quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A decadência do Sporting ou do futebol português?

Há década e meia, ou mais,  que retenho na memória uma entrevista de Maló, guarda-redes da Académica dos anos 60, depois Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Dizia ele, então:
“Faço parte dos 800.000 portugueses que deixaram de ir ao futebol”.
Na altura por iniciativa da FPF, da Liga de Futebol, ou duma dessas coisas, havia sido publicado um estudo a evidenciar a queda do número de espectadores de futebol; grupo em que eu e pelos vistos Maló nos integrávamos.
A despeito de minorias de dirigentes poucos escrupulosos, e árbitros transgressores de regras da ética e da honestidade, o passado, nos anos 60, assentava, sobretudo, em paixões e dedicações clubistas. O paradigma do tempo ficou registado na história. Chamem-lhe ‘período romântico’ ou usem outra classificação pejorativa; todavia, nunca conseguirão negar a pureza, de então, face aos dislates  e assalto de abutres que, posteriormente, se projectaram na vida à custa do ‘pontapé no esférico’ – sem vestir camisolas, nem calções ou calçarem chuteiras.
Concentrando-me, de facto, no futebol português,  o ambiente foi infectado e a contaminação é vasta; nomeadamente, através de dirigentes de clubes pagos com centenas de milhares ou mesmo mais de um milhão de euros anuais (ver contas das SAD’s do F.C.Porto e Benfica, por exemplo). A estes, há a acrescentar esse outro bando de aves de rapina, os empresários.
Com estes privilegiados, e os respectivos batalhões de jovens alucinados, com ou sem álcool ou drogas, em jogos, em assembleias-gerais; ou ainda por influência de declarações inflamadas dos cabotinos que, à 2.ª feira, polvilham as estações televisivas, à roda do futebol passou a respirar-se o fedorento ar de matéria orgânica em decomposição acelerada, temperada de promiscuidades em que os políticos são coniventes.
Costumo dizer que, actualmente, o futebol português tem dois “grandes” (Porto e Benfica) e meio (Sporting), a que se seguem uma longa fila de palhaços ‘faz-tudo’ que, neste circo, vai entretendo a malta, nos interlúdios da vida dura. De volta e meia, lá vem um ‘faz-tudo’ que sai da casca – nos últimos anos tem sido o Braga, mas, como o Boavista de há anos, são figuras pré-destinadas a assomos de rápida erosão.
O futebol português transformou-se, pois, neste acervo de ordinária sucata. A agressão ao Dr. Daniel Sampaio não é problema exclusivo do Sporting; como, há anos, a moeda atirada a Torres Couto à entrada ou saída de assembleia do Benfica não o foi em relação ao clube da Luz.
O processo degenerativo e de decadência  atinge a  organização do futebol como um todo. Há muito. Excede o âmbito do Sporting ou de qualquer outro clube, refugiando-se em coito em que energúmenos fecundam e se reproduzem.
(Obs.: não sou simpatizante, adepto entusiasta ou associado de qualquer dos “dois grandes e meio”)
  

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A unanimidade da ‘troika’ em causa

A austeridade, severa e desumana para muitos europeus, pode afinal converter-se em ‘bomba’ no seio da estrutura que a confeccionou, a designada ‘troika’ do FMI-CE-BCE.
As falhas e a falta de certeza quanto ao efeito efectivo dos ‘multiplicadores’ são fragilidades em técnicos, idênticos a Vítor Gaspar, a António Borges, e mesmo ao jovem Moedas – a Galvão nisto não mete o bedelho, dada a impossibilidade de censurar o que foi publicado pelo jornal alemão, ‘Frankfurter Rundschau’.
Retirámos do ‘site’ Presseurop o título e o texto da notícia:
 
