domingo, 6 de maio de 2012

França e Grécia: vencer ganhando e vencer perdendo

Acrópole, adeus!

França e Grécia viveram hoje jornadas eleitorais relevantes. Não apenas para franceses e gregos. Os europeus, no geral, não podem nem devem alhear-se. Desses sufrágios, é obrigatório ler com atenção os  sentimentos e mensagens comuns das maiorias dos dois eleitorados:
“Estamos fartos e rejeitamos a severa e desumana austeridade”.
Esta é, de facto, a única leitura possível, embora os objectos e os resultados dos actos eleitorais tenham sido distintos.
Em França, o socialista François Hollande venceu com cerca de 52% dos votos, ganhando o acesso à Presidência da República francesa – símbolo histórico que inferniza o juízo de apoiantes de decrépitas monarquias.
Na Grécia, os conservadores da Nova Democracia (ND) venceram, mas acabaram perdendo. Não têm condições de formar um governo próprio, num parlamento em que terão, no máximo, 110 lugares no total de 300. O socialista PASOK, partido do arco do poder, ficou em 3.º lugar, ultrapassado pelo partido da Esquerda Radical. Está a ser encarada a hipótese de formar um partido de salvação nacional, através da coligação ND + PASOK. Espera-se que os resultados o permitam.


Se Hollande cumprir as promessas, nomeadamente no que se refere à renegociação do Tratado Orçamental Europeu da Sra. Merkel, já é suficiente para que a Europa, submetida à prepotência germano-austera, se agite e inicie a transformação. Concretamente da Grécia, aguardemos o devir, lembrando, entretanto, a canção de Mirelle Mathieu: “Acrópole, adeus!”. Um mensagem de nostalgia à pátria da filosofia.