domingo, 20 de maio de 2012

O Cavaco que se emociona e impressiona

Sabíamos desde há muito que Cavaco raramente se engana e nunca tem dúvidas.
Necessitámos, porém, de esperar todo este tempo, para ficar a saber que, afinal, o PR também se emociona e impressiona. A pobreza do povo desassossega-lhe o espírito. No trajecto percorrido entre o aeroporto de Dili e o centro da cidade, o sofrimento atingiu-lhe a alma. Nunca tal lhe tinha sucedido nos percursos que faz entre o aeroporto Lisboa e Belém ou a Lapa. Deus esteve sempre com ele. Se, alguma vez, tivesse feito um itinerário diferente, deslocando-se para os lados da Musgueira, da Quinta do Mocho, das cercanias de Camarate e outras zonas bem mais próximas da Portela, Cavaco já estaria vacinado contra tais emoções e evitaria a eventual ingestão de sedativo lá nos confins do mundo.
Este é o problema de um homem, no caso Presidente da República. Todavia, há outro aspecto não menos preocupante acerca do comportamento e das reacções de Cavaco. Afirmar à comunicação social, como visitante institucional e em dia de festa dos timorenses, ter ficado emocionado e impressionado com a pobreza do país, não me parece atitude sensata e conforme os cânones da diplomacia. Sei que pode ser hipocrisia, mas existem condicionalismos e regras de convivência entre figuras institucionais de países diferentes. O recomendado seria comunicá-lo em privado e em estilo respeitoso aos dirigentes timorenses.  
Este episódio acabou por me esclarecer da razão por que Cavaco Silva ficou impávido e sereno ao ouvir em Praga as alarvices do presidente Vaklav Klaus, na visita à República Checa. São faces da mesma moeda.