“Austeridade já não recolhe a unanimidade dentro da troika
 
“A Europa vai fazer cortes até morrer?” A questão levantada pelo Frankfurter Rundschau provoca desentendimentos dentro da troika de fundos de resgate internacionais (UE-BCE-FMI) e provoca verdadeiras batalhas de pareceres e contra pareceres entre a Comissão Europeia e os economistas do Fundo Monetário Internacional.
O centro da disputa, explica o Rundschau, é o “multiplicador”, esse número que indica até que ponto uma política de austeridade pesa na economia de um país. Se uma redução de despesa pública de 1 euro provoca a diminuição do PIB em 1 euro, o multiplicador é, então, estimado em 1. Mas se é de 2, os cortes orçamentais asfixiam a economia e provocam um aumento do défice, porque diminuem as receitas fiscais; se é de 0,5, tem pouca influência na saúde económica e a austeridade é uma boa solução para o Estado.
O problema é que dois economistas do FMI descobriram que os pareceres feitos sobre os países europeus em crise subestimaram constantemente o famoso multiplicador, sobretudo no caso da Grécia.
A Comissão Europeia respondeu imediatamente com um contra parecer segundo o qual economizar é bom.

Poderá ser restabelecida a paz dentro da troika? Para isso é preciso esperar pelo fim da atual recessão para que os números reentrem na ordem, escreve o Rundschau.
Restará depois aos políticos escolherem a teoria que lhes convém.
Que a austeridade caia em cheio e divida, com o divisor exacto, a ‘troika’ em pedaços!




O governo vai substituir os ajudantes

ajudante
A original, e agora histórica, classificação é de autoria de Aníbal Cavaco Silva, quando 1.º Ministro.
‘Ajudante’ foi a denominação com que etiquetou os ‘secretários de estado’.
Passos, que não desperdiça ocasiões de ser original com a originalidade de outros, ao que a comunicação social anuncia, está na eminência de providenciar uma remodelação governamental que afastará alguns secretários de Estado – sempre é mais fácil despedir ajudantes.
Dois já se foram. O Viegas e o Júlio. Agora, o grupo de ajudantes a demitir, diz-se, é mais vasto. Todavia, estou decidido a apostar que o Guedes e o Moedas permanecerão.
O primeiro, sabido e veterano, é quem transporta, às costas e na verve, as decisões do Conselho de Ministro; dá uma ajuda à Cristas, outra ao Álvaro e deixa o Relvas falar de cátedra.
O engenheiro Moedas é um dos braços-armados da ‘troika’, o que alivia o trabalho de Gaspar. Se Moedas estiver atrapalhado em censurar o dito e discutido em debate de luminárias figuras, a Galvão ripa do lápis azul e ordena que ninguém filme, ninguém faça reportagem, ninguém informe o ‘Zé Povo’. Toma lá que é democrático!
O irónico é Passos remodelar ajudantes e teimar em conservar os ajudados, segundo se depreende das notícias.
Está “visto e ouvisto” que Relvas, talentoso nos embustes e em privatizações, está de pedra e cal no governo. É demasiada relva para o estreito estômago de um coelho.
Ah!, e o Mestre, ajudante da juventude? Em ano e meio, já tirou mais de uma centena de milhar de jovens da zona de conforto. Mas, há muitos mais a debandar e o trabalho do zeloso ajudante ainda não findou.
Quando um ajudante é promovido a chefe supremo, o que é que se poderia esperar?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Com Avelino, o progresso regressa ao Marco

ídolo
Avelino, o génio
Marco de Canaveses é terra de gente célebre. Nasceram ali Cármen Miranda e Belmiro de Azevedo. Ela distinguiu-se a cantar e a sambar, em terras tropicais Ele, de telemóveis a arroz e bacalhau, serve milhares de lares portugueses.
Cármen tranformou-se em ídolo do Brasil:  “O que é que a baiana tem?”, cantava, enroupada com saias com corte de Candomblé, cingidas à cintura, e de blusa avara a suster o generoso peito – para Marco de Canaveses nem um simples verso.
Belmiro, a despeito de distanciamento, fez questão de demonstrar aos conterrâneos a imagem de homem de sucesso de negócios:  do telefone, da roupa, da Aspirina, da pizza, do arroz, da batata e do grelo, e não sei de que mais.  Belmiro está em diversas frentes. Sem ser visita frequente, ainda assim sempre superou a cantante, oferecendo a Marco de Canavezes um ‘Centro Comercial Continente’. Onde há oportunidade de negócio, ele aí está…
A ironia, porém, é a realidade do homem mais dedicado a Marco de Canavezes ter sido e ser um amarantino de pura cepa. Popularizou a terra nos noticiários das TV’s, ao pontapé e aos gritos, num campo de futebol; foi participante famoso do ‘big brother’ do ‘jet set’ e acabou derrotado na candidatura ao município da sua terra, Amarante.
Agora, para contrariar o ambiente deprimido do País e alegrar as gentes de Marco Canavezes, Avelino Ferreira Torres resolveu voltar a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal.
É caso para dizer que um homem genial e o progresso estão de regresso ao Marco. É com esta gente que Portugal progride, tem ganhos de produtividade e se torna uma potência em competitividade. Não é Dr. Paulo Portas?

