sexta-feira, 25 de maio de 2012

As reflexões económicas de um não-economista

José Manuel Fernandes, socorrendo-se do ‘post’ do Prof. Pita Barros em ‘Momentos Económicos… e Não Só’, publica hoje no ‘Público’ um prolixo artigo a manifestar saturação da “conversa inconsequente” sobre ‘crescimento e emprego’.
Há um pormenor, que ele não explicita, mas em que eventualmente estaremos de acordo: a impossibilidade de coexistência de um programa de crescimento e emprego com a austeridade imposta pela “ajuda” externa, agora reforçada com o ‘Pacto Orçamental’ confeccionado pelo directório Merkozy. Defende, diga-se, com intransigência a solução de austeridade e, claro, as políticas do actual governo, a que me oponho.
JMF utiliza amiudadas vezes, e nem sempre assume, o texto do Prof.Pita Barros, académico que respeito mas com quem mantenho algumas discordâncias. Por exemplo, quando PB diz:
[o crescimento de curto prazo]…que só pode ser feito aproveitando a capacidade produtiva disponível e não utilizada.
Com a destruição do tecido económico – agricultura, pescas, indústria e serviços – a capacidade produtiva disponível e não utilizada ficou reduzida a cacos. Mesmo retirando da análise o sector das obras públicas e construção civil, essa capacidade produtiva está em final de processo de adiantado desmoronamento desde há 30 anos.




Bastará circular pelo mundo real das empresas para o perceber: ainda agora uma fábrica especializada na produção de mineral não metálico desde 1936, na parte activa remanescente de componentes para a indústria automóvel (fornecedora da Autoeuropa) encerrará para se deslocalizar para Marrocos, com os consequentes impactos negativos na Balança Comercial do País. E, todavia, foram dados incentivos à Autoeuropa pela incorporação nacional. Factos são factos.
Quanto ao crescimento a longo prazo, teremos oportunidade de saber em que resultarão as alienações da EDP, da REN, da TAP (perda do ‘hub’ de Lisboa?), e da ANA, decididas como desinvestimentos estratégicos e para o desenvolvimento – argumento do governo.
JMF cita o Prof. Pita Barros. Eu invoco as opiniões de Joseph Stiglitz, de que destaco: 
"Austeridade como a solução é simplesmente errada," afirmou Stiglitz, um professor de economia da Universidade de Colúmbia, numa entrevista da televisão Bloomberg em Hong Kong hoje. "Não haverá um retorno à confiança - muito pelo contrário. Assim a direcção em que a Europa vai é infelizmente, acho eu, uma direção errada."
Em economia, como em outras áreas, há opiniões para todos os gostos. É um espécie de ‘buffet’. Cada um serve-se do que prefere. No entanto, há umas teorias mais exactas do que outras e a chaga social do desemprego, incentivada pela presente política governativa, é impossível ser subestimada.
E, para finalizar, digo que Stiglitz não é propriamente um impreparado.