segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Afundamos o Estado Social, aguentamos a Banca

Conferência na Fundação Gulbenkian_28 a 30_01_2013Bem “ouvistas as coisas”, como diria o ministro Relvas – ainda, imagine-se! – notícias, discussões, prelecções ou debates  sobre o Estado Social e a Banca tem um denominador comum: o dinheiro.
Esta conferência decorre na Fundação Gulbenkian. O tema é de longa enunciação, mas traduzido para inglês, ao contrário do que, em sentido inverso, sucede com memorandos e comunicados do FMI.
Na exposição de abertura, Carlos Costa, governador do BdP, foi temperado no estilo e no conteúdo do discurso. Defendeu que a mudança de paradigma de Portugal exige “tempo, métodos e recursos” – não sei se se apercebeu de que contrariou o FMI e a ‘troika’, exigentes de tempo breve, métodos brutais e elevados recursos de remuneração pela “ajuda”.
Independentemente de outros interventores, mais ou menos inflamados, e segundo é perceptível para quem leu os documentos do FMI, depressa ou devagar, o que está em causa é o financiamento do Estado Social – na Saúde, no Ensino e na Justiça – tem que ser drasticamente diminuído. Serão necessários 4 mil milhões, diz o Gaspar; mas, como o erro é um vício que ele não deixa, o corte poderá ser ainda maior.
O ‘Jornal de Negócios’, por sua vez anuncia assim o sucesso do banco do homem do “à aguenta, aguenta…”:
“Ganhos com dívida portuguesa terão levado BPI a atingir lucros 233 milhões em 2012”
Os cidadãos portugueses, contribuintes, sofrem reduções de serviços sociais básicos, porque o Estado já está e intensificará o corte dos fluxos financeiros. Por sua vez, esses mesmos cidadãos pagam, e de que maneira, a recapitalização da banca que, financiando-se a 0,75% junto BCE, ganha balúrdios com os empréstimos ao Estado.
Que resposta merece esta pouca vergonha?