O logro do sucesso do défice externo

quedaDo impreparado PM Coelho, ao insípido e incapaz Álvaro, em uníssono com vozes de comentadores favoráveis ao governo, a tese do sucesso do défice externo é vendido como êxito, a torto e a direito, nos meios de comunicação social.
A propaganda pretende fazer passar a ideia de que a causa assenta, sobretudo, no aumento das exportações. Trata-se de um rotundo logro. O objectivo é iludir a opinião pública.
Já anteriormente escrevi aqui e repito: a maior parcela da quebra do défice comercial externo é proveniente de uma acentuada redução das importações. Augusto Mateus acaba de quantificar a queda no consumo desde 2008: – 12,3%.
A redução do consumo privado deriva da eliminação do poder de compra e do empobrecimento impostos, de forma brutal, aos portugueses, pelas receitas da ‘troika’ e conivência dos partidos signatários do ‘memorando de entendimento’.
Do Boletim Económico do BdP de 15 de Janeiro, há a reter a informação seguinte:
  • O consumo privado (- 5,5%)  e as importações (-6,9%) caíram em 2012.
  • Em 2013, estão previstas reduções de –3,6% e –3,4%, respectivamente.
Nem refiro o consumo publico e o investimento (FBCF) igualmente com acentuadas quedas.
O que este governo pretende vender como sucesso é, sem tirar nem pôr, a destruição da classe média e impelir para níveis mais dramáticos de miséria os pobres que já superam os 2 milhões de portugueses.
O sucesso é estamparmo-nos à grande, segundo a metafórica imagem.
  

Afundamos o Estado Social, aguentamos a Banca

Conferência na Fundação Gulbenkian_28 a 30_01_2013Bem “ouvistas as coisas”, como diria o ministro Relvas – ainda, imagine-se! – notícias, discussões, prelecções ou debates  sobre o Estado Social e a Banca tem um denominador comum: o dinheiro.
Esta conferência decorre na Fundação Gulbenkian. O tema é de longa enunciação, mas traduzido para inglês, ao contrário do que, em sentido inverso, sucede com memorandos e comunicados do FMI.
Na exposição de abertura, Carlos Costa, governador do BdP, foi temperado no estilo e no conteúdo do discurso. Defendeu que a mudança de paradigma de Portugal exige “tempo, métodos e recursos” – não sei se se apercebeu de que contrariou o FMI e a ‘troika’, exigentes de tempo breve, métodos brutais e elevados recursos de remuneração pela “ajuda”.
Independentemente de outros interventores, mais ou menos inflamados, e segundo é perceptível para quem leu os documentos do FMI, depressa ou devagar, o que está em causa é o financiamento do Estado Social – na Saúde, no Ensino e na Justiça – tem que ser drasticamente diminuído. Serão necessários 4 mil milhões, diz o Gaspar; mas, como o erro é um vício que ele não deixa, o corte poderá ser ainda maior.
O ‘Jornal de Negócios’, por sua vez anuncia assim o sucesso do banco do homem do “à aguenta, aguenta…”:
“Ganhos com dívida portuguesa terão levado BPI a atingir lucros 233 milhões em 2012”
Os cidadãos portugueses, contribuintes, sofrem reduções de serviços sociais básicos, porque o Estado já está e intensificará o corte dos fluxos financeiros. Por sua vez, esses mesmos cidadãos pagam, e de que maneira, a recapitalização da banca que, financiando-se a 0,75% junto BCE, ganha balúrdios com os empréstimos ao Estado.
Que resposta merece esta pouca vergonha? 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Falemos de feiticeiras e feitiços

