentando:
“Este tipo de acções é normal em vários países, da Europa aos EUA”.
Em primeiro lugar, e porque não basta afirmar sem provar, gostaria que Álvaro desse um exemplo, ao menos um, de uma operação idêntica, realizada no 1.º de Maio, em qualquer País europeu ou nos EUA – EUA, lembre-se, que são a pátria do 1.º de Maio, mas que, paradoxalmente, não o comemora como feriado nacional.

Em segundo lugar, e como estou certo da resposta negativa à primeira questão, seria interessante que o falacioso Álvaro descrevesse em que países europeus, nos EUA ou mesmo no Canadá, é legalmente permitido fazer uma promoção de 50% sobre a totalidade dos produtos à venda numa cadeia de supermercados e hipermercados. Ao mesmo tempo, seria útil que indicasse quais os países onde é permitido à ‘distribuição moderna’, unilateral e arbitrariamente, fazer recair “à posteriori” custos de promoções sobre os fornecedores.
O sector da ‘distribuição moderna’ contou desde o início, ano de 1985 com o ‘Continente’ de Matosinhos, com aviltante cumplicidade do poder político – PS e PSD são, nesta matéria, os detentores de quase 100% da responsabilidade.
Quem, como eu, teve a experiência profissional de fazer negócios com as cadeias ‘Tesco’, ‘Sainsbury’, ‘Safeway’ e ‘Boots’, por exemplo, sabe que, devido a restrições de regulação no liberal mercado do Reino Unido, não é possível realizar uma operação promocional idêntica àquela que o PD levou a cabo.
Infelizmente, para o tecido económico e índices de emprego nacionais, os efeitos do laxismo legislativo traduziu-se na falência de uma quantidade enorme de pequenas e médias empresas, às quais os distribuidores capturaram avultadas verbas de ‘entradas em linha’, vindo depois a expulsar os produtos das lojas, devido a limitados volumes de vendas.
Impõem a produtores, nomeadamente dos mercados hortofrutícola e agro-alimentar, preços limitados, comparticipações nas promoções sem aviso prévio e, neste esquema de apropriação de dinheiro de terceiros, não é difícil que se tenham transformado em grandes potências empresariais. Com o benefício financeiro de quem recebe a pronto e paga a 90 ou mais dias.
Em resultado de tudo isto, o comércio tradicional foi praticamente dizimado; unidades produtivas da agricultura e indústria implodiram e as importações, em compensação, explodiram.
Há, de facto, que legislar e regular o sector, como defende o BE. Tenho dúvidas que, face a complexos de ordem política, Cristas consiga avançar. No jogo preliminar, deu uma abada de 10 a 0 ao Álvaro, mas é elevada a probabilidade do jogo não prosseguir e não atingir o alcance necessário. Na tradição judaico-cristã, impera o subjectivo sobre o objectivo. Como a proposta vem do BE, logo...