Há dias, recebi uma carta de um amigo com o seguinte texto:

“Caro Carlos,
Tenho sabido pelo Almeida que contigo e família tudo está bem. Portanto, vou directo ao assunto que me levou a escrever-te.
No prédio ao lado do meu, tenho uma feiticeira, vidente ou simplesmente ‘bruxa’ para aqueles que, como eu, não acreditam em premonições de tais especialistas da adivinhação. Sei que, distintamente da mediática profetisa, não se chama Maia, nem lança cartas do ‘tarot’.
Em conivência com o porteiro da ‘bruxa’, baptizamo-la de Maria. Mais que não seja ficou com um ‘r’ de vantagem relação à vedeta televisiva, beneficiária das tecnologias de telecomunicação e que vale a este povo de crendices, do Minho ao Algarve.
A minha vizinha feiticeira, ao que diz o porteiro, não se perde. - De manhã à noite tem um corrupio de clientes. - Parte significativa - diz ele - são figuras conhecidas: actrizes e actores de telenovelas, treinadores e jogadores de futebol e até políticos. – E acrescenta - Outra gente, menos conhecida, é também clientela fina; tem aspecto de viver bem, se repararmos no vestuário e o ouro que usa, bem como nas viaturas de luxo que os trazem até aqui.-
Trata-se, tudo indica, de um negócio rentável, exercido no sossego do lar, sem caixa registadora e o ‘software’ exigido pelas finanças, nem, portanto, a obrigação de passar factura e entregar o IVA trimestral.
Há muito que ando a hesitar em consultar a minha vizinha ‘bruxa’. O motivo é simples e não se relaciona com expectativas de sucesso. Já estou naquela fase em que essas expectativas de progresso pessoal e social se perderam no tempo. E então desde que, como a milhares ou mesmo milhões de portugueses, se cruzou no caminho o rapa-tudo Gaspar, manter quanto tinha, e constituiria pura e simplesmente o merecido por décadas de trabalho, é de há muito o meu único desejo.
Portanto, da falta de expectativas, fui forçado a recuperá-las, na perspectiva de funcionarem em sentido inverso: não regredir.
Eu, que tanto critiquei e desacreditei a vizinha feiticeira, ando a pensar que um dia destes tenho mesmo de ir consultar essa ‘bruxa’. O que pensas?
Aguardo resposta e recebe um abraço,
Américo”

A minha resposta:
Américo, se o Gaspar e a Maria Luís Albuquerque já experimentaram várias videntes para projectar contas e erraram sistematicamente, não vás por aí. Repara que são compelidos  a recorrer a engenharias financeiras e à ajuda do amigo Schäuble. Com sinceridade te afirmo: desiste da ideia, guarda o dinheiro, porque as medidas dos 4 mil milhões da sociedade FMI, Gaspar, Coelho, Portas & Cia., vão obrigar-te a menos reembolsos e mais desembolsos. No fim, ainda tens de pedir uma ajudinha ao teu tio algarvio. Até nem é de Boliqueime, porque daí já houve quem tenha dado sinais de escassez do dinheiro com que vive.
















Polícias e Juízes

O sistema de justiça português é típico de país atrasado, do género de república africana autoritária – A DISA, a polícia e os tribunais angolanos não são muito diferentes nos métodos e na lógica do funcionamento.
A acção policial, de PSP’s a ‘Pêjotas”, é com frequência contrária às próprias leis e aos direitos do cidadão. Como se isto não fosse repugnante e suficiente, há um conjunto considerável de juízes a usar impunidade, ou coisa equivalente, em relação a agentes policiais, fardados ou à paisana, de segurança ou de investigação criminal.
O criminoso acto de violenta tortura cometido há 13 anos – 13 anos!, é uma eternidade – sobre um funcionário da CP, injustamente suspeito de roubo, deveria envergonhar-nos como cidadãos de um País tido por europeu e avançado; suposto, aliás, ser regido pelos cânones éticos da Lei  e juízes soberanos, justos e independentes.
Todavia, e a Amnistia Internacional denunciou este caso, as coisas não são bem assim. Os dois inspectores-chefe da PJ, agressores que forçaram a cuidados hospitalares o inocente Virgulino Gomes, foram condenados a dois anos e meio, mas a pena ficará suspensa por idêntico período.
Conta-se, assim, a história portuguesa de ‘Polícias e Juízes’, faltando referir que ainda houve um juiz que votou vencido.
O caso, de facto, retrata de forma fidedigna a justiça em Portugal, onde se retiram 7 filhos a uma mãe cabo-verdiana, e onde não se pune com as condições devidas polícias-agressores, da PSP ou da PJ, ou se deixam em estado vegetativo casos como o BPN e BPP, ou  em brando lume a ‘Face Oculta’ e o ‘Monte Branco’… sem falar de submarinos, de ‘portucales’ onde o peixe graúdo nada, de bruços, mariposa ou de costas, no mar da impunidade.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A queda do ensino superior privado

Por privilégio ou triste sina, fiz parte do curso fundador da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa - ‘Mestrado em Engenharia da Saúde’ hoje redenominado, penso, em ‘Mestrado de Engenharia Biomédica’. Como ao longo da licenciatura e pós-graduações em faculdades públicas, tive bons e maus professores e o saldo foi positivo.
Terminei o curso em 2002. Depois disso, os meus contactos com a FE da UCP foram esporádicos, chegando, no entanto, a dar aulas soltas de ‘Telemedicina’, tema da minha tese de mestrado.
Gradualmente, apercebia-me de que, embora funcionasse em excelentes e novas instalações, a escola estava em processo de degradação. A procura por parte de novos alunos decrescia, ano após ano, e a crescente falta de sustentabilidade financeira conduziu ao encerramento que o ‘Público’ anunciou.
Do fecho da referida faculdade, privada como sabemos, o prejuízo maior recai sobre os 100 alunos actuais, alguns finalistas, que não podem furtar-se ao estigma da falta de credibilidade dos cursos frequentados. Todavia, nestas coisas, e dito à portuguesa, cada um que se amanhe - pensam os decisores da tragédia.
Noutro plano, e embora o dinheiro recebido pela UCP destes alunos, e de outros ex-discentes,  o facto é que mais uma vez vão ser as instituições de ensino público, no caso a Universidade Técnica, a valer nos prejuízos morais e materiais da queda de uma unidade de ensino privada. Uma espécie de nacionalização dos prejuízos segundo o modelo de salvação de bancos. - O dinheiro dos contribuintes que avance! - ordena o Crato
Será que, com este e outros exemplos aviltantes do sector privado do ensino superior, os ignorantes técnicos, redactores de relatórios do FMI, continuarão a diabolizar o ensino público, divinizando tudo o que é privado nas estruturas de educação? Coisas de burocratas economicistas.

Reestruturação da RTP: Relvas nem dormiu

Ao que consta e se comenta, na opinião pública em geral, Paulo Portas, com bom senso, foi duro e implacável ao recusar a operação de privatização, concessão ou aniquilação – ainda não entendi bem – do serviço público da RTP e da própria RTP.
De velas enfunadas pelos ventos de Belém, o Paulinho, em linguagem de cunicultura, sublinhe-se  muito distinta da cunilíngua, lixou o Relvas. O homem está desconsolado e teve uma noite de insónia que, nem ‘Xanax’, ‘Lexotan’ ou droga do género, conseguiu debelar.
De raspão, porque políticos tipos Relvas apenas os vejo e ouço inopinada e rapidamente, ontem lá se estava a lastimar ao José Rodrigues dos Santos, esse mesmo o escritor, a lamentar os 42 milhões a gastar com a reestruturação da RTP. Parte da verba destina-se a cobrir o despedimento de cerca de 600 trabalhadores, questão que Relvas não confirmou nem infirmou.
Fica a pairar a dúvida, se o desconcertante ministro está, de facto, preocupado com os dinheiros do erário público ou se o estado de espírito é fruto da frustração de ver gorado o negócio com a Newshold. Só Relvas poderá esclarecer o motivo. Para a generalidade dos portugueses sobra o mistério, figura literária que apenas o autor conhece.